Danielbiologo's Blog

Bicicleta não é perigoso !!!

“Dizem que andar de  Bicicleta em Floripa é  perigoso.
Mas perigoso mesmo, é a forma como se “permite” dirigir motorizados na região da Grande Florianópolis.” 

Sempre que “reclamo” (com muita razão) da forma como os motorizados transitam por nossas ruas e estradas, dizem que sou exagerado! Estas pessoas que não acham que as ruas são assim, provavelmente só andam de carro, pois aqueles que caminham e pedalam concordam comigo e até dizem que sou “bonzinho” ao relatar as barbaridades que uma grande parcela de motoristas fazem, os quais denominei “MALtoristas” (de dirigir mal mesmo) por desrespeitar as regras de trânsito e o Bom Senso quando ao comando(?) de um automotor. Talvez existam uma minoria que são “MAUtoristas” de malvados mesmo.
Em Santa Catarina 94% dos ditos acidentes (sinistros de trânsito), são decorrentes da imprudência e irresponsabilidade por parte de significativa parcela de MALtoristas e outros integrantes do trânsito, aliados a IMPUNIDADE,  que acarretam em vítimas e mortes, possíveis de serem evitadas !!!

Existe atualmente uma enorme “demanda reprimida” de pessoas que gostariam de sair para a rua, seja para caminhar ou andar de Bicicleta.
Infelizmente a Bicicleta não é a solução, mas é grande parte, para os gigantescos problemas de Mobilidade Urbana que quase todas as cidades  estão sofrendo devido a priorização do Transporte Individual Motorizado ou simplesmente carros. Se ao menos houvesse respeito as regras de trânsito e uma boa redução da velocidade permitida aos automotores dentro dos perímetros urbanos, certamente 20 a 40% das pessoas utilizariam as Bicicletas, praticamente o mesmo percentual de carros a menos nas ruas. Em Copenhagen por exemplo, 55% das pessoas utilizam a Bicicleta para seus deslocamentos diários.

Sim eu “sofro” ameaças e risco de morte todos os dias, simplesmente porque prefiro me deslocar pela cidade a pé, de Bicicleta.  Utilizo também  o ineficiente e caro transporte coletivo de Floripa e como última e pior opção para a cidade e seus moradores de sair com meu carro, que acabo por usar mais do que gostaria, pelos problemas provenientes dessa falta de respeito e de políticas para a implantação de estruturas cicloviárias e “fortalecimento” e eficiência dos transportes de massa – custo x horário x limpeza…
A falta de “interesse” é (?) provavelmente por pressão da indústria automobilistica. Em vez de investir milhões, bilhões em viadutos, elevados, túneis e duplicação de vias, se esse mesmo dinheiro fosse investido em estruturas cicloviárias e no transporte coletivo em alguns anos estaríamos criando Cidades para as Pessoas e solucionando a questão da Mobilidade Urbana. Cidades foram feitas para as pessoas viverem e atualmente, em média, temos 60% do espaço urbano ocupado em função dos carros, temos que restringir o acesso dos mesmos devolvendo o espaço público para as pessoas.
E ainda tenho que escutar, por andar de Bicicleta em Floripa: – Você vai morrer! -Rua não é lugar de pedalar, por isso cedo ou tarde você vai ser atropelado! -Andar com os carros é pedir para morrer! -Se cruzar minha frente, o que posso fazer?
E assim frases semelhantes são recorrentes e pior algumas vezes com tom de fala, como se estivessem cobertos  e cheios de razão.
Quer andar de carro, ande. Mas respeite as regras de trânsito e principalmente os elementos mais vulneráveis que integram o trânsito.

RESPEITE PEDESTRES E CICLISTAS. POR FAVOR.

Cidades para as Pessoas.

A cidade boa para os mais frágeis é a melhor para todos“. Pedro Lessa


Meia Maratona de Floripa em Bicicleta !!!

Posted in Cicloturismo Urbano, Pedala Floripa e Bicicletas por aí..., Pedaladas... by danielbiologo on 19 de junho de 2011

Domingo cedo, seis da manhã, começo a pedalada para “participar” da MeiaMaratona de Floripa, sim “participar da festa, pois meu joelho não está permitindo correr. Começo a pedalada pela SC-406 via extremamente perigosa pois não tem acostamento transitável e como é praxe entre uma parcela considerável de motoristas de Floripa, que transitam pelas ruas ainda escuras em absurdo excesso de velocidade certos da IMPUNIDADE.
Pelo espelho da Bici, a única vantagem da “escuridão” é uma “fácil” percepção dos motorizados se aproximando … e que normalmente dá tempo de ter alguma ação ou reação e, que zunindo passam rápido, muito rápido a menos, muito menos de 1,5m do ciclista, mesmo tendo espaço para ultrapassar mais afastado (Art.201 do CTB: 1,5m de distância). Muda-se de via para a SC-405 e os mesmos problemas do mal uso dos carros continuam, o que mais deixa a todos indignados e que este trecho está para ser duplicado e não está prevista ciclovia e passeio (a Viaciclo ganhou uma ação para que sejam implantadas). Ainda temos o pensamento “carrocrático” onde somente os caminhos das carros são previstos, lembrando que ao duplicar vias, construir elevados, pontes e tuneis ou seja duplicando espaços automaticamente duplicamos o número de carros mantendo e piorando, duplicando os congestionamentos.

