Danielbiologo's Blog

“Cobra Coral” em casa.

Hoje (09/10) enquanto arrumava o pátio e limpava minha Bicicleta na garagem, no momento que fui buscar uma ferramenta, dei um passo e rapidamente um serpente Coral passa rápido, levei um susto não pela Coral e sim pelo movimento da mesma. Peguei uma vareta e a empurrei com cuidado para não ferir a Coral, para dentro de uma caixa plástica (Clique para ver a fotos). Perto aqui de casa, a algumas centenas de metros está o Parque Municipal do Maciço da Costeira (Lei Mun. 4605/95 Dec. 154/95) “A criação do Parque, em 1995, teve como objetivo preservar os 1456 hectares do relevo montanhoso que forma o Maciço da Costeira que abriga rica flora, fauna e importantes mananciais de abastecimentos. O Parque está inserido na região central da Ilha de Santa Catarina” e aqui nesta área estarei soltando este magnífico animal neste remanescente de Mata Atlântica na Ilha de SC.

Família Elapidae – Micrurus corallinus – (Cobra Coral de cabeça preta)

Um dos pontos de reconhecimento das Corais verdadeiras ou venenosas são os dentes inoculadores de veneno, posicionados anteriormente no maxilar, são fixos e com sulco condutor de veneno, dentição Proteróglifa. Devido ao pequeno tamanho da cabeça, boca e dos dentes os acidentes são raros, mas com consequências gravíssimas e se não for aplicado o soro “Antielapídico”, quase que instantaneamente fatais.

Esta espécie  possui habitos diurnos e, é bem ativa durante o dia, sendo frequente de ser avistada, fato que ocorreu hoje comigo enquanto arrumava minha Bicicleta. Com tamanho variando entre meio metro a um metro e com massa de  100 a 250g. A cauda é bem curta, menor que 15% do comprimento total. São ovíparas, ou seja põe ovos e vivem no solo entre as folhas, gravetos e meio enterradas nesta camada superficial do solo. Alimentan-se de outras cobras, lagartixas que habitam as folhagens no solo. Quando se sentem ameaçadas, como defesa realizam achatamento de partes do corpo aumentando o tamanho visual e evidenciando as cores, realizam movimentos bruscos e repetidos de postura, escondem a cabeça enrolando-se e ainda levantam a cauda exibindo a mesma com movimentos rápidos.

Tem como característica fugir sempre que podem, acidentes podem ocorrer quando as pressionamos como, por exemplo, ao vestir uma bota e a Coral poderá estar dentro, ao arrumar áreas externas, entulhos, telhas, folhagens e  com as mãos desprotegidas, ao vestir um casaco ou calças e a serpente escondida dentro. Os esconderijos são muitos, necesitamos então ter cuidado e evitar destruir seus habitats, pois grande a grande maioria dos animais só saem das matas em busca de alimento, com a destruição de seus ambientes naturais eles podem vir a aparecer em nossas casas.

Não é a primeira vez que encontro uma serpente em casa, e espero que não seja a última. Pois todos os animais tem o mesmo direito de viver, a conservação da Biodiversidade é fundamental, inclusive para nossa sobrevivência.

Sustentabilidade é isso, a natureza em equílibrio …
Durante a noite fui verificar como estava e preparar sua soltura no remanescente da Mata Atlântica perto aqui de casa, surpresa! Ela fugiu, peguei a lanterna e fiz uma busca, sabendo que seria quase impossível encontrar. Dito e feito, sumiu, minha preocupação é que alguém a encontre e simplesmente a assassine sem razão. Construímos nossas casas sobre a “casa”de todos os outros animais e conforme “avançamos” com as cidades sobre seus habitats, a flora e fauna vão desaparecendo e os sobreviventes acabam entrando em um contato mais frequente e, o ser humano sem conhecimento acaba matando seus “irmãos”(Biodiversidade), os quais são interdependentes do equilíbrio para a sobrevivência!!!

ps.infelizmente não estou conseguindo postar as fotos, este blog não permite mais carregar fotos.
WordPress é muito limitado! 

