Danielbiologo's Blog

Pela falta de Bom Senso e Cultura (ciclística) perdi a aula ….

Saí um pouco depois do horário, pouco atrasado para a aula. Pedalando tranquilo, pois já estava atrasado mesmo, segui meu caminho pela Av. das Rendeiras, logo na saída da ponte um LandRover em alta velocidade ultrapassa neste local totalmente sem condições empurrando outros carros para os inexistentes acostamentos e eu ainda fiquei no meio desta confusão com minha Bicicleta. Impressionante mas, o individualismo e falta de respeito com os demais, gerando risco real de morte , parece aumentar proporcionalmente com o valor do carro e com “certeza” da impunidade !!!


Comecei a subida do Morro da Lagoa e poucos minutos depois um ônibus da transol, sem reduzir a velocidade e sequer um leve desvio para me ultrapassar com um mínimo de segurança, passa por mim como se eu não estivesse ali, desrespeitando os Art. 201 e 220 do CTB. Para logo em seguida ficar “parado” no congestionamento ainda ‘pequeno’ por ser um sábado,  e o pior de tudo é que este deveria ser um motorista profissional!!!

Aproximadamente 9h cheguei na universidade e como sempre iniciei a subida pela rampa levando comigo a
Bicicleta, ao final da rampa fui questionado pela segurança patrimonial aonde estava indo, respondi que para a sala de aula e prontamente falou que não poderia levar a Bici junto. Respondi, ok, afinal eu estava errado e como não tinha onde deixar meu veículo fui embora! Infelizmente isto é um reflexo da total falta de cultura e bom senso de nossa Sociedade. Nesta universidade há um estacionamento enorme para carros, e mesmo assim  estacionam de qualquer forma, em frente a rampa para cadeirantes e em outros locais proibidos e ninguém fala NADA e ainda transitam por aqui em velocidades nada compatíveis com um “estacionamento”, e ninguém reclama?
Instalam umas “porcarias” de estruturas “entorta rodas” de bicicletas em locais “escondidos” e querem que eu deixe minha Bici, que custa mais que meu salário mensal, literalmente abandonada?
Eu estava errado de ir de Bicicleta? Se tivesse ido de carro eu teria local seguro para o mesmo e ainda poderia estacionar onde quiser, como outros fazem e ninguém reclamaria,  afinal de carro deixam? Será que temos que começar a atropelar pessoas, estacionar sobre os passeios, impedir cadeirantes de transitar, bloquear passagens, buzinar, andar quase sempre em alta velocidade colocando em risco de morte todos que estiverem na frente, como fazem quase todos os motorizados, para que tenhamos respeito também?
Pois é, tá difícil aguentar a total falta de respeito, principalmente pelos motorizados, quando se é Pedestre ou Ciclista!!!

Bem podem notar pelo parágrafo acima que estava realmente chateado e muito transtornado pela total falta de bom senso, de respeito, falta “de tudo”. Resolvi então sair para pedalar sem destino, pedalar para gastar as energias, pedalava forte seguindo as ruas sem saber onde ir, só queria pedalar descarregar a energia, pedalar, pedalar…….
Lembrei que hoje acontecia o pedal do Projeto Novos Horizontes e resolvi tentar encontrar a turma. Continuava pedalando forte buscando a galera, quando cruzava a SC enxerguei eles no acostamento, algumas apitadas e a galera sabia que era eu. Nos encontramos e retomamos a pedalada, entre conversas e risadas, ‘minha chateação’ começou a sumir. Paramos num bistrô onde tomamos um café, água e comemos um pouco. Abastecidos continuamos a pedalar, entre várias subidas acabamos por fazer um belo exercício. Retornamos ao Café dos Esportes onde sentamos para comemorar os seis meses, conversar e dar risadas e já pensando no aniversário de 1 ano do Projeto Novos Horizontes.

Clique sobre as fotos das Bicicletas tandem para ver outras fotos deste pedal.


No topo do Morro da Lagoa, faltando menos de 3 km para fechar 100 km.

