Danielbiologo's Blog

Prioridades erradas ….

Para entender mobilidade urbana é necessário deixar o carro em casa. A prioridade dada ao transporte individual motorizado reflete nos problemas de congestionamentos na Grande Florianópolis. Congestionamentos não são um problema, são apenas uma relação, causa x efeito. Em vez de investir milhões em quarta ponte, elevados, duplicações que só estimulam o uso e aumento de motorizados nas ruas, que se invista em transportes de massa e sua integração. Não temos falta de espaço, temos falta de opção, e mobilidade urbana é o cidadão ter opção de um transporte eficiente com baixo custo para seu deslocamento, deixando o carro como última e pior opção. Mais de 80% dos motoristas por aqui carregam apenas uma pasta, uma bolsa ou um caderno, sendo possível seu deslocamento em transporte coletivo e Bicicleta.

Para ver o original publicado no DC, clique sobre a imagem do jornal impresso. 

Corredores de ônibus, por Adamo Bazani

10 de agosto de 2011 | N° 9257

ARTIGOS

A prioridade aos transportes públicos não é somente uma questão de mobilidade, mas de qualidade de vida, redução dos impactos da poluição sobre o meio ambiente, ganho de tempo e também de dinheiro. Financeiramente, a economia se dá principalmente ao se evitar que bilhões de reais sejam desperdiçados. É dinheiro gasto diretamente com obras faraônicas, com túneis e elevados que desfiguram ruas e avenidas.

Quando se prioriza o transporte público no espaço urbano, especialmente por meio de ônibus – que são mais abrangentes em termos geográficos –, democratiza-se esse espaço. A atual ausência de infraestrutura adequada advinda da falta de prioridade aos transportes públicos se reflete em custos maiores para os operadores de ônibus e pressões por aumento de tarifas.

Tornando o transporte público mais eficiente, especialmente com corredores de ônibus, é possível operar o sistema com tarifas mais baixas. Aliados à utilização de veículos elétricos ou híbridos, os corredores são contribuição preciosa à sustentabilidade ligada à mobilidade urbana.

Além de se fazer justiça quando se fala em uso do espaço urbano, a implantação de corredores de ônibus é vantajosa também no aspecto social. Boa parte de quem usa ônibus não tem condições de possuir um carro de passeio ou outra forma de deslocamento. Essas pessoas, geralmente de baixa renda, não podem acabar, proporcionalmente, pagando mais caro para se deslocar do que um dono do carro.

Em relação ao transporte por ônibus, os melhores resultados são observados no sistema BRT, sigla em inglês para Bus Rapid Transit. Ele não é apenas um corredor de ônibus, mas um sistema operacional que apresenta maior fluidez e velocidade, especialmente por tirar os veículos dos congestionamentos.

Em resumo, corredores de ônibus ajudam a democratizar o espaço público, aumentam a velocidade do transporte coletivo e diminuem os custos de operação, beneficiando classes de média e baixa renda. Basta vontade política para investir em transporte público, especialmente em corredores de ônibus BRT, sempre levando em conta a realidade econômica de qualquer município.

Originalmente publicado no DC on-line, aqui.

 

Transporte Coletivo X Perder aula X Pto de ônibus

Posted in Uncategorized by danielbiologo on 2 de julho de 2011
Caminhando...

Caminhando...