Ao chegar na Rod. Aderbal Ramos da Silva, entro na ciclovia da Beira Mar Sul, sem antes passar por riscos para conseguir acessar a mesma, pois o Trevo da Seta não contempla acessibilidade adequada a quem não estiver de automotor. Após passar pela calçada do trevo, chego na passarela que teve, depois de anos sendo solicitada, a rampa de acesso adequada ao uso. Chego na ciclovia e a sensação de pedalar em segurança é simplesmente “fantástica”, é muito bom mesmo, consigo pedalar sentindo prazer e o ambiente.

Entre cumprimentos aos poucos acordados, um fato curioso:
Um ciclista em sentido contrário se aproximava e a poucos dele metros falei;
-Bom Dia!
O ciclista em uma freada travando a roda no contrapedal da sua “barraforte” exclama:
-Eu te conheço? Em um tom não muito amigável.
-Parei “apreensivo”, me virei e disse: Não, não nos conhecemos, Daniel, prazer!
Ele só olhou e me disse:
-Porque me cumprimentas?
Respondo: -São seis da manhã de domingo, pedalando por aqui ou é um trabalhador ou é outro “perdido” como eu, e assim sendo só pode ser “gente boa”!
Ele teve que rir. Nesse instante já estávamos perto um do outro, esticamos os braços e depois de um aperto de mãos continuamos nosso caminhos !

Como tudo que é bom acaba logo, termina a Ciclovia e entro na rua para “compartilhar” a mesma com os motorizados. Passando por aqui, apenas dois ônibus que insistem em passar acelerando e tirando fina “incomodaram”. Antes de chegar a passarela da Ponte acabo tendo que pedalar pelo passeio para acessar a mesma com uma certa segurança. Pouco antes de chegar na Ponte Pedro Ivo reparo que o guard-rail atingido por um carro que se “perdeu” na curva, continua danificado (desde abril com certeza) com uma parte invadindo a estreita ciclovia. Na passarela da Ponte muita sujeira/lixo jogadas no chão e o vento levantando sacos plásticos e “jogando” os mesmos no mar, cacos de vidro também são vários no chão, cheguei a pensar que havia furado o pneu ao escutar um vidro se quebrando debaixo da minha roda. Chego ao continente e em poucos metros a mais estou passando por debaixo da Ponte Hercílio Luz. Em seguida chego na Beira Mar Continental “ainda” em Paz, sem carros. Aproximadamente sete horas da manhã e muitas pessoas por aqui, afinal segundo dados divulgados mais de seis mil corredores, mais amigos e parentes estão aqui para participar da MeiaMaratona de Floripa, com tem três “provas”; uma de 5 Km, uma de 10 Km e a Meia com 21 Km. Entre reencontros de vários amigos e amigas o horário de largada se aproximava, fiquei alguns metros na frente da largada e consegui fazer uma filmagem com a maquina de fotos, pelo menos dá para ter uma idéia de como foi (para ver, clique aqui).


Logo em seguida estava atrás dos corredores, quando encontro o Predactor e assim de Bicicleta curtindo uma pedalada e devagar prossseguimos acompanhando os corredores pelas ruas normalmente “entupidas” de carros e, agora fervilhando em pernas, risadas, conversas e suor. Atravessamos a Ponte Pedro Ivo com duas faixas exclusivas para os corredores, com certeza uma experiência única, pois é proibido e quase impossível cruzar as pontes em dias normais quando somente motorizados podem passar por cima dela. Chegando na Ilha e continuamos pela Av. Beira Mar Norte fechada para carros o que certamente conferiu uma boa segurança para que os corredores pudessem realmente se preocupar apenas em correr e curtir o evento (ver fotos aqui e aqui). No retorno cruzamos por cima da Ponte Colombo Sales, fazendo com que pela primeira vez milhares de pessoas cruzassem as pontes correndo e algumas de Bicicleta acompanhando os atletas, nesta ponte a travessia é feita com a visão da Ponte Hercílio Luz ao lado direito. Na chegada cumprimentei vários atletas e amigos e me despedi deles.