Comecei mal este sábado mas, graças a minha bicicleta consegui pelo menos melhorar meu “humor”, mesmo tendo sido “obrigado” a perder compromissos profissionais.

Pedalei mais de 10o km neste sábado…. 

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quatro dias sem morte …

Notícia publicada no DC em 19/08/2011: Pela primeira vez em 2011, rodovias federais em SC ficam quatro dias sem acidentes com morte …

Velocidade Urbana!

Fundamental para a segurança e humanização das cidades, é a redução das velocidades permitidas aos automotores. É bem sabido que a grande maioria, se não todos os sinistros graves de trânsito são decorrentes dos excessos de velocidades praticados por uma grande parcela de MALtoristas.

Domingo cedo, na Av. Beira MAr Norte, uma via em ótimas condições e mesmo assim “carros” se envolvem em sinistros de trânsito. Aqui não tem a famosa desculpa que a via está ruim, que há buracos na pista, etc, etc, etc, o que temos aqui é reflexo da IMPUNIDADE de que podem dirigir como querem e nada acontece, mesmo quando cometem crimes de trânsito.  Se a via está ruim com mais razão ainda os sinistros não deveriam ocorrer, pois se, DEVE-SE TRANSITAR A BAIXA VELOCIDADE E COM ATENÇÃO !!!

Domingo 7:00h, restos de um sinistro de trânsito recente. Na curva pouco depois do guard-rail registrado dias atrás (velocidade urbana) outra vez o guard-rail destruído e notem que a pista está boa, asfalto liso, bem sinalizada, sem buracos e mesmo assim o sinistro ocorreu, tudo em decorrência do abuso e das velocidades permitidas nesta via. É impraticável querer segurança e autorizar 80km/h numa via urbana onde ao lado, separados na maior parte de sua extensão apenas por um meio fio de 20 cm de altura e meio metro de largura PEDESTRES e CICLISTAS transitam a toda hora do dia. E mesmo com o “famoso” guard-rail, se no momento estivesse passando um ciclista seria atingido e provavelmente ferido gravemente e até morto.

Qualquer pessoa com um mínimo de BOM SENSO não pode concordar com estas velocidades em áreas urbanas.  Lembrem-se que dirigir a 80km/h ou a 40km/h não vão fazer diferença nos horários de chegada, mas farão uma gigantesca diferença na segurança do trânsito urbano se a velocidade for de 40km/h. A VIDA, A TUA VIDA AGRADECE !!!

   
Radares nas ruas são fundamentais e com limites de velocidade (BAIXAS VELOCIDADES) compatíveis com a segurança de todos.

TRÂNSITO, PORQUE NÃO APRENDEMOS?


Radares nas ruas são fundamentais


Radares nas ruas são fundamentais para a redução das velocidades permitidas aos motorizados, se quisermos um mínimo de segurança para poder transitar em nossas ruas. Quem defende sua retirada, esquece que também são pedestres na maior parte do seu tempo.

A velocidade urbana deve ser drasticamente reduzida!


Infelizmente só atingindo o bolso conseguiremos educar esta parcela irresponsável de nossa Sociedade, campanhas educativas tem sido inúteis diante do individualismo e egoísmo destes MALtoristas.

Floripa tem um grave “problema” que são as SC, rodovias estaduais que com o tempo se transformaram em ruas urbanas, mas suas velocidades continuam como se fossem estradas. Ao longo destas vias temos escolas, comércio, residências, enfim a cidade e seus moradores que constantemente são colocados em risco de morte, muitos são “assassinados”, pelo mal e mau uso dos motorizados.

Cidades foram feitas para as pessoas e atualmente aproximadamente 50% delas são ocupadas em função dos carros. Não é uma questão de ser contra o carro, apesar que sobram motivos para (como um invento que contamina o ar que respiramos, pode ser algo bom?), mas temos que começar a “re-humanizar” nossas cidades. Uma pergunta com relação ao trânsito (porque não aprendemos?) que foi feita no Fórum sobre Mobilidade Urbana realizado aqui em Florianópolis, deixou claro o caos de insegurança que criamos em nossas cidades, a pergunta foi; 

-Você deixaria seu filho de 10 anos andar sozinho nas ruas?
-Não, nunca !
E todos com a mesma explicação;
-O trânsito de carros nas ruas não deixa (
por medo da extrema velocidade permitida aos carros, e profundo desrespeito ao Código de Trânsito por uma grande parcela de MALtoristas, que acaba gerando a violência em nosso trânsito).

