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Bicicletas são os veículos mais eficientes nas cidades

Reportagens CarbonoBrasil


20/09/2011
   –   Autor: Jéssica Lipinski   –   Fonte: Instituto CarbonoBrasil

Bicicletas são os veículos mais eficientes nas cidades

Desafio Intermodal compara diversos aspectos dos meios de transporte nas principais cidades brasileiras para conscientizar a sociedade sobre a situação do trânsito e estimular formas de locomoção mais sustentáveis.
Algumas fotos, aqui.

Muitas vezes, ao optarmos por nos deslocar de carro, justificamos nossa preferência pelo automóvel devido ao maior conforto, rapidez e segurança que esse veículo oferece em relação aos outros meios de transporte. Mas será que podemos mesmo dizer que o carro é superior às outras formas de locomoção nesses quesitos? Esse e outros pontos foram questionados pela última edição do Desafio Intermodal, que acontece em setembro e marca a Semana da Mobilidade em várias cidades do país.

O Desafio é uma espécie de prova na qual os participantes optam por um meio de transporte – ou modal – e percorrem um determinado trajeto nesta forma de locomoção. No percurso, são analisadas questões como o tempo de deslocamento, a velocidade média de cada modal, o custo para ir de um ponto ao outro, a emissão de poluentes, a segurança, o conforto e a praticidade de cada meio.

Desta forma, o evento tem como objetivo conscientizar a população para a condição do trânsito em algumas das principais cidades brasileiras, além de estimular meios de transporte mais sustentáveis. O desafio não tem cunho científico, mas serve para mostrar as diferentes situações enfrentadas pelos diferentes modais no trânsito, como ônibus, pedestres, corredores, bicicletas, motocicletas, automóveis e cadeirantes.

Daniel de Araujo Costa, presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (Viaciclo), ressalta que o Desafio Intermodal não é uma competição, mas um comparativo entre os diferentes meios de transporte, e que serve para mostrar que é possível usar outras formas que não o carro para se locomover. “Queremos mostrar que usar a bicicleta, o ônibus ou ser pedestre pode ter vantagens em relação a quem usa carro”.

Em 2011, o desafio está sendo realizado no mês de setembro em diversas cidades do país como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Florianópolis, Recife, Brasília, Aracaju, Salvador, Maceió, Porto Alegre, Belém, Natal, Balneário Camboriú, São José dos Campos, Maringá e Uberlândia. Em São Paulo e Belo Horizonte, o Desafio Intermodal está marcado para esta terça-feira (20).

No Rio de Janeiro (RJ), onde o evento já está em sua sexta edição, a desafio ocorreu no dia 1º de setembro, e o modal estreante carona programada chegou em primeiro lugar, seguido pela integração metrô + bicicleta e pela moto. Na hora da avaliação dos outros dados como poluição e custo, porém, a bicicleta saltou para o topo da lista, mesmo sem terem sido considerados a ocupação do espaço urbano e a emissão de ruídos.

Em Florianópolis (SC), o evento ocorre desde 2007, e neste ano aconteceu na última quinta-feira (15) às 18h. O modal ‘ganhador’ foi a moto, seguida pela bicicleta, que manteve uma velocidade média maior que a primeira colocada por ter que fazer um trajeto maior. A surpresa ficou por conta do ônibus, que teve tempos de percurso bem elevados, chegando a levar mais tempo que um dos caminhantes.

Em Manaus (AM), onde desafio também ocorreu dia 15, a bicicleta foi o meio de transporte mais rápido para chegar ao destino final, levando entre 11 e 15 minutos para percorrer 4,2 quilômetros, a uma média de 20 km/h, seguida da moto e do carro. O ônibus também teve o pior desempenho na cidade, tanto em velocidade quanto em preço: uma média de 4,7 km/h e R$ 2,25 por passagem.

Em Balneário Camboriú (SC), o evento aconteceu também no dia 15, e apesar da ‘magrela’ ter ficado em terceiro lugar no quesito tempo, atrás da moto e do carro, a análise dos outros aspectos levou a bicicleta ao primeiro lugar como modal mais eficiente, seguida do pedestre e do ônibus. Embora os outros veículos tenham variado muito suas performances de cidade para cidade, a ‘bike’ se manteve entre os mais eficientes em quase todos os desafios.