Hora do retorno e agora de volta a realidade, as mesmas ruas que há pouco pedalava com tranquilidade e que poderia ainda ser assim, não fosse a impaciência de muitos MALtoristas, que arrogantemente se utilizam de seus “tanques de guerra” para chegar aos seus destinos sem respeitar os demais integrantes que formam o trânsito, principalmente os mais frágeis Pedestres e Ciclistas e o que me remetem a frase do Willian Cruz: Eles querem andar rápido, Eu quero chegar !

Chega a ser engraçado quando eles buzinam passam por mim, alguns olham assim como que dizendo:
-Viu eu tô de carro, então sai da frente e aceleram…
Logo em seguida eu passo por alguns deles e agora me olham:
-Como pode? Eu tô de carro, como que ele chega na minha frente de Bicicleta?

Pedalo pela Ciclovia da Av. Beira Mar Norte, pelo centro de Floripa, passo pela Ciclovia da Av. Hercílio Luz, perto do Shopping Beira Mar penso que poderia dar uma volta nele mas, o mesmo não tem Bicicletário e mais uma vez deixo de frequentar o shopping, e assim acontece com diversos outros lugares. Tá na hora dessa turma “acordar”, ciclistas e cicloturistas são os “prejudicados”e quem sai perdendo são os comerciantes.
Paro do trapiche da BeiraMar onde encontro com amigos, conversas, pinhão e cerveja e assim recupero as calorias que perdi pedalando.

Início da tarde continuo a minha pedalada e decido ir pelo Corrégo Grande. Na Ciclovia perto da esquina uma rachadura me faz perder o equilíbrio e naquela cena “ziguezagueando” sem controle quase vou ao chão, restabelecido o comando só me resta fotografar este “ressalto asfáltico” (pela falta de manutenção/conservação) e prosseguir meu caminho. Na subida do morro da Lagoa depois de 85 Km pedalados “descubro” que minha Bicicletinha com três marchas não tem “motor” para subir, tudo bem empurrar uns seiscentos metros não é problema. Chego no topo e entre conversas com alguns turistas que sempre vem conversar comigo quando chego ao mirante:
-Nossa, você sobe o morro?
-Você veio de Bicicleta? (eles perguntam depois de me verem chegar pedalando até eles?)
E assim muitas outras pérolas”. rsrsrs
Tiro uma foto, como qualquer outro que visita o mirante e agora vou para o trecho mais rápido do pedal, a descida do morro. Aqui vou descendo pelo meio da faixa de rolamento para poder ter segurança de não ser empurrado para o lado por motoristas imprudentes, antes de chegar ao final já havia decidido enfrentar a Rua Osni Ortiga, uma das mais perigosas vias de Floripa devido ao extremo mal e mau uso por uma grande parcela de motoristas e seus motorizados, razão da “luta” da comunidade através do ‘MovimentoCiclovianaLagoaJá , que reivindica infraestrutura para o Transporte Ativo (Pedestres e Ciclistas) neste trecho, muito utilizado, e com uma “demanda reprimida” de novos usuários (pedestres e ciclistas) que pelo medo e risco de morte (real) deixam de utilizar este caminho em seus deslocamentos. A Bicicleta e o caminhar (Transporte Ativo) podem não ser a solução da Mobilidade Urbana mas, certamente são boa parte dela.

Para terminar minha pedalada de domingo, um caldo de cana no caldodecana.com …
Como diria meu cicloamigo Audálio…..Pedalei !!!

95km = pedalada de domingo, para participar da “festa” de rua que a MeiaMaratona de Floripa fez acontecer. Provando que com um pouquinho, só um pouquinho de boa vontade da Sociedade é possível fechar a Av. BeiraMarNorte (e outras) e devolver pelo menos aos domingos, o espaço público onde todos possam caminhar, pedalar, patinar, etc, com segurança!!

CIDADES FORAM FEITAS PARA AS PESSOAS !!

Transcrevo algumas palavras de amigos:

Evandro -Estavamos junto nessa parceiro (pedalamos juntos par alguns Km)
Paulo -Mandou bem Daniel. Tempão que não te via na Tribo.
Sérgio -Continua assim. as bikes um dia vão ter o seu espaço na bela Floripa Elma: Conheço essa medalha!! rsrsrsrs

E do site da Tribo:

“Destaque para o suporte dos alunos-bikes que estiveram presentes durante toda a prova dando total apoio aos nossos atletas e isso valeu cada segundo economizado, abraço especial”! 
OBRIGADO, apenas quis acompanhar a galera correndo e claro se fosse necessário ajudaria, mas a galera é fera e se saiu muito bem !! PARABÉNS fiquei com saudades de correr hehehehe

Ps. este é apenas um relato, e relato reflete os fatos do dia, reparem como sofre um pedestre, um ciclista e também os motoristas, simplesmente porque uma parcela de MALtoristas imprudentes e irresponsáveis acham que podem fazer tudo e descumprir toda regra. O particular não pode prevalecer sobre a coletividade.