Não achei outro título melhor para nomear o fato ridículo de hoje.
Sábado chuvoso, acordo 5:30, arrumo minhas tralhas para a saída de campo da especialização. Viagem para Ilhota para visita prática de Geotecnia. Tudo certo saio na chuva fria não muito forte e chego no ponto de ônibus. Na madrugada enquanto espero vejo como uma parcela de MALtoristas transitam em absurdo excesso de velocidade e ultrapassagens arriscadas, olho o muro ao lado que por diversas vezes foi derrubado/destruído por carros e por aqui devido a essa imprudência “constante”, algumas vidas já foram perdidas.
Vejo o ônibus chegando sinalizo e embarco, consigo uma janela o que em dia de chuva é “fundamental” pois nestes dias os usuários numa frescura aguda de não admitirem um pouco de vento e uma ou outra gota de chuva, mantém todas as janelas fechadas e o ar saturado e úmido se torna um excelente caminho para a contaminação por vírus e outros, é só alguém espirrar ou tossir e pronto, temos vários contaminados.
No assento vou verificando GPS, câmara de fotos, lanche e outros, horário 6:35 ok, tudo certo e fico tranquilo e quase num cochilo prossigo a viagem até a Universidade.  Ao cruzar o túnel ……..OPA, o que estou fazendo aqui? Minha rotina é sempre pegar este ônibus até o centro mas, hoje não era este que eu tinha que embarcar. Chego no terminal e rapidamente, nem olhei para o relógio, corri até outro ônibus que me levaria para a Universidade, alguns minutos depois embarquei e ainda pensei;
-Bem, como sempre tudo se atrasa vou conseguir chegar a tempo ….
Desta vez acho que não atrasou? Ao chegar no local o ônibus da universidade já havia partido ….

Ok, foi por uma desatenção minha mas, mesmo assim o transporte coletivo em Floripa carece muito de “visualização” de informações sobre as linhas e horários. Para quem conhece já é complicado, que vem de fora sofre mais ainda. Há muitos ônibus em linhas diferentes com nomes “muito” semelhantes contendo a palavra “Lagoa” e sem dizer a direção ou sentido e realmente gera confusão. Nas portas de entrada também não há nenhuma “placa ou informação” para rápida visualização da linha no momento do embarque. Nos terminais o que temos são folhas com os horários coladas com fita adesiva em paredes ou vidros que se qualquer pessoas com um pequeno problema  de visão se esquecer os óculos por exemplo, estrá literalmente perdido. E sem nehuma menção dos intinerários, ou seja, para onde e por onde passam os coletivos.
Neste momento já estava aborrecido e me dirigi ao ponto de ônibus para retornar para casa, passava um pouco das 8h e esperava, esperava quando surgiu uma moça e se sentou ao meu lado, perguntei;
-Estás esperando o que vai para a Lagoa?
-Não, mas acho que só 9:30 passa um (verdade, “lembro que aos sábado o número de ônibus é bastante reduzido).
Começo a reparar no estado do ponto de ônibus, sujo, sem informações, com os vidros quebrados, sem proteção da chuva que com um pouco de vento acaba por molhar, quem espera por aqui. O banco é extremamente desconfortável e prefiro ficar de pé (me disseram que o banco é assim para niguém deitar e dormir(?) nele). Vejo o adesivo com o Brasão da PMF e lembro dos discursos que sempre escuto quando falam do transporte coletivo de Floripa;
-Nas outras cidades é pior que aqui.
E daí? Por causa disso o nosso tem que ser assim?
Logo me veio a “mensagem pela imagem” do resto de adesivo;
-O nosso adesivo é melhor que os outros, ele é menos rasgado, dá para ver um pouco, isso é muito bom?
Não gostaria de pensar que nos nivelamos por baixo, dá e temos que melhorar, não podemos ficar assim, é uma questão de respeito e qualidade de vida dos cidadãos.


Reparem na foto do Ponto de ônibus e no meio dele um grande painel azul sem nenhuma informação, um espaço ideal para um mapa e linhas que passam por ali. Resolvi caminhar, tinha tempo e poderia ir até outro ponto. Em certos trechos não há passeios para os pedestres, uma característica ainda muito marcante aqui na Ilha, a da priorização do transporte individual motorizado, e assim sou “obrigado” a caminhar pelo acostamento e neste dia com movimento de relativamente poucos carros, os mesmos transitam muito acima do já elevado limite de velocidade autorizado para uma via urbana. Além do risco pelo mal uso dos motorizados anda temos o caminho cheio de buracos e poças d’água, por isso “carros” não reclamem dos seus caminhos, saiam para caminhar e aí sim vão ver o que é uma via ruim. A chuva fraca 
insistia, quando chegava na subida do morro vejo o ônibus e faço sinal, embarco novamente agora em direção ao terminal da Lagoa.
Bem, depois de utilizar cinco ônibus retorno ao ponto de partida.
4 horas e uma saída de campo (aula) perdidas !!!