Segundo Costa, os resultados do Desafio Intermodal indicam que a bicicleta é mais eficiente principalmente do que o carro, e que embora o número de ciclistas esteja aumentando, infelizmente a eficiência desse meio ainda não se reflete plenamente na escolha da população na hora de sair de casa. “É preciso um sacrifício individual para que a coletividade seja beneficiada”, declara.

O presidente da Viaciclo explica que não é necessariamente a falta de espaço para criar vias para as bicicletas que impede o desenvolvimento de uma “cultura ciclística”. Para ele, por exemplo, Florianópolis é uma cidade extremamente “ciclável”, e o que falta é educação no trânsito para que as pessoas respeitem quem utiliza esse meio de transporte. Mas ele admite que a quantidade de ciclovias e ciclofaixas ainda é insuficiente.

Em relação ao transporte coletivo, Costa acredita que os resultados do desempenho dos ônibus refletem o transporte público das cidades. Em Florianópolis, por exemplo, ele comenta que faltam corredores exclusivos para os ônibus, e que deveriam existir linhas únicas em certos trechos da cidade, a fim de diminuir os engarrafamentos.

“A situação de mobilidade urbana é deplorável, com um transporte coletivo caro, com poucos horários, falta de ciclovias e ciclofaixas, passeios inexistentes e total desintegração entre os modais de transporte”, afirma. Para se ter uma ideia, alguns estudos consideram a capital de Santa Catarina a cidade com a pior mobilidade urbana do Brasil.

Por isso, Costa acredita que o jeito é investir no transporte público e na integração dos meios de locomoção, para que as pessoas passem a optar por estas formas em vez de utilizar cada vez mais o carro. “Temos que pensar sobre o que estamos fazendo na cidade”, reflete.

Meu comentário:
O “compartilhamento” das ruas é grande parte na solução dos problemas de Mobilidade Urbana, o respeito as regras de circulação e aos mais frágeis no trânsito, sejam eles pedestres ou ciclistas, refletirá em mais segurança estimulando mais pessoas a utilizar o único veículo atualmente sustentável, a Bicicleta, consequentemente reduzindo o número de carros nas ruas e os congestionamentos. Em Florianópolis mais de 80% dos carros transitam com apenas uma pessoa e quase todos apenas transportando uma pasta, bolsa ou um caderno, assim sendo muitas destas viagens podem ser substituídas pelo transporte coletivo, uma caminhada ou a Bicicleta. Floripa nâo tem falta de espaço, tem sim o absurdo excesso de carros nas ruas e duplicando vias, elevados ou pontes estaremos duplicando o número de carros e para suprir esses espaços, mais aterros, mais desapropriações e menos áreas verdes teremos. A Bicicleta é sim uma boa parte da solução na questão da Mobilidade Urbana, além da economia, da saúde que propicia, não polui e humaniza as ruas. Com o aumento de Bicicletas nas ruas, a evolução para um trânsito mais seguro é inevitável.

E vamos pedalando …..

Desafio Intermodal 2011

Quinta feira dia 15 de setembro, dia marcado para o DI 2011. Neste ano minha participação seria como “recepcionista”, ficaria na chegada (Largo da Alfândega) marcando o tempo de cada modal  participante.
(Desafio Intermodal 2011)

Dia de trabalho realizando algumas vistorias na Ilha de SC, carregando papéis/documentos e mapas estava de carro. Terminando os compromissos do dia, no retorno encontro, a Av. Beira Mar Norte toda congestionada, parada. Olho para o relógio e percebo que a hora avança e eu parado, depois de 45min para percorrer 3 km chego ao estacionamento, saio correndo (a pé) deixo os documentos no trabalho pego os materiais e vou para o ponto de chegada. Antes disto fiquei por longos minutos pensando que não conseguiria chegar, olhava ao meu redor e só enxergava carros parados com apenas um passageiro, muitos resmungando, muitos buzinando para outros, muitos xingando …. o estresse e gases tóxicos inundavam as gotas de chuva que caiam em Floripa. Pensei, que ironia, eu como “coordenador e cronometrista” da chegada, não chegaria. Imaginava meu relato; não cheguei a tempo pois fiquei preso no congestionamento. Lembrando que o congestionamento não é um problema, é apenas uma relação causa e efeito ou seja, é como que dizer, você não está em um congestionamento, você é um congestionamento = reflexos da priorização do transporte individual motorizado.