Estacas já estão à vista

Posted in Ponte Hercílio Luz by danielbiologo on 20 de maio de 2011

PONTE HERCÍLIO LUZ

Estacas já estão à vista

Pilares que vão fazer parte da estrutura de sustentação do vão central começam a ser instalados

Começaram a aparecer três das 16 estacas que deverão dar sustentação à estrutura provisória do vão central da Ponte Hercílio Luz, parte mais delicada das obras de restauração.

O engenheiro do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) Antônio Carlos Xavier informou que a previsão é de que, até setembro, estejam prontos os quatro blocos, com quatro fundações de ferro e concreto cada um. As estacas, cravadas no fundo do mar, são colocadas com guindaste e com a ajuda de duas balsas. Uma estaca leva, em média, 15 dias para ser erguida, dependendo das condições climáticas.

A estrutura de ferro provisória bem abaixo da Hercílio Luz, construída sobre essa base de apoio, deve estar concluída até junho de 2012. Em abril, o prazo dado para a conclusão dessa etapa foi maio de 2012. Para Xavier, a estrutura vai dar estabilização à ponte, garantindo a segurança dos trabalhadores no vão central da ponte.

Depois da formação da estrutura, será feito o estaqueamento das torres principais. Em um terceiro momento, haverá a troca das rótulas e a desmontagem e troca das barras de olhal. O engenheiro Cássio Magalhães, do Consórcio Monumento, responsável pelas obras, destacou que a estrutura provisória deverá ser retirada só na fase final de restauração.

– A estrutura vai ser removida como foi colocada. Só então a Ponte Hercílio Luz volta a ser soberana – afirmou.

Segundo a assessoria do Deinfra, só na estrutura provisória deverão ser aplicados R$ 60 milhões. Desde fevereiro de 2006, quando foi assinada a ordem de serviço dos reparos, até janeiro deste ano, foram investidos R$ 64,8 milhões na Hercílio Luz, também de acordo com o Deinfra. A estimativa é de que R$ 172,4 milhões ainda precisem ser investidos para a recuperação da ponte. A estimativa do Deinfra é de que a restauração completa da Hercílio Luz esteja concluída em 2014.

Publicado originalmente no DC de 20 de maio de 2011, aqui.

85 anos de história, 20 anos de interdição

Posted in Cicloativismo, Cicloturismo Urbano, Ponte Hercílio Luz by danielbiologo on 13 de maio de 2011

No dia do seminário o Presidente da Associação dos Ciclousuários de Florianópolis, comentou e perguntou à mesa:

“Na questão da Mobilidade Urbana é inviável “trazer” mais carros para as nossas ruas que já estão saturadas de automotores. Para melhorar a mobilidade de Floripa a ponte Hercílio Luz após restauração deve ser utilizada por pedestres e ciclistas e um possível VLT, VLP ou até um BRT”.

Foi respondido pelo Presidente do DEINFRA Paulo Meller;

“…. é nesse sentido que está sendo trabalhado”.

13 de maio de 2011 | N° 9168

PONTE HERCÍLIO LUZ

85 anos de história, 20 anos de interdição

No dia em que a Ponte Hercílio Luz completa 85 anos e quase 20 sem poder ser usada nem mesmo por pedestre, o governo avança alguns peões neste jogo de xadrez que é a complexa obra de restauração da estrutura, orçada em R$ 170 milhões. A peça de maior impacto é a postura em tom mais incisivo do governo Raimundo Colombo, que promete terminar a reforma neste mandato. A data em discussão atualmente entre o Consórcio Monumento, responsável pela obra, Secretaria de Infraestrutura é julho de 2014, um atraso de dois anos no prazo de conclusão do atual contrato.

Soma-se ao complicado jogo, ainda, o projeto para uma difícil captação de recursos por meio da Lei Rouanet, que deve ser entregue hoje, às 15h, ao governador Raimundo Colombo. A partir da assinatura do governador, o documento segue para ser aprovado pelo Ministério da Cultura. Se aprovado , o Estado pode sair atrás do investimento junto a empresas. Uma jogada difícil diante do alto valor que deverá ser apresentado ao MinC.