Temos uma demanda reprimida muito grande de pessoas que gostariam de caminhar mais e utilizar a Bicicleta como transporte na cidade, mas o trânsito sem respeito e educação “instalado” em nossa Sociedade, afasta os usuários de Bicicletas das ruas. 


Chega de IMPUNIDADE

Publicado no Diário Catarinense de 18/julho/2011.

Chega de impunidade

Revoltante, uma pequena parte da Sociedade chora. (Sim, pois a “grande maioria” acha que não é com ela ou que “comigo isso não vai acontecer”)

Mais uma vítima do trânsito assassino de Florianópolis. A Vó e a neta passeando, caminhando pela cidade são atropeladas por mais um “motorista embriagado”, na Av. Hercílio Luz. 

Chega, até quando teremos que ver este tipo de violência, quantas pessoas terão que ser mortas para que definitivamente alguma “coisa” seja feita? Carro é sim uma arma, na mão de MALtoristas, individualistas, egoístas e ainda por cima bêbados.

Por favor, chega de IMPUNIDADE. O trânsito atualmente é um dos, se não, o maior desastre sócio-ambiental do Estado de Santa Catarina. 

Chega de IMPUNIDADE em nome da vida.

Comportamento individualista …

Mais um artigo demonstrando o que venho dizendo há tempos. Enquanto a postura daqueles que integram o trânsito, sejam motoristas de automotores, pedestres e Ciclistas, for o atual comportamento individualista e egoísta (por uma grande parcela de pessoas) nosso trânsito será ou continuará violento e assassino !!!

Matéria abaixo, uma dica da minha amiga Ivanete. 

Sem fiscalização, motoristas não dão a vez, e pedestres se jogam na frente dos carros mesmo com o sinal verde para os automóveis

Débora Klempous/ND

Na Lauro Linhares, Trindade, a mulher com carrinho de bebê desvia carro estacionado na calçada.

O comportamento individualista de motoristas e de pedestres, e a falta de fiscalização policial têm transformado o trânsito de Florianópolis numa guerra de perdedores. Observar o movimento é se deparar com situações que dificultam a mobilidade e aumentam o risco de acidentes, mas que poderiam ser facilmente evitadas. Estacionar em fila dupla ou não dar a vez para o pedestre na faixa, e o pedestre, que praticamente se joga na frente dos carros com o sinal está verde para os automóveis – especialmente na praça 15 e em frente ao Ticen – são reflexos da falta de fiscalização e de educação para o trânsito.

“Falta consciência de risco, as pessoas nunca acham que o acidente vai acontecer com elas. Falta entendimento de que todos vivem em um espaço público e devem respeitar o espaço do outro”, comenta a psicóloga do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), Rosângela Bittencourt. Segundo ela, apenas 10% das infrações são notificadas. Os motivos das imprudências são inúmeros e vão desde falta de planejamento de vida até fatores emocionais. “Os pedestres, por exemplo, estão com pressa, não veem o carro vindo e atravessam. O mesmo acontece para motoristas”, analisa.

Por esses motivos, a doutora em engenharia de transportes Lenise Grando Goldner explica que 70% dos acidentes são causados por atitudes humanas, como desrespeito da lei e falta de educação. “Os fatores viários-ambientais representam 25% junto com os humanos. Isso demonstra que buracos na via, falta de sinalização, deficiências na infraestrutura, chuva, neve, entre outros, também causam acidentes, mas o índice não é tão grande”, complementa.

Solução pode estar na educação

Para a professora Lenise Goldner, uma fiscalização efetiva no trânsito e educação poderiam resolver essa guerra no trânsito. “O que outros países tem e nós não temos é justamente isso. A fiscalização forte inibe esse comportamento e promove a educação. Além disso, se desde o ensino fundamental até a faculdade as pessoas tivessem educação no trânsito seriam adultos mais conscientes”, observa.

