Danielbiologo's Blog

Desafio Intermodal 2011

Quinta feira dia 15 de setembro, dia marcado para o DI 2011. Neste ano minha participação seria como “recepcionista”, ficaria na chegada (Largo da Alfândega) marcando o tempo de cada modal  participante.
(Desafio Intermodal 2011)

Dia de trabalho realizando algumas vistorias na Ilha de SC, carregando papéis/documentos e mapas estava de carro. Terminando os compromissos do dia, no retorno encontro, a Av. Beira Mar Norte toda congestionada, parada. Olho para o relógio e percebo que a hora avança e eu parado, depois de 45min para percorrer 3 km chego ao estacionamento, saio correndo (a pé) deixo os documentos no trabalho pego os materiais e vou para o ponto de chegada. Antes disto fiquei por longos minutos pensando que não conseguiria chegar, olhava ao meu redor e só enxergava carros parados com apenas um passageiro, muitos resmungando, muitos buzinando para outros, muitos xingando …. o estresse e gases tóxicos inundavam as gotas de chuva que caiam em Floripa. Pensei, que ironia, eu como “coordenador e cronometrista” da chegada, não chegaria. Imaginava meu relato; não cheguei a tempo pois fiquei preso no congestionamento. Lembrando que o congestionamento não é um problema, é apenas uma relação causa e efeito ou seja, é como que dizer, você não está em um congestionamento, você é um congestionamento = reflexos da priorização do transporte individual motorizado.

UFA ! Cheguei 20 minutos antes do horário previsto para a largada, com chuva fina persistente coloco minha capa de chuva, ligo para o Fabiano e acertamos os ultimos detalhes.
Pelo celular aviso ao Fabiano -LARGA, e começa o Desafio Intermodal 2011.

Relato do DI 2011 no Bicicleta na Rua, leia aqui e os tempos, aqui.

Teaser do DI 2011 por Vinicius, veja aqui.

Minhas poucas fotos, aqui.

“Quando fui convidado pra fazer o percurso, de carro, fiquei bastante  chateado, pois no ano passado, por estar de braço quebrado, não tive  como escapar da incômoda tarefa de levar a jornalista e a minha  bicicleta, dentro da latinha com rodas. Cheguei na UFSC, um pouco antes do horário, depois de levar uma hora,  pra ir do Campeche até ali, em virtude das obras de implicação da SC  406, que faz duplicar o tempo que eu levo de bicicleta. O Fabiano me  avisou que eu iria, a pé, pelo Suli. Fiquei feliz, pois passaria, de  novo, por um trecho que muitas vezes passei com passeatas e protestos,  podendo observar as mudanças da urbanização do Saco dos Limões, nos  últimos tempos. A chuvinha miúda, recém chegada, foi a companheira dos primeiros  passos, seguindo junto com os carros, que passavam, lentamente,  permitindo que eu interagisse com os passageiros e motoristas, sem que  ninguém tivesse me oferecido carona, ou mesmo um questionamento, pelo  fato de eu ir caminhando. O trânsito só transitou depois do morro da  Carvoeira, quando perdia os carros de vista. O que pude ver é que a  maioria deles levava apenas um ser humano, tornando a relação  custo/benefício bastante desfavorável a eles. Diferença esta,  manifesta nas protuberâncias glúteas e abdominais, que, flácidas,  circulam preguiçosas, acumulando cólicas, asmas e colesterol. Por  isso, preferi seguir pensando em coisas mais agradáveis. Lembrava do tempo que havia um pequeno córrego, trazendo água  cristalina do alto do Morro da Cruz, rumo ao mangue do Itacorubi, que  seguia à estrada até os domínios da Universidade. Isso lá pelos anos  que se comprava leite em garrafa de vidro e o padeiro passava de  galiota, puxado por um pangaré ensinado. A chegada da moradia  vertical, na descida da Carvoeira, diminuiu a área de visibilidade do  Saco dos Limões, e o aterro levou o berbigão para mais longe um  pouquinho. Não sei se ainda se pode catar berbigão, porque muito  cagalhão ainda desce pelos valões, contribuindo para a propagação de  microorganismos aquáticos, que alteram sensivelmente a rotina dos  diversos comensais que se apropriam daquele ambiente. Chegando no José  Mendes, vi que não há mais fábrica de refrigerantes, e a loja de  automóveis virou templo ecumênico. Na curva do Penhasco, pude  agradecer a Nossa Senhora da Liberdade, pela oportunidade de estar  curtindo uma paisagem de cartão postal. Faltava muito pouco pra  terminar minha jornada, num final de tarde feito sob medida, pra saber  com quantos passos se faz uma jornada. Depois de atravessar a cracolândia, que estava esvaziada, ganhei a  passarela e a parte mais sombria do trecho. Logo quando estava na  entrada da Cidade, percebi o quanto aquele local é abandonado. Alguns  mendigos, um butequinho e uma escuridão de cemitério compõem a  paisagem mórbida do meu momento de chegada. Só aí eu pude perceber  porque a maioria das pessoas não faz este trajeto, da forma lúdica e  saudável que eu estava fazendo, mais uma vez. Apesar de todo meu  prazer de ter feito aquele passeio, as condições das calçadas, o  desconforto das perseguições dos carros, que na ânsia de levar seus  motoristas para casa, atropelam o pedestre, este ser tão estranho que  insiste em ser humano. Quando cheguei, fui informado que o secretário ainda não havia  chegado, pelo seu sistema de transporte desintegrado. Eu levei menos  de uma hora, e apenas quinze minutos a mais que o auto(i)móvel. Com  certeza, o estresse que o motora teve, durante seus momentos de  estacionalidade, foi muito maior que o meu prazer, de ter curtido uma  caminhada animada. O problema é que o dele vai para a coluna do custo,  enquanto o meu consta como benefício. Portanto, muito mais saudável e  sustentável. Valeu, galera, pelo encontro festivo com todos nós. O Fabiano, o  Daniel Biólogo Presidente da Viaciclo, a gurizada animada, o Audálio,  que quando chegou saía fumaça por todos os poros, a chuva, os buracos  da calçada, a fumaça de olhodiesel dos ônibus lotados, e todos os que  eu encontrei, que tornaram possível este instante de prazer e curtição.” 
Huli Huli
Pereira