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Bicicletas são os veículos mais eficientes nas cidades

Reportagens CarbonoBrasil


20/09/2011
   –   Autor: Jéssica Lipinski   –   Fonte: Instituto CarbonoBrasil

Bicicletas são os veículos mais eficientes nas cidades

Desafio Intermodal compara diversos aspectos dos meios de transporte nas principais cidades brasileiras para conscientizar a sociedade sobre a situação do trânsito e estimular formas de locomoção mais sustentáveis.
Algumas fotos, aqui.

Muitas vezes, ao optarmos por nos deslocar de carro, justificamos nossa preferência pelo automóvel devido ao maior conforto, rapidez e segurança que esse veículo oferece em relação aos outros meios de transporte. Mas será que podemos mesmo dizer que o carro é superior às outras formas de locomoção nesses quesitos? Esse e outros pontos foram questionados pela última edição do Desafio Intermodal, que acontece em setembro e marca a Semana da Mobilidade em várias cidades do país.

O Desafio é uma espécie de prova na qual os participantes optam por um meio de transporte – ou modal – e percorrem um determinado trajeto nesta forma de locomoção. No percurso, são analisadas questões como o tempo de deslocamento, a velocidade média de cada modal, o custo para ir de um ponto ao outro, a emissão de poluentes, a segurança, o conforto e a praticidade de cada meio.

Desta forma, o evento tem como objetivo conscientizar a população para a condição do trânsito em algumas das principais cidades brasileiras, além de estimular meios de transporte mais sustentáveis. O desafio não tem cunho científico, mas serve para mostrar as diferentes situações enfrentadas pelos diferentes modais no trânsito, como ônibus, pedestres, corredores, bicicletas, motocicletas, automóveis e cadeirantes.

Daniel de Araujo Costa, presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (Viaciclo), ressalta que o Desafio Intermodal não é uma competição, mas um comparativo entre os diferentes meios de transporte, e que serve para mostrar que é possível usar outras formas que não o carro para se locomover. “Queremos mostrar que usar a bicicleta, o ônibus ou ser pedestre pode ter vantagens em relação a quem usa carro”.

Em 2011, o desafio está sendo realizado no mês de setembro em diversas cidades do país como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Florianópolis, Recife, Brasília, Aracaju, Salvador, Maceió, Porto Alegre, Belém, Natal, Balneário Camboriú, São José dos Campos, Maringá e Uberlândia. Em São Paulo e Belo Horizonte, o Desafio Intermodal está marcado para esta terça-feira (20).

No Rio de Janeiro (RJ), onde o evento já está em sua sexta edição, a desafio ocorreu no dia 1º de setembro, e o modal estreante carona programada chegou em primeiro lugar, seguido pela integração metrô + bicicleta e pela moto. Na hora da avaliação dos outros dados como poluição e custo, porém, a bicicleta saltou para o topo da lista, mesmo sem terem sido considerados a ocupação do espaço urbano e a emissão de ruídos.

Em Florianópolis (SC), o evento ocorre desde 2007, e neste ano aconteceu na última quinta-feira (15) às 18h. O modal ‘ganhador’ foi a moto, seguida pela bicicleta, que manteve uma velocidade média maior que a primeira colocada por ter que fazer um trajeto maior. A surpresa ficou por conta do ônibus, que teve tempos de percurso bem elevados, chegando a levar mais tempo que um dos caminhantes.

Em Manaus (AM), onde desafio também ocorreu dia 15, a bicicleta foi o meio de transporte mais rápido para chegar ao destino final, levando entre 11 e 15 minutos para percorrer 4,2 quilômetros, a uma média de 20 km/h, seguida da moto e do carro. O ônibus também teve o pior desempenho na cidade, tanto em velocidade quanto em preço: uma média de 4,7 km/h e R$ 2,25 por passagem.