Também hoje, o governador anunciará um projeto de lei que será encaminhado à Assembleia Legislativa, criando um fundo específico à Ponte Hercílio Luz para receber o dinheiro captado à ponte. Com isso, os investimentos não se embolam a outros do orçamento estadual. Ficam reservados neste novo fundo, que precisará ser aprovado pelos deputados.

VÃO CENTRAL SUSPENSO EM 2012

No seminário realizado onte, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), um dos destaques da discussão foi a criação da comissão de acompanhamento da obra com representantes do Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Tribunal de Contas do Estado e Assembleia Legislativa. A ponte deverá ter, ainda, um museu e um site só para ela, com câmeras transmitindo simultaneamente o trabalho de restauração e com atualizações sobre receita e despesa da obra.

As iniciativas foram anunciadas pelo secretário Valdir Cobalchini durante o seminário sobre a restauração, que aconteceu na UFSC, ontem, e foi organizado pela Associação Amigos da Cidade. Um dos momentos mais aguardados do encontro foi a palestra do engenheiro Khaled Mahmoud, consultor internacional do projeto de restauração. Khaled mostrou imagens sobre a base de sustentação das torres principais:

– Apesar de boa parte das fissuras não estar visível porque a ponte está pintada, a corrosão existe por toda a superfície das bases de apoio. Infelizmente, colapso de pontes não é coisa do passado – afirmou, enquanto mostrava imagens de 2007 da queda de uma ponte sobre o Rio Mississipi, nos Estados Unidos.

Por conta do alto grau de deterioração das bases, a Hercílio Luz não pode ser restaurada a partir da sustentação por cabos de aço presos na parte superior das torres, que essas ficariam sobrecarregados. Este era o projeto inicial, mas foi alterado em 2008 para a construção de estrutura de sustentação provisória. O engenheiro reafirmou que a ponte só estará segura quando for apoiada na estrutura provisória, o que deve acontecer em junho do ano que vem, de acordo com o novo cronograma da obra.

Dois professores do departamento de engenharia da UFSC, Ivo Padaratz e Moacir Carqueja, defenderam a desmontagem da estrutura e o direcionamento dos recursos a outros setores como a manutenção da Colombo Salles e Pedro Ivo. Mas a proposta não teve repercussão.

PAPEL DA PONTE NA MOBILIDADE URBANA

Outro debate aprofundado no encontro foi sobre a funcionalidade da Hercílio Luz. Paulo Meller, presidente do Deinfra, afirmou que a ponte integra as soluções estudadas para a mobilidade da Grande Florianópolis, que compreende quatro cidades e 800 mil habitantes. O assunto girou em torno do uso para transporte de massa, pedestres e ciclistas.

O Estado assinou, esta semana, com a Prosul, o contrato para execução do estudo de viabilidade do transporte de massa que integraria Biguaçu, São José, Palhoça e Florianópolis. Para tanto, será preciso saber como seria a quarta ligação entre Ilha e Continente e o papel que a Hercílio Luz teria nesse processo.

FUNDO ESPECÍFICO E A LEI ROUANET

Dos R$ 170 milhões necessários para recuperação da ponte, R$ 18 milhões devem ser gastos esse ano com recursos do Estado. Segundo o presidente do Deinfra, Paulo Meller, o montante do ano está assegurado. E mesmo buscando recursos em outras frentes, o governo pretende captar boa parte do restante (R$ 152 milhões) com empresários via Lei Rouanet, o que, se concretizado, garantirá dinheiro novo nas obras até o início do ano que vem.

Não há precedentes no Brasil de se conseguir um valor tão elevado pela Lei de Incentivo à Cultura na recuperação de um patrimônio histórico. Para se ter uma ideia, entre os maiores valores aprovados estão R$ 50 milhões para a restauração do Theatro Municipal do Rio, e R$ 25 milhões para a Catedral de Brasília.

Outra fonte para se conseguir recursos é o governo federal, além de mais contrapartida do próprio governo do Estado. Como essa conta será fechada ainda não se sabe:

– Que empresário não vai querer ter sua empresa associada à restauração da ponte, que é o símbolo mais lembrado pelos catarinenses? Vamos tentar captar tudo o que der – disse Valdir Cobalchini, secretário de Infraestrutura.

Em paralelo, o governo deve buscar, recursos do Ministério dos Transportes, das Cidades, Fundo Nacional da Cultura, além de bancos como BID e BNDES. Todo recurso para a ponte ficará armazenado num fundo específico. O projeto de lei da criação do fundo será apresentado, hoje, ao governador. O fundo não tem relação apenas com a lei Rouanet. Qualquer pessoa que quiser fazer doações poderá depositar nesse fundo.

BARRAS DE OLHAL OU CABOS DE AÇO?