Parte do editorial do Diário Catarinense:

2 de julho de 2011 | N° 9218
EDITORIAIS
Transporte e mobilidade

Os problemas da falta de mobilidade no trânsito que já ultrapassaram o limite suportável em Florianópolis e região e da inadequação e precariedade do sistema de transporte coletivo relacionam-se diretamente. Ambos situam-se entre principais fatores que deterioram a qualidade de vida da população. Hoje, um cidadão que depende de transporte público chega a gastar três ou mais horas por dia deslocando-se entre a casa e o trabalho. Não poucos gastam mais com transporte do que com alimentação.
Para ler tudo, aqui o editorial no DC on-line.



Outra ponte, outro elevado, outro túnel … ? ? ?

Mobilidade Urbana é o cidadão ter a opção de escolher modais de transporte, sendo a ultima opção o carro. Se continuarmos a construir pontes, tuneis, elevados e outros pensando apenas em carros, a Mobilidade urbana só tende a piorar. A medida que deve ser tomada é a restrição ao uso do transporte individual motorizado. Neste sentido o investimento em Ciclovias e calçadas e a integração com transporte coletivo eficiente é a unica saída (linhas exclusiva para ônibus é algo simples e quase sem custo). Floripa não tem falta de espaço, tem o excesso de carros nas ruas, com 82% deles transportando apenas uma pessoa.


85 anos de história, 20 anos de interdição

Posted in Cicloativismo, Cicloturismo Urbano, Ponte Hercílio Luz by danielbiologo on 13 de maio de 2011

No dia do seminário o Presidente da Associação dos Ciclousuários de Florianópolis, comentou e perguntou à mesa:

“Na questão da Mobilidade Urbana é inviável “trazer” mais carros para as nossas ruas que já estão saturadas de automotores. Para melhorar a mobilidade de Floripa a ponte Hercílio Luz após restauração deve ser utilizada por pedestres e ciclistas e um possível VLT, VLP ou até um BRT”.

Foi respondido pelo Presidente do DEINFRA Paulo Meller;

“…. é nesse sentido que está sendo trabalhado”.

13 de maio de 2011 | N° 9168

PONTE HERCÍLIO LUZ

85 anos de história, 20 anos de interdição

No dia em que a Ponte Hercílio Luz completa 85 anos e quase 20 sem poder ser usada nem mesmo por pedestre, o governo avança alguns peões neste jogo de xadrez que é a complexa obra de restauração da estrutura, orçada em R$ 170 milhões. A peça de maior impacto é a postura em tom mais incisivo do governo Raimundo Colombo, que promete terminar a reforma neste mandato. A data em discussão atualmente entre o Consórcio Monumento, responsável pela obra, Secretaria de Infraestrutura é julho de 2014, um atraso de dois anos no prazo de conclusão do atual contrato.

Soma-se ao complicado jogo, ainda, o projeto para uma difícil captação de recursos por meio da Lei Rouanet, que deve ser entregue hoje, às 15h, ao governador Raimundo Colombo. A partir da assinatura do governador, o documento segue para ser aprovado pelo Ministério da Cultura. Se aprovado , o Estado pode sair atrás do investimento junto a empresas. Uma jogada difícil diante do alto valor que deverá ser apresentado ao MinC.

Também hoje, o governador anunciará um projeto de lei que será encaminhado à Assembleia Legislativa, criando um fundo específico à Ponte Hercílio Luz para receber o dinheiro captado à ponte. Com isso, os investimentos não se embolam a outros do orçamento estadual. Ficam reservados neste novo fundo, que precisará ser aprovado pelos deputados.

VÃO CENTRAL SUSPENSO EM 2012

No seminário realizado onte, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), um dos destaques da discussão foi a criação da comissão de acompanhamento da obra com representantes do Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Tribunal de Contas do Estado e Assembleia Legislativa. A ponte deverá ter, ainda, um museu e um site só para ela, com câmeras transmitindo simultaneamente o trabalho de restauração e com atualizações sobre receita e despesa da obra.