Em Balneário Camboriú (SC), o evento aconteceu também no dia 15, e apesar da ‘magrela’ ter ficado em terceiro lugar no quesito tempo, atrás da moto e do carro, a análise dos outros aspectos levou a bicicleta ao primeiro lugar como modal mais eficiente, seguida do pedestre e do ônibus. Embora os outros veículos tenham variado muito suas performances de cidade para cidade, a ‘bike’ se manteve entre os mais eficientes em quase todos os desafios.

Segundo Costa, os resultados do Desafio Intermodal indicam que a bicicleta é mais eficiente principalmente do que o carro, e que embora o número de ciclistas esteja aumentando, infelizmente a eficiência desse meio ainda não se reflete plenamente na escolha da população na hora de sair de casa. “É preciso um sacrifício individual para que a coletividade seja beneficiada”, declara.

O presidente da Viaciclo explica que não é necessariamente a falta de espaço para criar vias para as bicicletas que impede o desenvolvimento de uma “cultura ciclística”. Para ele, por exemplo, Florianópolis é uma cidade extremamente “ciclável”, e o que falta é educação no trânsito para que as pessoas respeitem quem utiliza esse meio de transporte. Mas ele admite que a quantidade de ciclovias e ciclofaixas ainda é insuficiente.

Em relação ao transporte coletivo, Costa acredita que os resultados do desempenho dos ônibus refletem o transporte público das cidades. Em Florianópolis, por exemplo, ele comenta que faltam corredores exclusivos para os ônibus, e que deveriam existir linhas únicas em certos trechos da cidade, a fim de diminuir os engarrafamentos.

“A situação de mobilidade urbana é deplorável, com um transporte coletivo caro, com poucos horários, falta de ciclovias e ciclofaixas, passeios inexistentes e total desintegração entre os modais de transporte”, afirma. Para se ter uma ideia, alguns estudos consideram a capital de Santa Catarina a cidade com a pior mobilidade urbana do Brasil.

Por isso, Costa acredita que o jeito é investir no transporte público e na integração dos meios de locomoção, para que as pessoas passem a optar por estas formas em vez de utilizar cada vez mais o carro. “Temos que pensar sobre o que estamos fazendo na cidade”, reflete.

Meu comentário:
O “compartilhamento” das ruas é grande parte na solução dos problemas de Mobilidade Urbana, o respeito as regras de circulação e aos mais frágeis no trânsito, sejam eles pedestres ou ciclistas, refletirá em mais segurança estimulando mais pessoas a utilizar o único veículo atualmente sustentável, a Bicicleta, consequentemente reduzindo o número de carros nas ruas e os congestionamentos. Em Florianópolis mais de 80% dos carros transitam com apenas uma pessoa e quase todos apenas transportando uma pasta, bolsa ou um caderno, assim sendo muitas destas viagens podem ser substituídas pelo transporte coletivo, uma caminhada ou a Bicicleta. Floripa nâo tem falta de espaço, tem sim o absurdo excesso de carros nas ruas e duplicando vias, elevados ou pontes estaremos duplicando o número de carros e para suprir esses espaços, mais aterros, mais desapropriações e menos áreas verdes teremos. A Bicicleta é sim uma boa parte da solução na questão da Mobilidade Urbana, além da economia, da saúde que propicia, não polui e humaniza as ruas. Com o aumento de Bicicletas nas ruas, a evolução para um trânsito mais seguro é inevitável.

E vamos pedalando …..

A Bicicleta Sustentável.

Posted in Cicloturismo Urbano by danielbiologo on 17 de junho de 2011

A Bicicleta sustentável. (uma curiosidade das ruas)

Um dia de junho caminhando pela avenida a Beira Mar, uma via com mais de dez faixas “exclusivas” para carros, sim pois a velocidade autorizada para os motorizados excluem pedestres e ciclistas deste compartilhamento, observo um senhor se aproximar do meio fio e subir na pracinha empurrando seu veículo.