Na semana seguinte à Páscoa, Paulo Meller, presidente do Deinfra, recebeu um relatório com a proposta de troca das barras de olhal por cabos de aço, feita por técnicos das empresas que integram o Consórcio Monumento. Hoje, a ponte é suspensa por quatro sequências de barras de olhal. São 360 barras no total.

Entre os argumentos, a maior segurança dos cabos em relação às barras de olhal. Uma barra quebrada significa perda de 25% da força de sustentação da ponte. Uma fissura num cabo, composto por milhões de fios de aço, representa menos de 1%. Os cabos têm vida útil de 100 anos, contra 25 das barras de olhal. São mais baratos e de mais fácil manutenção.

A substituição está sendo amadurecida pelo Deinfra, mas já se anuncia como uma futura polêmica. A ponte é tombada como patrimônio nacional. O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional determina que ela seja restaurada da mesma maneira como foi concebida:

– A troca das barras por cabos faria a ponte voltar ao conselho consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional para se discutir se ela permaneceria tombada – afirmou Mario Alves, técnico do Iphan.

Retirado do DC, original on-line aqui

Réplicas da Ponte Hercílio Luz

Posted in Ponte Hercílio Luz by danielbiologo on 8 de maio de 2011
8 de maio de 2011 | N° 9163

HERCÍLIO LUZ

Réplicas de beleza e curiosidades

A beleza da Ponte Hercílio Luz foi reproduzida em três réplicas ao longo da história, duas em ouro e uma em madeira. As histórias dessas miniaturas são cheias de polêmicas e curiosidades, assim como a história da própria ponte. A primeira, em madeira, tinha 18 metros, e foi feita só para que o governador Hercílio Luz pudesse fazer a inauguração simbólica, já que devido à sua saúde comprometida, dificilmente sobreviveria para ver a ponte verdadeira pronta. A segunda réplica é uma joia em ouro de 33 centímetros, que em 20 anos só foi exposta duas vezes. A obra fica trancada em um cofre. A terceira miniatura foi feita pelo mesmo ourives, Juan Alves, como forma de protesto, para que a réplica possa ser exposta para visitação dos catarinenses e turistas.

 

Feita só para o governador

A primeira réplica da Ponte Hercílio Luz foi feita antes mesmo de sua inauguração. E foi a única ponte que o idealizador da obra, governador Hercílio Luz, viu antes de sua morte. Foi construída exclusivamente para que ele realizasse a inauguração simbólica, já que pelo seu estado de saúde, havia o risco dele não estar vivo para presenciar a inauguração.

Em madeira, com extensão de 18 metros, ela foi colocada entre o Miramar e a Praça XV, no Centro da Capital. O governador atravessou apoiado em uma bengala, já muito doente, naquele que foi seu último ato público, em 8 de outubro de 1924. Após 12 dias, morreu devido ao câncer.

A ponte de 5 mil toneladas de aço, que começou a ser construída em setembro de 1922, estava com as torres erguidas e iniciava o processo inovador de montagem do vão pênsil. No dia 13 de maio de 1926, a chamada “colosso de aço” foi inaugurada para suportar trens, veículos, pedestres e uma tubulação de água. Já a miniatura em madeira foi demolida após a inauguração e o único registro fotográfico que se tem conhecimento está no livro Hercílio Luz – Uma Ponte (foto acima).

Retirado do DC on-line, original aqui.

Tão valiosa que até hoje poucos a viram

  

Ela é uma espécie de “joia da coroa”. Em 20 anos, só foi exposta duas vezes, tamanha a valiosidade de uma réplica da Ponte Hercílio Luz em ouro, com acabamento em prata e sobre uma base de pedra ágata, sobreposta a uma estrutura de madeira cedro. A obra, que pertence ao governo do Estado, está guardada em um prédio público da Capital, dentro de um cofre de segurança.

Em 1989, o ourives argentino Juan Alves reproduziu a ponte em 33 centímetros, com 127 gramas de ouro 18 quilates e 106 gramas de prata 950. A primeira vez que os catarinenses tiveram a oportunidade de conhecê-la foi em 1991, quando chegou ao Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis. Foi apenas um dia de visitação e a réplica foi guardada.

A partir daí, ninguém mais soube onde estava. Teve gente duvidando que ela existia ou que havia sumido. O próprio ourives Juan Alves diz que foi até o Palácio, mas não teve informações.

– A peça foi feita por mim. Por isso, tenho direito de ver. Mas, mesmo assim, nunca vi a minha obra exposta.

Neste ano, a “joia” reapareceu em público na comemoração do centenário da casa de campo do governador Hercílio Luz, em Rancho Queimado. A réplica, porém, só foi observada por políticos e familiares. Segundo o presidente da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), Joceli de Souza, para o deslocamento da peça da Capital até o local foram necessárias duas viaturas do Batalhão de Operação Especiais e segurança especial na casa de campo.