Porém, a psicóloga Rosângela Bittencourt acredita que a punição das condutas infratoras apenas não faria com que as pessoas mudassem de atitude. “Isso vem da cultura e da educação. A segurança no trânsito depende do bom senso. O indivíduo tem que aprender a se autofiscalizar”, diz.

Na Capital, o diretor de operações do IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) e autoridade municipal de trânsito, Maycon Baldessari, afirma que a Guarda Municipal possui 147 agentes de trânsito.

O ideal para uma fiscalização mais efetiva das imprudências em Florianópolis seria um número muito maior que esse, afirma. “Contamos com a ajuda ainda dos policiais militares, porém seria preciso de 400 a 500 agentes. Ainda falta educação dos motoristas na cidade”, diz ele.

Trânsito (porque não “apreendemos”?)

Educação é feita por meio de punição

26 de junho de 2011 | N° 9212

EDUCAR E FISCALIZAR

LIÇÃO QUE VEM DE FORA

Especialistas da Espanha e da Austrália mostram ações que reduziram as mortes no trânsito em seus países 

O carro em chamas, o motorista sem carteira, vidas ceifadas. O acidente da madrugada do último domingo que envolveu o jogador Eduardo Francisco da Silva Neto, o Dudu, do Figueirense, e que causou a morte de três pessoas, reforça o alerta sobre a violência no trânsito de Santa Catarina, o mais perigoso do país. Só neste ano, mais de 414 pessoas morreram nas rodovias federais e estaduais. A experiência de outras nações mostra que a mortandade pode ser reduzida consideravelmente com trabalho de educação, melhoria das vias e fiscalização rígida.
 Mas por que Santa Catarina e o Brasil ainda não avançaram na segurança de trânsito? Com 13 anos de existência, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é tido como um dos mais avançados do mundo. Mas ainda não é tão respeitado como deveria. Para o presidente do Movimento Nacional de Educação no Trânsito (Monatran) – com sede em Florianópolis –, Roberto Alvarez Bentes de Sá, dois motivos são a falta de fiscalização e a morosidade da Justiça.

– Dudu, com 33 anos, nunca tirou a carteira de motorista. Como ninguém parou ele antes? Temos um problema sério de fiscalização. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) tenta fazer um bom trabalho, mas enquanto o número de carros aumenta, o efetivo é o mesmo desde 1980 – critica Sá, sobre o caso do atleta do Figueirense que foi autuado em flagrante por homicídio culposo – sem intenção de matar –, pagou fiança e foi libertado.

O presidente do Monatran, também lembra o caso do ex-jogador Edmundo, que, em 1995, bateu o carro, no Rio de Janeiro, provocando a morte de três pessoas. Para ele, outro acidente que gerou a sensação de impunidade, dando mau exemplo. Edmundo foi preso em 15 de junho deste ano, mas um dia depois foi solto, por meio de um habeas corpus, porque ainda cabem recursos.

Educação é feita por meio de punição

No seminário da Volvo OHL sobre a década mundial de ações de segurança de trânsito, realizado este mês em Brasília, o diretor geral de Tráfego da Espanha, Pere Navarro, afirmou que, em 2003, o país europeu decidiu reduzir em 50% as mortes no trânsito. Lá, a punição de quem desrespeita as regras é tida como um meio de educar. Uma das primeiras medidas foi contratar mais 1,5 mil policiais rodoviários, além de promover campanhas publicitárias de impacto e ampliar o número de radares fixos.

O resultado espanhol foi melhor do que o esperado. O país de 40 milhões de habitantes conseguiu reduzir em 57% a mortalidade, que era de 3.993 em 2003 para 1.717 em 2010.

Em SC, o número de mortes foi a metade, 850. A diferença é que a população é seis vezes menor. No Brasil, o total 38 mil mortes.