Metros depois ele para sua Bicicleta solta uma “amarração” e um tipo cavalete suspende o roda dianteira. Ele se abaixa desengata daqui, engata ali, puxa uma correia, solta a corrente, coloca uma peça aqui, outra ali … e depois desta “confusão” sobe na Bicicleta estacionada e começa a pedalar, mas a roda traseira no chão não gira, quem gira agora é a roda dianteira que está fora do chão. Me aproximo e observo sua máquina em funcionamento e começamos a conversar. Ele me diz que vem de outro Estado e que trabalha com este equipamento “construído” por ele mesmo.

A Bicicleta tem algumas adaptações como um aro soldado ao lado do aro da roda dianteira que também tem um eixo com um pinhão. Ou seja, quando ele monta sua máquina, estacionada ele pedala e quem gira é a roda da frente, pelo aro soldado nela passa a correia que movimenta um esmeril fixado ao quadro
(ver as fotos).

Então assim ele se desloca e procura clientes que precisam afiar suas ferramentas. Parou aqui pois do lado tem uma floricultura que contratou seus serviços para afiar tesouras de poda.

Resolvi postar esta curiosidade pois muito se fala atualmente em sustentabilidade. Ele chegou pedalando, trabalhou pedalando, executou o serviço pedalando e foi embora pedalando. Por isso ainda brinquei com ele dizendo que essa sim era a verdadeira Bicicleta sustentável.

Da Bicicleta ele tira seu sustento e sabemos que atualmente a Bicicleta é o único veículo realmente sustentável que existe.

Esta é a BICICLETA SUSTENTÁVEL do Senhor Antônio:

Publicado originalmente no BioCicleta.

Carta publicada…um pedaço…falta Bom Senso!

Posted in Falta de Educação, Respeito e Bom Senso., Frases e Reflexões., Meio Ambiente by danielbiologo on 7 de janeiro de 2011

Carta Original:

Quanta ignorância. Implantar mais vagas de estacionamento para carros no centro de Floripa? Isso é simplesmente aumentar e piorar os congestionamentos na área central, temos que restringir o acesso de carros e priorizar as pessoas e o transporte ativo – Bicicletas ou caminhar, e realmente implantar um transporte coletivo com horários e custos acessíveis, caracterizando um serviço público eficiente. O caos já está estabelecido pela priorização do carro sobre a vida das pessoas, não dá para continuar assim, cidades foram feitas para as pessoas e não somente para os carros !

Produção x Consumo … [?]

Posted in Flora & Fauna, Meio Ambiente by danielbiologo on 23 de outubro de 2010

A luta contra a poluição [não pode] ter sucesso se os padrões de produção e consumo continuarem a ter escala, a complexidade e o grau de violência que, como se torna mais evidente, não se ajustam às Leis do universo, às quais o Homem é tão sujeito quanto o restante da criação.

E. F. Schumacher (1911-77)

Parque da Lagoa no Vassourão

Posted in Flora & Fauna, Meio Ambiente, Pedala Floripa e Bicicletas por aí... by danielbiologo on 13 de outubro de 2010

A Lagoa da Conceição, está quase totalmente privatizada! Quase não sobram espaços verdes e suas margens que são Áreas de Preservação Permanente-APP, também estão tomadas por construções. A área conhecida por Vassourão, é a única área ainda verde, mesmo após a mesma ter sido quase que totalmente desmatada, na região central do Bairro da Lagoa. Na foto ao lado podemos ver o terreno desmatado e ao fundo a vegetação junto da margem da Lagoa da Conceição.

O terreno é particular e, aí que começa o problema. O atual proprietário quer construir sobre esta área e a população que não tem nenhum lugar coletivo para lazer, praticar esportes, local para atividades culturais ou simplesmente uma área verde, e assim a comunidade quer que esta área seja destinada ao Parque da Lagoa. Imprescíndivel um bom trabalho de negociação entre o Poder Público x população x proprietário.