UFA ! Cheguei 20 minutos antes do horário previsto para a largada, com chuva fina persistente coloco minha capa de chuva, ligo para o Fabiano e acertamos os ultimos detalhes.
Pelo celular aviso ao Fabiano -LARGA, e começa o Desafio Intermodal 2011.

Relato do DI 2011 no Bicicleta na Rua, leia aqui e os tempos, aqui.

Teaser do DI 2011 por Vinicius, veja aqui.

Minhas poucas fotos, aqui.

“Quando fui convidado pra fazer o percurso, de carro, fiquei bastante  chateado, pois no ano passado, por estar de braço quebrado, não tive  como escapar da incômoda tarefa de levar a jornalista e a minha  bicicleta, dentro da latinha com rodas. Cheguei na UFSC, um pouco antes do horário, depois de levar uma hora,  pra ir do Campeche até ali, em virtude das obras de implicação da SC  406, que faz duplicar o tempo que eu levo de bicicleta. O Fabiano me  avisou que eu iria, a pé, pelo Suli. Fiquei feliz, pois passaria, de  novo, por um trecho que muitas vezes passei com passeatas e protestos,  podendo observar as mudanças da urbanização do Saco dos Limões, nos  últimos tempos. A chuvinha miúda, recém chegada, foi a companheira dos primeiros  passos, seguindo junto com os carros, que passavam, lentamente,  permitindo que eu interagisse com os passageiros e motoristas, sem que  ninguém tivesse me oferecido carona, ou mesmo um questionamento, pelo  fato de eu ir caminhando. O trânsito só transitou depois do morro da  Carvoeira, quando perdia os carros de vista. O que pude ver é que a  maioria deles levava apenas um ser humano, tornando a relação  custo/benefício bastante desfavorável a eles. Diferença esta,  manifesta nas protuberâncias glúteas e abdominais, que, flácidas,  circulam preguiçosas, acumulando cólicas, asmas e colesterol. Por  isso, preferi seguir pensando em coisas mais agradáveis. Lembrava do tempo que havia um pequeno córrego, trazendo água  cristalina do alto do Morro da Cruz, rumo ao mangue do Itacorubi, que  seguia à estrada até os domínios da Universidade. Isso lá pelos anos  que se comprava leite em garrafa de vidro e o padeiro passava de  galiota, puxado por um pangaré ensinado. A chegada da moradia  vertical, na descida da Carvoeira, diminuiu a área de visibilidade do  Saco dos Limões, e o aterro levou o berbigão para mais longe um  pouquinho. Não sei se ainda se pode catar berbigão, porque muito  cagalhão ainda desce pelos valões, contribuindo para a propagação de  microorganismos aquáticos, que alteram sensivelmente a rotina dos  diversos comensais que se apropriam daquele ambiente. Chegando no José  Mendes, vi que não há mais fábrica de refrigerantes, e a loja de  automóveis virou templo ecumênico. Na curva do Penhasco, pude  agradecer a Nossa Senhora da Liberdade, pela oportunidade de estar  curtindo uma paisagem de cartão postal. Faltava muito pouco pra  terminar minha jornada, num final de tarde feito sob medida, pra saber  com quantos passos se faz uma jornada. Depois de atravessar a cracolândia, que estava esvaziada, ganhei a  passarela e a parte mais sombria do trecho. Logo quando estava na  entrada da Cidade, percebi o quanto aquele local é abandonado. Alguns  mendigos, um butequinho e uma escuridão de cemitério compõem a  paisagem mórbida do meu momento de chegada. Só aí eu pude perceber  porque a maioria das pessoas não faz este trajeto, da forma lúdica e  saudável que eu estava fazendo, mais uma vez. Apesar de todo meu  prazer de ter feito aquele passeio, as condições das calçadas, o  desconforto das perseguições dos carros, que na ânsia de levar seus  motoristas para casa, atropelam o pedestre, este ser tão estranho que  insiste em ser humano. Quando cheguei, fui informado que o secretário ainda não havia  chegado, pelo seu sistema de transporte desintegrado. Eu levei menos  de uma hora, e apenas quinze minutos a mais que o auto(i)móvel. Com  certeza, o estresse que o motora teve, durante seus momentos de  estacionalidade, foi muito maior que o meu prazer, de ter curtido uma  caminhada animada. O problema é que o dele vai para a coluna do custo,  enquanto o meu consta como benefício. Portanto, muito mais saudável e  sustentável. Valeu, galera, pelo encontro festivo com todos nós. O Fabiano, o  Daniel Biólogo Presidente da Viaciclo, a gurizada animada, o Audálio,  que quando chegou saía fumaça por todos os poros, a chuva, os buracos  da calçada, a fumaça de olhodiesel dos ônibus lotados, e todos os que  eu encontrei, que tornaram possível este instante de prazer e curtição.” 
Huli Huli
Pereira