Souza disse que a peça nunca foi avaliada, mas o valor histórico é incalculável. Por enquanto, a peça deve continuar “escondida”, pois não há aparato de segurança para permitir a visitação.

– É preciso colocar detector de metal na entrada da sala, segurança 24 horas e mobiliário blindado.

A proposta dele é reestruturar o Palácio Cruz e Sousa para colocar a réplica para visitação do público.

Original, aqui.

Uma cópia fiel, desta vez para o público

 

Foi a vontade de ver a réplica da Ponte Hercílio Luz exposta ao público que fez o ourives Juan Alves, 57 anos, autor da primeira miniatura, criar outra peça idêntica. Foram mais de 514 horas de trabalho para transformar 127 gramas de ouro 18 quilates em uma obra de arte. Alves é argentino, mas já vive na Capital há 22 anos. Ele tem uma admiração especial pela Ponte Hercílio Luz e ficou decepcionado com o fato da sua criação ficar longe dos olhos do público e também dos dele.

– A peça é minha e tenho que pedir para ver. Fiz a segunda réplica só de birra. A ponte é nossa identidade. Paris tem a Torre Eiffel. O Rio de Janeiro, o Cristo Redentor. E Santa Catarina, a Hercílio Luz.

Em 2009, um aluno de seu curso de joias, diante da frustração do professor de não ver sua obra exposta aos catarinenses, ofereceu a matéria-prima para fazer a réplica. Ele é o proprietário da Moulin Rouge Joalheria, localizada em um shopping da Capital. O custo da matéria-prima – que levou além do ouro, 106 gramas de prata 950, pedra ágata e a madeira nobre – foi de R$ 14 mil, sendo R$ 7 mil só de ouro.

– Quero vender a peça para alguém que tenha vontade de colocá-la para visitação. Não precisa de um esquema de segurança, porque se derreter a peça para vender o ouro, não terá tanto valor. O custo dela é histórico. É uma obra de arte – defende.

Ele tentou vender a peça para a Câmara dos Vereadores de Florianópolis e a Assembleia Legislativa, mas por causa da burocracia, não conseguiu apresentar a obra para a direção dos órgãos.

– Nem que me ofereçam R$ 100 mil, eu não faria outra. É uma obra cara e trabalhosa. Dizem que a Ponte Hercílio Luz pode cair. Daqui a pouco, só vai ter a minha réplica para lembrar.

Alves vai realizar seu sonho e expor a peça no aniversário da Ponte Hercílio Luz, no dia 13 de maio, na joalheria. Além disso, o artista gostaria de ver a sua inspiração aberta para o trânsito de veículos de passeios e fluxo de pedestres.

Original, aqui.

Mobilidade Urbana na Ponte Hercílio Luz.

Posted in Ponte Hercílio Luz by danielbiologo on 5 de abril de 2011

A Mobilidade Urbana não são apenas os “caminhos” para o Transporte Individual Motorizado, assim como muitas outras pessoas também “pensam”. E não é uma questão se pode ou não suportar o transito de motorizados na ponte, a questão é continuar a priorizar o carro para entrar em uma ilha com os espaços “finitos”. Para melhorar a Mobilidade Urbana de Floripa é urgente a redução drástica no numero de carros nas ruas. É o unico jeito ! DanielBiólogo

5 de abril de 2011 | N° 9130

O ENGENHEIRO DA PONTE

“Sem dinheiro, não tem como dar prazo”

Consultor do Consórcio Monumento e um expert em pontes suspensas no mundo, o egípcio Khaled Mahmoud alerta para o processo de deterioração da estrutura de ferro

O engenheiro Khaled Mahmoud é o homem por trás do engenhoso projeto de restauração da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. De origem egípcia mas com residência fixa nos EUA, Khaled foi contratado em março de 2009 pelo Consórcio Monumento, responsável pela obra, depois que inspeções na ponte detectaram um problema na estrutura até então desconhecido: a deterioração das quatro rótulas onde são apoiadas as duas torres de sustentação. Ao lado das barras de olhal no topo das torres, as rótulas são essenciais na dinâmica de sustentação da estrutura. Elas se movimentam para manter as 5,5 mil toneladas em equilíbrio. Como estão trincadas e oxidadas, as rótulas não se movem.

Diante deste novo obstáculo, Khaled orientou sobre o risco de restaurar a ponte segurando-a por cabos de aço na parte superior, como estava previsto no projeto original. Chamou atenção, ainda, para a necessidade de uma sustentação provisória na parte inferior. A partir daí, projetou-se a chamada ponte sob a ponte (veja ilustração na página 5).