Aqui também, há décadas são realizados pousos “coloridos” das asas delta e dos parapentes, demonstrando mais está vocação da área. Se aqui surgirem as construções previstas, acaba-se com o esporte, e apenas duas capitais do Brasil tem esse privilégio, de ter o vôo livre inserido e praticado dentro da Capital, Floripa e Rio de Janeiro. O mundo inteiro está favorecendo o turismo e aqui em Florianópolis estamos caminhando para o lado contrario.  A Lagoa que tem toda uma vocação para o turismo e o esporte atraindo e gerando renda para a região, pode estar perdendo mais uma vez!

 

Única área sem construções em todo o centrinho da Lagoa !!!

 

Falando em mobilidade e sustentabilidade do Bairro este empreendimento vem só transformar o caos que já se instalou na região em “algo” totalmente insuportável e inviável, desvalorizando e reduzindo drásticamente a Qualidade de Vida do Bairro. Não se tem notícias de nenhum estudo do impacto de vizinhança, pois se realizado corretamente inviabilizaria o empreendimento (?).

Estamos falando na priorização do Particular em detrimento do coletivo. Como pode $er mai$ importante  meia dúzia de proprietário$, ao invés da qualidade de vida de milhares de pessoas?

Vídeo da manifestação e anseio da população pelo Parque da Lagoa/Vassourão.

Raios de Esperança, que a coletividade seja contemplada !
Parque da Lagoa no Vassourão …. é a única solução !

Veículos sustentáveis,
Pé de vento ou vento no pé?
Um voa no vento,
outro anda no pé!

Daniel Costa

A cultura do automóvel e a construção de uma sociedade mais justa

Posted in Meio Ambiente, Textos Diversos Recebidos by danielbiologo on 22 de setembro de 2010

Em 22 de setembro, o Dia Mundial Sem Carro é celebrado por associações civis, grupos políticos, sindicatos e ativistas em cidades de todo o planeta.

Hoje, 22 de setembro, o Dia Mundial Sem Carro é celebrado por associações civis, grupos políticos, sindicatos e ativistas em cidades de todo o planeta. Trata-se de uma data em que se propõe a reflexão sobre o uso do automóvel e se questiona a priorização do transporte individual privado em detrimento dos sistemas públicos coletivos e/ou alternativos.

É fácil listar os impactos sociais e ambientais provocados por tal opção nas cidades brasileiras. Em vez de ampliar a rede de metrôs ou investir na melhoria do transporte público, as autoridades optam por destinar cada vez mais recursos para ampliação de avenidas e construção de viadutos, tudo para garantir a infraestrutura necessária para tantos carros. Tal lógica não resolve o problema dos congestionamentos. Quanto mais precário é o transporte público e melhor a infraestrutura para os carros, mais gente opta por dirigir; não é à toa que é cada vez mais grave imobilidade das principais capitais do país. Tal lógica só beneficia grandes construtoras e outros grupos que tem tido importante papel no financiamento de campanhas de políticos dos mais variados partidos e bandeiras políticas.

Além de ineficaz, insistir em asfaltar cada vez mais a cidade é também perigoso e insustentável. Ao aumentar a superfície permeável, amplia-se também a quantidade de enchentes e o risco para quem mora em áreas vulneráveis. Sem falar que, para tantos carros utilizarem o sistema, é preciso aumentar mais e mais a velocidade. Ignora-se o número indecente e a gravidade dos acidentes de trânsito (e o impacto de tal aumento nos índices nos sistemas de saúde público e previdenciário) em prol do fluxo. De novo, quem não tem dinheiro para utilizar um carro, vive cada vez mais ameaçado. As cidades são hostis para pedestres e ciclistas, cadeirantes, crianças e idosos.

Falar da poluição provocada por tantos carros circulando é quase covardia. A estimativa de Gustavo Faibischew Prado, professor de pneumologia do Hospital das Clínicas e um dos principais especialistas no assunto do Instituto do Coração (Incor), é de que nada menos do que dez pessoas morrem por dia por problemas diretamente atribuíveis a poluição em São Paulo. De novo, o impacto é sobre quem mais deveria ser tratado com cuidado e atenção: os mais atingidos pela péssima qualidade do ar são crianças, idosos e pessoas com a saúde já fragilizada.