Huli Huli,
Seus relatos são sempre a melhor parte,
“eu si divirtu” lendo, ao mesmo tempo que fico chateado pela forma como nossa sociedade caminha, aliás não caminha!!!

Fico muito contente de poder participar destes eventos onde pessoas do bem, querem apenas fazer o bem, bem feito !!!

Muito Obrigado a todos vocês,
são vocês que não me deixam perder a esperança nesse tal do Bicho Homem.

DanielBiólogo de A. Costa 

Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis   http://www.viaciclo.org.br

Ótimos depoimentos, o do Huli-Huli Pereira foi excelente! Faço minhas as palavras do Daniel, se ele permitir! 🙂

Há 3 anos participo deste desafio. E tem sido um desafio para mim, que faço da bike meu principal meio de transporte. Como nos últimos 2 anos participei correndo, pude perceber que é bem prazeroso correr, mas ainda prefiro a bicicleta 🙂

Este ano achei q a cobertura por parte da imprensa foi bem menor… Seria importante divulgar mais, pois, quem sabe, mais pessoas tomando conhecimento de que existem outros meios de transporte além do carro, a saúde das pessoas e da cidade não venha a melhorar?

No mais, agradeço a todos pela oportunidade de participar e, se for possível, ano q vem estarei participando novamente!

Abraços,

Audálio Jr

ps: foi uma grata surpresa ver dois colegas ciclistas dos Ingleses (q tb pedalam para o trabalho até o Itacorubi) participando juntos do desafio pela Rota Norte: o Cássio (correndo) e o  Felipe (pedalando).

Cássio Engel Vidal escreveu:

Cara,
Pena que não sei escrever tão bem como vocês, mas realmente o prazer de ir correndo e interagir com a natureza(poluição) é muito gratificante, ver que não é preciso estar preso as máquinas do progresso, que você pode ser mais rapido e ainda tirar todo o stress de uma semana de trabalho, é muito bom…
Todos os dias eu e meu colega e as vezes quando acordamos cedo e conseguimos pegar uma carona com o Audalio, viemos os três dos ingleses até o itacorubi, ainda não tivemos coragem de fazer a volta, mas já é um começo, e com certeza uma valvula de escape para toda a pressão e correria do dia a dia, que infelizmente a nossa sociedade continua a aumentar e chamar isso de progresso.
Não sei que progresso é esse que nos tira a segurança, o convivio com a familia e a saude, como vc’s disseram, por causa do progresso a sociedade tem a tendencia de ficar sedentária e sem saude, aonde vamos parar ?

Radares nas ruas são fundamentais


Radares nas ruas são fundamentais para a redução das velocidades permitidas aos motorizados, se quisermos um mínimo de segurança para poder transitar em nossas ruas. Quem defende sua retirada, esquece que também são pedestres na maior parte do seu tempo.

A velocidade urbana deve ser drasticamente reduzida!


Infelizmente só atingindo o bolso conseguiremos educar esta parcela irresponsável de nossa Sociedade, campanhas educativas tem sido inúteis diante do individualismo e egoísmo destes MALtoristas.