O engenheiro visitou a Hercílio Luz pelo menos 10 vezes – em 2009, quase que uma vez por mês. Semanalmente, recebe relatórios técnicos e conversa com o engenheiro Cássio Magalhães, coordenador do consórcio, sobre a restauração, e mostra conhecer cada detalhe do projeto – inclusive o custo da obra e quanto já foi investido.

Khaled é um dos principais experts em pontes suspensas do mundo. O currículo dele é longo e entre os destaques está a presidência da Consultoria Tecnológica de Pontes, empresa de Nova York especializada em grandes estruturas. Participou da restauração de algumas das maiores do mundo como a Simon Kenton, Verrazano-Narrows, Bronx-Whitestone, Mid-Hudson, Throgs Neck, Triborough Suspension Bridges nos EUA e da Bordeaux Lift Bridge, na França. Editou quatro livros sobre engenharia e é presidente e fundador a Associação de Engenheiros de Ponte dos EUA.

Com experiência de 20 anos na área, Khaled afirma que a Hercílio Luz está em processo constante e ininterrupto de deterioração. Só estará segura após apoiada na sustentação provisória.

A seguir, confira os principais trechos da entrevista que ele concedeu por telefone, dos Estados Unidos, ao Diário Catarinense.

A ponte pode cair

“A ponte está em processo constante de deterioração: 24 horas por dia nos 365 dias da semana. A corrosão contínua, em parceria com outros fatores como ventos fortes e a direção destes ventos, pode levá-la ao colapso. De acordo com a posição de latitude e longitude de Florianópolis, a cidade pode ter ventos de até 155 km/h. Mas danos à ponte poderiam ocorrer mesmo na velocidade do vento inferior a 100 km/h, devido à contínua degradação, deterioração e corrosão. Todos esses fatores podem contribuir para danos graves ou colapso parcial ou total.”

Os riscos de um colapso

“Claro que a probabilidade de a Hercílio Luz cair é menor do que no caso da Silver Bridge, sua irmã gêmea que despencou em 1967. Isso porque a Silver Bridge tinha apenas duas sequências de barras de olhal. A Hercílio Luz tem quatro, mas uma está fraturada e ganhou um pequeno reparo. Desta maneira, está mais fragilizada. Assim como um se rompeu, outros podem se romper também, diante do franco processo de corrosão. A chance é menor quando comparada a outra ponte, mas existe. Um ponto a se manter sempre em mente é que um desastre é conhecido e documentado somente depois que acontece. Nosso trabalho como engenheiro é evitar desastres. No rescaldo de um colapso da ponte, qualquer quantia de dinheiro é minimizada e banalizada, comparada com a perda irreparável de vidas humanas e a perda insubstituível do patrimônio.”

Prazo x dinheiro

“Antes de falar de prazos, precisamos falar de dinheiro. Considerando a fase atual e, se a partir de agora tivermos o ritmo de investimentos necessários, a ponte fica pronta em dois anos e meio. O valor do contrato é de R$ 163 milhões. Até agora, desde 2008, foram investidos R$ 27, 6 milhões. É cerca de 15% do total em dois anos. Muito pouco. Me parece que faltam recursos, mas sem eles a restauração pode se arrastar por anos. Sem dinheiro, não tem como dar prazo.”

Estrutura provisória

“Devido à vulnerabilidade atual da ponte, na base e no topo das torres, a estrutura provisória oferece a medida de segurança necessária ao apoio da estrutura a partir de agora e até o trabalho de reabilitação ser concluído.”

Monumento x mobilidade

“Eu discordo fortemente de que a ponte não pode ser uma solução para a mobilidade da Grande Florianópolis. Eu dirijo todos os dias na Brooklin Bridge. Ela foi inaugurada em 1883, ou seja 43 anos antes da Hercílio Luz, e até hoje incorpora grande parte do fluxo de veículos de Nova York. É um grande erro achar que a Hercílio Luz não pode receber o tráfego. Com o vão central reforçado, ela pode receber transporte de massa ou carros e também pedestres. Além disso, a Ponte Hercílio Luz é um símbolo de SC e do Brasil, uma raridade em pontes no mundo, um maravilhoso patrimônio que merece ser restaurando. Quando reformada, é uma ponte que vai durar mais de 100 anos.”

Barras de olhal

“Uma coisa importante é substituir as barras de olhal por cabos de aço. Eles são mais fortes e muito mais seguros. As barras de olhal são mais frágeis às vibrações e podem se romper como uma já rompeu. Os cabos duram mais, são de fácil manutenção e fabricação. Florianópolis deve aproveitar a restauração da ponte para substituir as barras por cabos.”

Original no DC on line aqui.