Cúmplices

É claro que não será de uma hora para outra que tal lógica será abandonada. Não dá para de repente simplesmente fechar as montadoras e desativar toda cadeia produtiva deixando milhares, talvez milhões, sem emprego ou perspectivas. Definir, porém, que as mudanças são necessárias e começar a trabalhar por elas deveria ser prioridade para o país – e isso nada tem a ver com medidas como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis, recentemente adotada.

A pressão da sociedade civil pode ser decisiva para dar início às mudanças. Optar por utilizar menos o automóvel, escolher o transporte público sempre que possível e considerar alternativas como a bicicleta estão relacionadas a esta resistência. E o Dia Mundial Sem Carro pode ser uma data chave para que tais transformações aconteçam.

Já existem articulações por avanços. Algumas como o Movimento Passe Livre (MPL) ou as Massas Críticas, como caráter abertamente anarquista. Outras com viés mais institucional, formadas como representação da sociedade civil, como a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo. Ninguém está satisfeito em ficar horas parado no trânsito – seja sozinho em um carrão confortável, seja socado em um ônibus com mais 50 cotovelos ao redor. As transformações acontecerão, tem que acontecer.

Mas que ninguém se iluda. Há interesses e alianças poderosas que oferecerão toda resistência possível à construção de uma sociedade mais sustentável. Nas palavras da doutora em Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e ex-secretária de Habitação e Desenvolvimento da cidade, Erminia Maricato:

“A indústria do automóvel não envolve apenas a produção de carros (incluindo aí a exploração de minérios, a metalurgia, a indústria de autopeças e os serviços mecânicos de manutenção dos veículos) e as obras de infraestrutura destinadas à sua circulação. Somentes nos processos citados já teríamos o envolvimento de forte movimento econômico e, portanto, de significativo poder político. Mas a rede de negócios e interesses em torno do automóvel vai bem mais longe, envolvendo inclusive o coração da política energética, estratégica para qualquer projeto de poder nacionalista ou imperialista. Exploração, refinamento e comercialização do petróleo, com as extensas e significativas redes de distribuição constituem, na verdade, a parte mais importante na disputa por poder no mundo. (…) O capitalismo tem necessidade da expansão ilimitada. É de Karl Marx a demonstração da tese de que não é o consumo que determina a produção mas o inverso, a produção é que determina o consumo no modo de produção capitalista. (…) Produção pela produção e consumo pelo consumo. Uma vasta máquina de propaganda acompanha a indústria do automóvel. A construção de toda uma cultura e de um universo simbólico relacionados à ideologia do automóvel ocupa cada poro da existência urbana. (…) Ao comprar um automóvel, o consumidor não adquire apenas um meio para se locomover, mas também masculinidade, potência, aventura, poder, segurança, velocidade, charme, entre outros atributos”*.

É hora de resistir.

Daniel Santini é jornalista e autor do blog OutrasVias (http://outrasvias.com.br), do portal ((O))Eco (http://www.oeco.com.br/)

* Em artigo publicado na edição sobre A cultura do Automóvel da revista Ciência&Ambiente, da Universidade de Santa Maria.

Bicicleta é o mais eficiente!

Posted in Meio Ambiente, Pedala Floripa e Bicicletas por aí..., Textos Diversos Recebidos by danielbiologo on 6 de junho de 2010

Transporte e Meio Ambiente.

Uma grande parcela dos problemas ambientais decorre do uso crescente de veículos, notadamente os movidos por derivados de petróleo. Automóveis, caminhões, ônibus, motocicletas e toda sorte de embarcações e aviões foram responsáveis, em 2004, por 13,1% das emissões de gases do efeito estufa, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). A atividade de transporte responde por cerca de 80% do óleo diesel consumido no Brasil, sendo 90% desse consumo para o transporte rodoviário de mercadorias e pessoas.