Floripa tem um grave “problema” que são as SC, rodovias estaduais que com o tempo se transformaram em ruas urbanas, mas suas velocidades continuam como se fossem estradas. Ao longo destas vias temos escolas, comércio, residências, enfim a cidade e seus moradores que constantemente são colocados em risco de morte, muitos são “assassinados”, pelo mal e mau uso dos motorizados.

Cidades foram feitas para as pessoas e atualmente aproximadamente 50% delas são ocupadas em função dos carros. Não é uma questão de ser contra o carro, apesar que sobram motivos para (como um invento que contamina o ar que respiramos, pode ser algo bom?), mas temos que começar a “re-humanizar” nossas cidades. Uma pergunta com relação ao trânsito (porque não aprendemos?) que foi feita no Fórum sobre Mobilidade Urbana realizado aqui em Florianópolis, deixou claro o caos de insegurança que criamos em nossas cidades, a pergunta foi; 

-Você deixaria seu filho de 10 anos andar sozinho nas ruas?
-Não, nunca !
E todos com a mesma explicação;
-O trânsito de carros nas ruas não deixa (
por medo da extrema velocidade permitida aos carros, e profundo desrespeito ao Código de Trânsito por uma grande parcela de MALtoristas, que acaba gerando a violência em nosso trânsito).

Temos uma demanda reprimida muito grande de pessoas que gostariam de caminhar mais e utilizar a Bicicleta como transporte na cidade, mas o trânsito sem respeito e educação “instalado” em nossa Sociedade, afasta os usuários de Bicicletas das ruas. 


Meia Maratona de Floripa em Bicicleta !!!

Posted in Cicloturismo Urbano, Pedala Floripa e Bicicletas por aí..., Pedaladas... by danielbiologo on 19 de junho de 2011

Domingo cedo, seis da manhã, começo a pedalada para “participar” da MeiaMaratona de Floripa, sim “participar da festa, pois meu joelho não está permitindo correr. Começo a pedalada pela SC-406 via extremamente perigosa pois não tem acostamento transitável e como é praxe entre uma parcela considerável de motoristas de Floripa, que transitam pelas ruas ainda escuras em absurdo excesso de velocidade certos da IMPUNIDADE.
Pelo espelho da Bici, a única vantagem da “escuridão” é uma “fácil” percepção dos motorizados se aproximando … e que normalmente dá tempo de ter alguma ação ou reação e, que zunindo passam rápido, muito rápido a menos, muito menos de 1,5m do ciclista, mesmo tendo espaço para ultrapassar mais afastado (Art.201 do CTB: 1,5m de distância). Muda-se de via para a SC-405 e os mesmos problemas do mal uso dos carros continuam, o que mais deixa a todos indignados e que este trecho está para ser duplicado e não está prevista ciclovia e passeio (a Viaciclo ganhou uma ação para que sejam implantadas). Ainda temos o pensamento “carrocrático” onde somente os caminhos das carros são previstos, lembrando que ao duplicar vias, construir elevados, pontes e tuneis ou seja duplicando espaços automaticamente duplicamos o número de carros mantendo e piorando, duplicando os congestionamentos.

Ao chegar na Rod. Aderbal Ramos da Silva, entro na ciclovia da Beira Mar Sul, sem antes passar por riscos para conseguir acessar a mesma, pois o Trevo da Seta não contempla acessibilidade adequada a quem não estiver de automotor. Após passar pela calçada do trevo, chego na passarela que teve, depois de anos sendo solicitada, a rampa de acesso adequada ao uso. Chego na ciclovia e a sensação de pedalar em segurança é simplesmente “fantástica”, é muito bom mesmo, consigo pedalar sentindo prazer e o ambiente.

Entre cumprimentos aos poucos acordados, um fato curioso:
Um ciclista em sentido contrário se aproximava e a poucos dele metros falei;
-Bom Dia!
O ciclista em uma freada travando a roda no contrapedal da sua “barraforte” exclama:
-Eu te conheço? Em um tom não muito amigável.
-Parei “apreensivo”, me virei e disse: Não, não nos conhecemos, Daniel, prazer!
Ele só olhou e me disse:
-Porque me cumprimentas?
Respondo: -São seis da manhã de domingo, pedalando por aqui ou é um trabalhador ou é outro “perdido” como eu, e assim sendo só pode ser “gente boa”!
Ele teve que rir. Nesse instante já estávamos perto um do outro, esticamos os braços e depois de um aperto de mãos continuamos nosso caminhos !