As iniciativas foram anunciadas pelo secretário Valdir Cobalchini durante o seminário sobre a restauração, que aconteceu na UFSC, ontem, e foi organizado pela Associação Amigos da Cidade. Um dos momentos mais aguardados do encontro foi a palestra do engenheiro Khaled Mahmoud, consultor internacional do projeto de restauração. Khaled mostrou imagens sobre a base de sustentação das torres principais:

– Apesar de boa parte das fissuras não estar visível porque a ponte está pintada, a corrosão existe por toda a superfície das bases de apoio. Infelizmente, colapso de pontes não é coisa do passado – afirmou, enquanto mostrava imagens de 2007 da queda de uma ponte sobre o Rio Mississipi, nos Estados Unidos.

Por conta do alto grau de deterioração das bases, a Hercílio Luz não pode ser restaurada a partir da sustentação por cabos de aço presos na parte superior das torres, que essas ficariam sobrecarregados. Este era o projeto inicial, mas foi alterado em 2008 para a construção de estrutura de sustentação provisória. O engenheiro reafirmou que a ponte só estará segura quando for apoiada na estrutura provisória, o que deve acontecer em junho do ano que vem, de acordo com o novo cronograma da obra.

Dois professores do departamento de engenharia da UFSC, Ivo Padaratz e Moacir Carqueja, defenderam a desmontagem da estrutura e o direcionamento dos recursos a outros setores como a manutenção da Colombo Salles e Pedro Ivo. Mas a proposta não teve repercussão.

PAPEL DA PONTE NA MOBILIDADE URBANA

Outro debate aprofundado no encontro foi sobre a funcionalidade da Hercílio Luz. Paulo Meller, presidente do Deinfra, afirmou que a ponte integra as soluções estudadas para a mobilidade da Grande Florianópolis, que compreende quatro cidades e 800 mil habitantes. O assunto girou em torno do uso para transporte de massa, pedestres e ciclistas.

O Estado assinou, esta semana, com a Prosul, o contrato para execução do estudo de viabilidade do transporte de massa que integraria Biguaçu, São José, Palhoça e Florianópolis. Para tanto, será preciso saber como seria a quarta ligação entre Ilha e Continente e o papel que a Hercílio Luz teria nesse processo.

FUNDO ESPECÍFICO E A LEI ROUANET

Dos R$ 170 milhões necessários para recuperação da ponte, R$ 18 milhões devem ser gastos esse ano com recursos do Estado. Segundo o presidente do Deinfra, Paulo Meller, o montante do ano está assegurado. E mesmo buscando recursos em outras frentes, o governo pretende captar boa parte do restante (R$ 152 milhões) com empresários via Lei Rouanet, o que, se concretizado, garantirá dinheiro novo nas obras até o início do ano que vem.

Não há precedentes no Brasil de se conseguir um valor tão elevado pela Lei de Incentivo à Cultura na recuperação de um patrimônio histórico. Para se ter uma ideia, entre os maiores valores aprovados estão R$ 50 milhões para a restauração do Theatro Municipal do Rio, e R$ 25 milhões para a Catedral de Brasília.

Outra fonte para se conseguir recursos é o governo federal, além de mais contrapartida do próprio governo do Estado. Como essa conta será fechada ainda não se sabe:

– Que empresário não vai querer ter sua empresa associada à restauração da ponte, que é o símbolo mais lembrado pelos catarinenses? Vamos tentar captar tudo o que der – disse Valdir Cobalchini, secretário de Infraestrutura.

Em paralelo, o governo deve buscar, recursos do Ministério dos Transportes, das Cidades, Fundo Nacional da Cultura, além de bancos como BID e BNDES. Todo recurso para a ponte ficará armazenado num fundo específico. O projeto de lei da criação do fundo será apresentado, hoje, ao governador. O fundo não tem relação apenas com a lei Rouanet. Qualquer pessoa que quiser fazer doações poderá depositar nesse fundo.