Em países de grandes extensões, com cidades superpovoadas, praticamente sem transporte ferroviário e com poucas centrais termoelétricas, como o Brasil, a contribuição dos sistemas de transporte para a poluição do ar é seguramente bem maior (desconsiderando o uso da terra). Poluição essa que não se limita aos compostos químicos que aquecem a atmosfera, mas que também inclui poluentes como material particulado em suspensão e variados gases, todos eles danosos à saúde humana e à saúde ambiental. Esse é um problema marcante em centros urbanos.

Nos países mais civilizados, ainda existem os desafios de engarrafamentos e da consequente poluição atmosférica (Los Angeles é um exemplo), mas de um modo geral essas questões foram minimizadas pela oferta de sistemas públicos de transporte inteligentes e eficientes e pelo rigor das leis, como a da concentração máxima tolerável de poluentes por veículo.

É fundamental uma revolução nos sistemas de transporte, principalmente nos centros urbanos. Um conjunto extenso de medidas precisa ser adotado. Abordarei apenas alguns deles. Para se diminuir o consumo de combustíveis e a poluição gerada, evitando que se inviabilize a mobilidade urbana, deve-se reduzir os seguintes itens:

A quantidade de deslocamentos realizados,
A extensão desses deslocamentos,
Os modos de transporte utilizados e
O consumo específico de energia dos diferentes modos
(Márcio D’Agosto – PET/COPPE, 2010)

A utilização intensa do automóvel conspira contra qualquer iniciativa de racionalização de sistemas de transporte. Para qualquer planejamento desse setor, é imprescindível o conhecimento da eficiência dos modos de transporte em termos de energia primária requerida [Megajoules/passag.km]. O Prof. Márcio D’Agosto apresenta um estudo sobre diversos modos (em ordem decrescente de eficiência):

1º – bicicleta
2º – caminhada
3º – veiculo leve sobre trilhos (VLT)
4º – trem metropolitano elétrico (como o metrô)
5º – trem metropolitano a diesel
6º – microônibus
7º – ônibus convencional
8º – automóvel pequeno a gasolina
9º – automóvel grande a gasolina
O consumo energético por passageiro versus quilômetro do automóvel grande é quase dez vezes o do VLT e sete vezes o do trem elétrico. Mesmo o ônibus convencional tem uma eficiência insatisfatória se comparado com quaisquer dos trens ou com microônibus. Entre os modos de transporte estudados, a bicicleta é o que se revela mais eficiente, com um rendimento 15 vezes melhor do que o do automóvel pequeno.

No entanto, por maiores que sejam os avanços para reduzir a emissão de poluentes e reduzir o desperdício de petróleo em engarrafamentos cada vez mais frequentes e intensos, eles estão sendo superados por uma produção sem precedentes de carros no mundo. Em 2007 fabricou-se 70,9 milhões de unidades de automóveis e pequenos veículos de carga (até 1800 kg). Em função da crise econômica mundial, houve queda na produção global de veículos em 2008 (e possivelmente também em 2009), mas a tendência é de retomada no crescimento de vendas, principalmente se considerarmos o poder desse segmento industrial somado ao das companhias de petróleo e ao das empreiteiras.


“Somente em março foram vendidos 331 mil carros. Prevê-se, para este ano um aumento nas vendas de 8%. Se essa taxa de crescimento se mantiver constante, a frota total dobra em apenas nove anos!”

Entre 1960 e 2000, a fabricação mundial de carros subiu de 12,8 milhões para 41,3 milhões de unidades, um acréscimo de 223% (em comparação, a população humana aumentou 102% no mesmo intervalo de tempo). No Brasil, foram vendidos cerca de 800 mil carros no 1º semestre de 2010. Somente em março foram comercializadas 331 mil unidades. Prevê-se, para este ano um aumento nas vendas de 8%. Se essa taxa de crescimento se mantiver constante, a frota total dobra em apenas nove anos!