Como tudo que é bom acaba logo, termina a Ciclovia e entro na rua para “compartilhar” a mesma com os motorizados. Passando por aqui, apenas dois ônibus que insistem em passar acelerando e tirando fina “incomodaram”. Antes de chegar a passarela da Ponte acabo tendo que pedalar pelo passeio para acessar a mesma com uma certa segurança. Pouco antes de chegar na Ponte Pedro Ivo reparo que o guard-rail atingido por um carro que se “perdeu” na curva, continua danificado (desde abril com certeza) com uma parte invadindo a estreita ciclovia. Na passarela da Ponte muita sujeira/lixo jogadas no chão e o vento levantando sacos plásticos e “jogando” os mesmos no mar, cacos de vidro também são vários no chão, cheguei a pensar que havia furado o pneu ao escutar um vidro se quebrando debaixo da minha roda. Chego ao continente e em poucos metros a mais estou passando por debaixo da Ponte Hercílio Luz. Em seguida chego na Beira Mar Continental “ainda” em Paz, sem carros. Aproximadamente sete horas da manhã e muitas pessoas por aqui, afinal segundo dados divulgados mais de seis mil corredores, mais amigos e parentes estão aqui para participar da MeiaMaratona de Floripa, com tem três “provas”; uma de 5 Km, uma de 10 Km e a Meia com 21 Km. Entre reencontros de vários amigos e amigas o horário de largada se aproximava, fiquei alguns metros na frente da largada e consegui fazer uma filmagem com a maquina de fotos, pelo menos dá para ter uma idéia de como foi (para ver, clique aqui).


Logo em seguida estava atrás dos corredores, quando encontro o Predactor e assim de Bicicleta curtindo uma pedalada e devagar prossseguimos acompanhando os corredores pelas ruas normalmente “entupidas” de carros e, agora fervilhando em pernas, risadas, conversas e suor. Atravessamos a Ponte Pedro Ivo com duas faixas exclusivas para os corredores, com certeza uma experiência única, pois é proibido e quase impossível cruzar as pontes em dias normais quando somente motorizados podem passar por cima dela. Chegando na Ilha e continuamos pela Av. Beira Mar Norte fechada para carros o que certamente conferiu uma boa segurança para que os corredores pudessem realmente se preocupar apenas em correr e curtir o evento (ver fotos aqui e aqui). No retorno cruzamos por cima da Ponte Colombo Sales, fazendo com que pela primeira vez milhares de pessoas cruzassem as pontes correndo e algumas de Bicicleta acompanhando os atletas, nesta ponte a travessia é feita com a visão da Ponte Hercílio Luz ao lado direito. Na chegada cumprimentei vários atletas e amigos e me despedi deles.

Hora do retorno e agora de volta a realidade, as mesmas ruas que há pouco pedalava com tranquilidade e que poderia ainda ser assim, não fosse a impaciência de muitos MALtoristas, que arrogantemente se utilizam de seus “tanques de guerra” para chegar aos seus destinos sem respeitar os demais integrantes que formam o trânsito, principalmente os mais frágeis Pedestres e Ciclistas e o que me remetem a frase do Willian Cruz: Eles querem andar rápido, Eu quero chegar !

Chega a ser engraçado quando eles buzinam passam por mim, alguns olham assim como que dizendo:
-Viu eu tô de carro, então sai da frente e aceleram…
Logo em seguida eu passo por alguns deles e agora me olham:
-Como pode? Eu tô de carro, como que ele chega na minha frente de Bicicleta?

Pedalo pela Ciclovia da Av. Beira Mar Norte, pelo centro de Floripa, passo pela Ciclovia da Av. Hercílio Luz, perto do Shopping Beira Mar penso que poderia dar uma volta nele mas, o mesmo não tem Bicicletário e mais uma vez deixo de frequentar o shopping, e assim acontece com diversos outros lugares. Tá na hora dessa turma “acordar”, ciclistas e cicloturistas são os “prejudicados”e quem sai perdendo são os comerciantes.
Paro do trapiche da BeiraMar onde encontro com amigos, conversas, pinhão e cerveja e assim recupero as calorias que perdi pedalando.