BARRAS DE OLHAL OU CABOS DE AÇO?

Na semana seguinte à Páscoa, Paulo Meller, presidente do Deinfra, recebeu um relatório com a proposta de troca das barras de olhal por cabos de aço, feita por técnicos das empresas que integram o Consórcio Monumento. Hoje, a ponte é suspensa por quatro sequências de barras de olhal. São 360 barras no total.

Entre os argumentos, a maior segurança dos cabos em relação às barras de olhal. Uma barra quebrada significa perda de 25% da força de sustentação da ponte. Uma fissura num cabo, composto por milhões de fios de aço, representa menos de 1%. Os cabos têm vida útil de 100 anos, contra 25 das barras de olhal. São mais baratos e de mais fácil manutenção.

A substituição está sendo amadurecida pelo Deinfra, mas já se anuncia como uma futura polêmica. A ponte é tombada como patrimônio nacional. O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional determina que ela seja restaurada da mesma maneira como foi concebida:

– A troca das barras por cabos faria a ponte voltar ao conselho consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional para se discutir se ela permaneceria tombada – afirmou Mario Alves, técnico do Iphan.

Retirado do DC, original on-line aqui

Duplicando os problemas de congestionamentos …

É incrível como as pessoas se unem para campanhas contra a Qualidade de Vida, de todos.

Em uma pequena volta pedalando pela Lagoa da Conceição, entre vários que vi, consegui fotografar alguns adesivos ilustrando a “ignorância” que nosa Sociedade está vivenciando ao tratar da mobilidade urbana. Uma campanha para aumentar o número de carros nas ruas, e assim aumentar os problemas de congestionamentos em nossas ruas.  Ao duplicar uma via como querem, em pouco tempo pioramos tudo, duplicando o número de carros, duplicando os congestionamentos. Isto é fato. Em diversas cidades do mundo que seguiram esta lógica, que ao construir mais vias para carros estariam resolvendo os problemas, viveram, vivem problemas que só foram e estão sendo solucionados fechando vias, restringindo o acesso de carros. Somente reduzindo drásticamente o número de carros nas ruas conseguiremos fluidez no trânsito urbano.

Temos que inverter a prioridade dada ao carro, incentivando o transporte ativo, seja a pé ou por Bicicletas e o transporte de massa eficiente, com custo e horarios.


O custo social da precarização do transporte urbano

Av. Beira Mar Norte/Floripa/SC Foto: DanielBiólogo

O custo social da precarização do transporte urbano

Por Neves

O custo social da precarização dos transportes urbanos é imenso. As classes médias e abastadas pensam que a coisa não é com elas. Não se comovem com o povão espremido como sardinha na lata, transportado aos solavancos como gado, preferem a fuga individual. Não basta mais o carro da família, é necessário agora o segundo, o terceiro, o quarto carro… conforme a garotada atinja a maioridade e tenha que se deslocar para a faculdade e as baladas. Os muito ricos escapam de helicóptero. Brasileiro abastado ou remediado só anda a pé ou em coletivos na cidade, quando está no exterior; por aqui pesa um certo sangue azul, de quem se sente mal junto ao populacho dentro do busão – ah, o cheiro do povo! – há uma memória atávica das liteiras, dos tempos coloniais.

Eles pagam o custo direto, multiplicado por cada veículo, dos financiamentos, da gasolina, da manutenção, dos seguros, do estacionamento, do flanelinha, do IPVA, da indústria da multa e da propina. Parou aí? Não, tem mais. Eles percebem que o apartamento espaçoso herdado dos pais é do tempo que havia um carro por família, uma garagem; a degradação recente das cidades, principalmente dos equipamentos de transporte coletivo, criou a “necessidade” do mínimo de três por família; são tangidos para mudarem para os novos e carésimos apartamentos-cafuas, com área “útil” engordada pelas três garagens, o conforto do carro vale mais. Mas ainda não acabou. Uma cidade atrolhada de carros “precisa” de muitas obras para garantir os custos de campanha de prefeitos e verroedores, com as devidas sobras de campanha, é claro. E toma de viadutos, pontes, túneis, alargamento de avenidas, todos os apetrechos do rodoviarismo urbano, que tem por finalidade, encurtar a distância entre um engarrafamento e outro; a conta descarrega no IPTU.