Mundialmente, entre 1952 e 1992, o total de passageiros X quilômetros rodados de veículos pulou de menos de 250 bilhões passag.km para quase 650 bilhões passag.km, um aumento de cerca de 160%, bem superior ao crescimento da população global, que, nesse mesmo período, foi de 108%.

Ora, como as ruas não aumentam nas cidades, nem em número nem em dimensões, é óbvio que esse comércio frenético de automóveis é o fermento do caos urbano. Novas vias podem ser abertas somente na periferia, o que obriga a maiores deslocamentos, agravando ainda mais os efeitos do tráfego intenso.

É inegável que a política míope de estimulo ao transporte individual motorizado é absolutamente insustentável, tanto no uso de recursos naturais, como pela geração de poluição e pela crescente inviabilização dos deslocamentos urbanos.

O poderoso lobby pró veículos a combustão impôs o modelo insensato de uso intenso de carros nas cidades e de caminhões e ônibus nas estradas. Essa situação é claramente evidente no Brasil, onde a indústria do petróleo, juntamente com as montadoras e as empreiteiras de estradas, enterraram um sistema incipiente de transporte ferroviário.

À tendência de baixa dos preços de veículos, soma-se a política equivocada do governo no estímulo a economia. Isto foi mais marcante na crise econômica mundial de 2008, quando o governo federal retirou impostos dos carros mais baratos (e agora de motos), incentivado a venda e, ao mesmo tempo, a saturação das vias públicas, principalmente nas cidades médias e grandes.

Não são necessárias muitas considerações para se constatar o óbvio: os engarrafamentos quase permanentes em cidades como Rio e São Paulo provocaram, nos últimos anos, uma queda vertiginosa na velocidade média de suas ruas. A lentidão irritante do tráfego urbano, a par da escassez de vagas, não apenas provoca desperdício de petróleo, um recurso natural não renovável, e aumento na quantidade de horas de trabalho perdidas no trânsito, como a poluição decorrente causa um número cada vez maior de casos de doenças respiratórias, sem falar nos problemas psíquicos. Os prejuízos são, ao mesmo tempo, sociais, ambientais e econômicos (bem, alguns setores lucram sempre com o caos…).

Com a moeda estável e financiamento em até absurdos 70 ou 72 meses, as classes ascendentes podem realizar suas aspirações de possuir um carro novo. Certo, eles também têm o direito a um carro e, “além disso, é um sinal de progresso social e econômico”, como cansei de ouvir. Essa forma superficial de encarar a questão esconde, na verdade, que não há progresso algum, nem para a sociedade como um todo nem para o feliz possuidor do carro novo.

A grande maioria dos que contraem tais financiamentos a perder de vista elegem o automóvel como prioridade número 1. Afinal, o carro ainda é um ícone de sucesso. No entanto, vítimas das armadilhas do consumismo, essas pessoas moram mal, não possuem assistência médica adequada e educam mal os filhos, entre tantas outras deficiências. Sem contar que, em geral, têm pouca prática de direção e a manutenção de seus automóveis deixa a desejar.

É indispensável que a sociedade tome consciência de que o transporte individual nas cidades é incompatível uma boa qualidade de vida. É importante que se renuncie à ideia falsa de conforto que o automóvel proporciona e ao seu uso como mero símbolo de status. Somente modos de transporte de massa, ou seja, os movidos a energia elétrica, como trens e metrô, podem resolver tais problemas (Suzana Kahn e Marcio D’Agosto). O uso do automóvel deverá ser dificultado ao máximo.

Planejamento urbano de qualidade é igualmente indispensável. Isto significa, entre outras medidas, concentrar serviços próximos ou entremeados com áreas residenciais, reduzindo a necessidade de deslocamentos, permitir escritórios de baixa movimentação de pessoas em áreas meramente residenciais, incentivar a implantação de escolas de qualidade em todos os bairros, descentralizar os pólos de negócio, de comércio e de finanças. Quanto mais tempo levarmos para a adoção dessas medidas, mais cara, demorada e dolorosa será a tentativa de reverter e tendência de colapso no sistema de transporte urbano.

Retirado daqui.