Início da tarde continuo a minha pedalada e decido ir pelo Corrégo Grande. Na Ciclovia perto da esquina uma rachadura me faz perder o equilíbrio e naquela cena “ziguezagueando” sem controle quase vou ao chão, restabelecido o comando só me resta fotografar este “ressalto asfáltico” (pela falta de manutenção/conservação) e prosseguir meu caminho. Na subida do morro da Lagoa depois de 85 Km pedalados “descubro” que minha Bicicletinha com três marchas não tem “motor” para subir, tudo bem empurrar uns seiscentos metros não é problema. Chego no topo e entre conversas com alguns turistas que sempre vem conversar comigo quando chego ao mirante:
-Nossa, você sobe o morro?
-Você veio de Bicicleta? (eles perguntam depois de me verem chegar pedalando até eles?)
E assim muitas outras pérolas”. rsrsrs
Tiro uma foto, como qualquer outro que visita o mirante e agora vou para o trecho mais rápido do pedal, a descida do morro. Aqui vou descendo pelo meio da faixa de rolamento para poder ter segurança de não ser empurrado para o lado por motoristas imprudentes, antes de chegar ao final já havia decidido enfrentar a Rua Osni Ortiga, uma das mais perigosas vias de Floripa devido ao extremo mal e mau uso por uma grande parcela de motoristas e seus motorizados, razão da “luta” da comunidade através do ‘MovimentoCiclovianaLagoaJá , que reivindica infraestrutura para o Transporte Ativo (Pedestres e Ciclistas) neste trecho, muito utilizado, e com uma “demanda reprimida” de novos usuários (pedestres e ciclistas) que pelo medo e risco de morte (real) deixam de utilizar este caminho em seus deslocamentos. A Bicicleta e o caminhar (Transporte Ativo) podem não ser a solução da Mobilidade Urbana mas, certamente são boa parte dela.

Para terminar minha pedalada de domingo, um caldo de cana no caldodecana.com …
Como diria meu cicloamigo Audálio…..Pedalei !!!

95km = pedalada de domingo, para participar da “festa” de rua que a MeiaMaratona de Floripa fez acontecer. Provando que com um pouquinho, só um pouquinho de boa vontade da Sociedade é possível fechar a Av. BeiraMarNorte (e outras) e devolver pelo menos aos domingos, o espaço público onde todos possam caminhar, pedalar, patinar, etc, com segurança!!

CIDADES FORAM FEITAS PARA AS PESSOAS !!

Transcrevo algumas palavras de amigos:

Evandro -Estavamos junto nessa parceiro (pedalamos juntos par alguns Km)
Paulo -Mandou bem Daniel. Tempão que não te via na Tribo.
Sérgio -Continua assim. as bikes um dia vão ter o seu espaço na bela Floripa Elma: Conheço essa medalha!! rsrsrsrs

E do site da Tribo:

“Destaque para o suporte dos alunos-bikes que estiveram presentes durante toda a prova dando total apoio aos nossos atletas e isso valeu cada segundo economizado, abraço especial”! 
OBRIGADO, apenas quis acompanhar a galera correndo e claro se fosse necessário ajudaria, mas a galera é fera e se saiu muito bem !! PARABÉNS fiquei com saudades de correr hehehehe

Ps. este é apenas um relato, e relato reflete os fatos do dia, reparem como sofre um pedestre, um ciclista e também os motoristas, simplesmente porque uma parcela de MALtoristas imprudentes e irresponsáveis acham que podem fazer tudo e descumprir toda regra. O particular não pode prevalecer sobre a coletividade.

Eu cuido da minha casa, jogo o lixo lá na Lagoa !!!