– Nosso país tornou o tema uma prioridade de governo e mobilizamos a sociedade. Só que é preciso fazer a lei ser cumprida. Se alguém está com a carteira suspensa e continua dirigindo, é preso em nosso país (o mesmo não acontece no Brasil) – explica Navarro.

O consultor de trânsito do Banco Mundial (Bird), o australiano Eric Howard, também participou do seminário em Brasília, e comentou a mortalidade no trânsito catarinense, com base na estatística de 2007 do Ministério da Saúde.

O número de mortos foi de 33,1 por grupo de 100 mil habitantes, superior ao índice brasileiro (18,9). Howard afirmou que essa realidade pode ser mudada com um programa de segurança, que integre todas as instâncias envolvidas no trânsito.

Em 1970, o Estado de Victoria, na Austrália, tinha uma índice alto, 30 mortes por 100 mil habitantes, muito parecido com a de Santa Catarina. Após uma forte ação do governo para reduzir a mortalidade, o índice diminuiu para 5,2 por 100 mil habitantes.

– O incrível é que o sistema viário daqui é uma verdadeira tragédia e poucas ações são feitas – lamenta o especialista australiano.


PERE NAVARRO – Diretor geral de Tráfego da Espanha

“Nosso país tornou o tema uma prioridade do governo e mobilizamos a sociedade. Se alguém está com a carteira suspensa e está dirigindo, é preso em nosso país”.

ERIC HOWARD – Consultor de Trânsito do Bird

“O incrível é que o sistema viário daqui é uma verdadeira tragédia e poucas ações são feitas”.

ROBERTA KREMER
Publicado originalmente no Diário Catarinense, ver aqui

Onde estão as diferenças

– Legislação – A legislação de trânsito brasileira é considerada avançada e é similar à da Espanha, uma das mais severas da Europa. Alguns artigos da nossa lei são mais rígidos do que do país europeu, como o índice máximo de álcool no sangue para dirigir. No Brasil é 0,2 grama de álcool por litro de sangue (praticamente o consumo de qualquer quantidade de bebida). Na Espanha é de 0,5.

– Bafômetros – Se a lei no Brasil sobre a combinação álcool e volante é mais severa, difícil é confirmar o consumo de bebidas alcoolicas. Enquanto aqui o motorista não precisa fazer o teste porque não é obrigado a produzir provas contra si, como ocorreu com o jogador Dudu, na Espanha e na Austrália o bafômetro é obrigatório, e quem não se sujeitar é considerado embriagado. De acordo com o consultor Eric Howard, o direito individual não pode superar o coletivo. Na Espanha, 20% dos motoristas passam pelo teste anualmente.

– Radares – No Brasil, os radares fixos devem ser precedidos de uma placa avisando a existência do dispositivo no local. Conforme o sargento da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), Rafael Nicoleite, muitos motoristas dirigem acima da velocidade na rodovia e reduzem apenas no trecho onde está a placa de alerta. Na Espanha e na Austrália não há aviso prévio para forçar os condutores a trafegarem abaixo da máxima permitida em toda a malha viária. Isso porque, segundo Howard, a alta velocidade é a principal causa de mortes no trânsito.

– Órgão e observatório de segurança de trânsito – Tanto na Espanha quanto na Austrália, assim como na maior parte da Europa, há um órgão federal específico para tratar da segurança do trânsito. A entidade é responsável por liderar campanhas e fiscalizações. Os países também contam com seus observatórios, responsável por fazer estatísticas dos acidentes para basear as políticas públicas. No Brasil, a responsabilidade é pulverizada pelo Ministério das Cidades, Saúde, Educação e Transportes, e acaba não tendo uma estratégia única de ações. Nos estados é similar. Não há unidade, as polícias rodoviárias contabilizam as mortes no local, o Ministério da Saúde levanta os números nos hospitais e não se tem um índice total e preciso.

– Campanhas – No Brasil, as campanhas são esporádicas, a exemplo de uma recente veiculada na televisão, pelo governo do Estado. O tema era segurança dos motociclistas. Entre abril e maio, o vídeo, que mostra um menino com o rosto machucado, se regenerando enquanto fala que o pai usa capacete, foi apresentado. Ainda não há previsão de novas inserções.