E o custo da aporrinhação? Desde as formalidades burocráticas do DETRAN aos engarrafamentos; da poluição diuturnamente inalada e das horas intermináveis perdidas no trânsito; da vida que esvai na observação tediosa da mesma paisagem urbana, sob a tensão nervosa da ansiedade, a Lesma Lerda, a imagem do motorista que arrasta sua concha, a extensão de sua casa.

Até cidades de tamanho médio no interior do Brasil convivem com engarrafamentos, sem qualquer esperança de que um dia o trânsito melhore. Nada melhora quando a prioridade urbana é ofertada ao automóvel como meio de transporte, ele tem de voltar a ser o que aparece nos papéis oficiais: veículo de passeio, para o lazer como regra e transporte como exceção. Não podemos fazer as cidades escravas de obras dedicadas ao rodoviarismo urbano, nenhuma resolve, apenas cria necessidade de outra, é pura ilusão malandramente aproveitada por demagogos. O que diminui engarrafamentos é transporte coletivo eficiente, combinado com restrições ao uso do automóvel nos centros urbanos; é assim que funciona em cidades mais civilzadas do que as nossas.

O transporte coletivo é uma tragédia nacional. O modelo está falido como propósito social, serve apenas aos empresários e agentes públicos envolvidos na mamata; é um monumento de irracionalidade, atraso de vida e desperdício de recursos. Pagamos preço demasiado alto pela omissão do assunto no centro das questões nacionais. O Congresso e as autoridades federais fingem que, um problema que afeta dezenas de milhoes de brasileiros em várias cidades é um problema municipal. Urge que se investigue a questão na esfera federal e apresentem uma proposta de soluções e correções.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-custo-social-da-precarizacao-do-transporte-urbano

A prioridade não está nas pessoas.

Posted in Falta de Educação, Respeito e Bom Senso., Frases e Reflexões., Publicados por aí ... by danielbiologo on 10 de janeiro de 2011

O editorial Transporte Coletivo pode ser visto aqui.

Para ver a carta publicada, no periódico on-line, clique aqui.

Será que ninguém quer ver, ninguém percebe?

Bicicleta, pedestre são detalhes do trânsito?

Mais uma reportagem no jornal de 22/nov/10, divulgando o “caos” que esta cidade está vivenciando pela priorização do carro como transporte. Não há investimentos em transporte coletivo, que atualmente os “ônibus” são de empresas particulares visando apenas o lucro e não a qualidade do serviço “ofertado” para a população. O transporte coletivo deve  ser um serviço público eficiente, (custo, horários, conforto, segurança e veículos limpos) e não é , como passageiro de ônibus, o que vivencio aqui em Floripa. Um outro ponto importante é a forma como são tratadas as calçadas (pedestres) e ciclovias/ciclofaixas, em vários momentos estes são apenas “detalhes” do trânsito, as pessoas deveriam ser o princípio norteador da mobilidade urbana, mas não, a cidade é exclusivamente “planejada” e construída visando apenas os carros, seus caminhos e sua poluição. Não adianta duplicar ruas e avenidas, construir túneis, viadutos e elevados se a cada dia “colocamos” mais e mais carros nas ruas! E em nenhum momento desta reportagem sob o título “Os gargalos e as possíveis soluções”, é mencionado o transporte ativo. A Bicicleta que atualmente é o único veículo realmente sustentável existente, não é cogitada? Como? Pode não ser a solução mas, é parte dela. A Bicicleta não gera congestionamentos, não polui, humaniza as ruas, traz saúde para seu usuário e para a cidade e ainda assim “esquecem” dela? Podemos até “imaginar”o porque, mas não consigo entender essa lógica?