É assim, moradores das margens da Lagoa da Conceição, diga-se de passagem áreas que não devem ter edificações por serem Áreas de Preservação Permanente-APP e fundamentais para a manutenção do equilíbrio de toda a lagoa, “jogam” seus “resíduos”, na margem da mesma e com o vento e até animais que fuçam e rasgam os sacos, o lixo vai parar dentro do corpo d’água ! Depois este mesmo morador reclama da sujeira e poluição na Lagoa da Conceição. Exemplo claro do individualismo egoísta que vivenciamos, -“eu cuido da minha casa até o límite do meu muro, do lado de fora não é problema meu.” E assim coclocamos a culpa na Prefeitura que não limpa ou em qualquer outra pessoa !!!

Lembro que o Planeta Terra, é a casa de todos nós !!!

Outro detalhe, esse é o “acostamento” por onde transitam centenas de pessoas, sempre sob ameaça do extremo mal uso dos automotores em excesso de velocidade que passam por aqui. Há mais de uma década e meia que a comunidade reivindica infraestrura viária aqui, PASSEIOS, CICLOVIA e PRINCIPALMENTE REDUTORES DE VELOCIDADE, COM FISCALIZAÇÃO E MULTAS DE VERDADE !!!

Outra ponte, outro elevado, outro túnel … ? ? ?

Mobilidade Urbana é o cidadão ter a opção de escolher modais de transporte, sendo a ultima opção o carro. Se continuarmos a construir pontes, tuneis, elevados e outros pensando apenas em carros, a Mobilidade urbana só tende a piorar. A medida que deve ser tomada é a restrição ao uso do transporte individual motorizado. Neste sentido o investimento em Ciclovias e calçadas e a integração com transporte coletivo eficiente é a unica saída (linhas exclusiva para ônibus é algo simples e quase sem custo). Floripa não tem falta de espaço, tem o excesso de carros nas ruas, com 82% deles transportando apenas uma pessoa.


Pior Mobilidade …

Pior mobilidade urbana não quer dizer ter mais ou menos congestionamentos nas ruas. Mobilidade urbana é o cidadão ter opção de escolher o transporte mais eficiente para seus deslocamentos. Aqui em Floripa parece que fazemos questão de ter apenas a opção do transporte individual motorizado (carro), aumentamos o preço do transporte coletivo, construímos trevos, elevados e duplicamos vias, para aumentar o número de carros e problemas nas ruas. 

A Bicicleta é o único veículo realmente sustentável atualmente, e além disso não gera congestionamentos, humaniza as ruas, traz saúde para seu usuário e para a cidade. Precisamos de respeito as regras de trânsito e colocar mais pessoas para pedalar, a mobilidade vai melhorar, a saúde vai melhorar, Floripa vai melhorar. “As cidades com um maior uso das Bicicletas, apresentam melhor qualidade de vida” (fato).

“Criando” lixo ….

Em um Bairro “Nobre”, coisa estranha chamar um bairro assim só porque os moradores tem $$ sobrando, gostaria que fosse pela “Nobreza” de suas ações. Dias atrás caminhava por ele e vi um indivíduo depositando sacos sobre o passeio, salientando que os passeios em Floripa estão virando depósito de entulho, lixo, estacionamento de carros e piorando quando proximos ao mobiliário urbano, sim pois impedem, bloqueiam a passagem de pedestres e cadeirantes ! Um problema causado pelo individualismo dessa parcela da Sociedade que “não tá nem aí” para com os outros. Voltando aos sacos de lixo depositados na calçada um outro problema bastante grave também, afinal foram utilzados para “ensacar” grama e restos de poda do quintal, ou seja tudo matéria orgânica que pode muito bem ser deixada do próprio pátio servindo de adubo natural e fechando o ciclo “in loco”. Fazendo isto inclusive mantemos a quantidade dos nutrientes e minerais do solo. MAS NÃO, mais uma vez uma atitude individualista e egoísta de uma pessoa vais prejudicar outros. Como já dito o “lixo” ensacado não é lixo, e ao colocar nestes sacos e deixar que o levem para o depósito de lixo, foi “criado” mais um passivo ambiental. Os sacos são desperdício de dinheiro para o morador que utilizou os mesmos, para a cidade e para o Planeta.

Bom para um, muito ruim para todos. Nitidamente colocando “meu problema” para fora do muro da minha casinha e “transferindo” os prejuízos para toda a Coletividade!!