Para o consultor Eric Howard, as campanhas devem durar todo o ano, pois são uma forma de educar a população, principalmente quando a cultura local ainda é de desrespeitar as leis de trânsito. O diretor geral de Tráfego da Espanha, Pere Navarro, defende que as campanhas devem ser duras para chocar. Uma campanha do seu país mostra uma criança sendo arremessada do banco traseiro por não estar na cadeirinha de segurança.

– Educação – Na Espanha, o governo investe em ensinar os valores do trânsito na escola, como respeitar a faixa de pedestre e não tentar se prevalecer, como em ultrapassagens pela direita. Em Santa Catarina, existem alguns trabalhos nessa direção como a de educação para o trânsito do Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat) de Florianópolis, feito com as escolas da Capital, junto à Guarda Municipal. O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) também tem um projeto que alcança ainda mais crianças, com a oferta de cursos para professores de ensino fundamental. O programa já atingiu 480 mil alunos. Mas boa parte dos estudantes catarinenses não tem acesso às informações, já que são mais de 1,3 milhão.

– Estradas – A situação das estradas é um quesito que influencia na ocorrência de acidentes. Prova disso é que no país onde menos morrem pessoas no trânsito, a Suécia, as rodovias estão entre as melhores do mundo. Segundo Howard, nesse país as vias são duplicadas, com barreiras no centro e laterais da pista para evitar as batidas de frente e em outros obstáculos, como árvores – os que mais resultam em morte. Além disso, se evitam cruzamentos, optando pelas rotatórias. Em Santa Catarina, fatores geográficos, como muitas serras e curvas e a grande faixa de rodovias simples, contribuem para o maior número de mortes por quilômetro de rodovias federais no país.

Casos na Justiça

TRÊS MORTES EM BLUMENAU

Na madrugada de 21 de dezembro de 2009, Lucas Spernau, na época com 19 anos, bateu contra um táxi em um cruzamento. Três pessoas morreram e uma ficou ferida. Segundo o processo, o jovem, que é filho do ex-prefeito de Balneário Camboriú, Rubens Spernau, dirigia em alta velocidade e com faróis apagados. O Tribunal de Justiça de SC determinou que ele pague pensão alimentícia à filha de uma das vítimas. Lucas responde em liberdade e deve ir a júri popular.

TRIATLETA ATROPELADO

O triatleta Rodrigo Machado Lucianetti, 34 anos, morreu um dia depois de ser atropelado por Thiago Luiz Stabile, 21 anos, em agosto de 2008. O motorista saiu com o carro Gol da pista da SC-402, no Norte da Ilha. Após passar pelo teste do bafômetro, foi detido em flagrante por estar embriagado. A Justiça determinou que Thiago vá a júri popular, mas em dezembro de 2010 ele recorreu.

MOTOCICLISTA MORRE

Monique Minella, 21 anos, morreu em uma batida quando voltava para casa com sua motoneta na Praia de Zimbros, em Bombinhas. Ela estava grávida. A moto foi atingida pelo Astra da advogada Nádia de Souza Ibrahim, 41 anos, em outubro de 2009. A causadora do acidente estava com suspeitas de embriaguez. Também estava com a habilitação suspensa. Nádia foi autuada por homicídio doloso, quando há intenção de matar. Em 2010, ocorreram três audiências de instrução. Ela responde em liberdade.

Velocidade urbana

Florianópolis precisa de medidas para a redução da velocidade permitida aos automotores que transitam em nossas ruas. É impraticável a humanização e a segurança no trânsito com as atuais velocidades “autorizadas” em nossas vias e agora, com esse problema nos radares, em vez de colocarmos muitos mais, necessários, estamos retirando de ação os poucos que temos. Excesso de velocidade é o grande motivo da violência em nosso trânsito,  aliada a impunidade tendo pouquíssimos infratores autuados. Não, nós não temos uma indústria de multas, temos sim, uma fábrica de infratores. 

Publicada no DC de 23/maio/2011, original on-line aqui.