Huli Huli,
Seus relatos são sempre a melhor parte,
“eu si divirtu” lendo, ao mesmo tempo que fico chateado pela forma como nossa sociedade caminha, aliás não caminha!!!

Fico muito contente de poder participar destes eventos onde pessoas do bem, querem apenas fazer o bem, bem feito !!!

Muito Obrigado a todos vocês,
são vocês que não me deixam perder a esperança nesse tal do Bicho Homem.

DanielBiólogo de A. Costa 

Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis   http://www.viaciclo.org.br

Ótimos depoimentos, o do Huli-Huli Pereira foi excelente! Faço minhas as palavras do Daniel, se ele permitir! 🙂

Há 3 anos participo deste desafio. E tem sido um desafio para mim, que faço da bike meu principal meio de transporte. Como nos últimos 2 anos participei correndo, pude perceber que é bem prazeroso correr, mas ainda prefiro a bicicleta 🙂

Este ano achei q a cobertura por parte da imprensa foi bem menor… Seria importante divulgar mais, pois, quem sabe, mais pessoas tomando conhecimento de que existem outros meios de transporte além do carro, a saúde das pessoas e da cidade não venha a melhorar?

No mais, agradeço a todos pela oportunidade de participar e, se for possível, ano q vem estarei participando novamente!

Abraços,

Audálio Jr

ps: foi uma grata surpresa ver dois colegas ciclistas dos Ingleses (q tb pedalam para o trabalho até o Itacorubi) participando juntos do desafio pela Rota Norte: o Cássio (correndo) e o  Felipe (pedalando).

Cássio Engel Vidal escreveu:

Cara,
Pena que não sei escrever tão bem como vocês, mas realmente o prazer de ir correndo e interagir com a natureza(poluição) é muito gratificante, ver que não é preciso estar preso as máquinas do progresso, que você pode ser mais rapido e ainda tirar todo o stress de uma semana de trabalho, é muito bom…
Todos os dias eu e meu colega e as vezes quando acordamos cedo e conseguimos pegar uma carona com o Audalio, viemos os três dos ingleses até o itacorubi, ainda não tivemos coragem de fazer a volta, mas já é um começo, e com certeza uma valvula de escape para toda a pressão e correria do dia a dia, que infelizmente a nossa sociedade continua a aumentar e chamar isso de progresso.
Não sei que progresso é esse que nos tira a segurança, o convivio com a familia e a saude, como vc’s disseram, por causa do progresso a sociedade tem a tendencia de ficar sedentária e sem saude, aonde vamos parar ?

Pela falta de Bom Senso e Cultura (ciclística) perdi a aula ….

Saí um pouco depois do horário, pouco atrasado para a aula. Pedalando tranquilo, pois já estava atrasado mesmo, segui meu caminho pela Av. das Rendeiras, logo na saída da ponte um LandRover em alta velocidade ultrapassa neste local totalmente sem condições empurrando outros carros para os inexistentes acostamentos e eu ainda fiquei no meio desta confusão com minha Bicicleta. Impressionante mas, o individualismo e falta de respeito com os demais, gerando risco real de morte , parece aumentar proporcionalmente com o valor do carro e com “certeza” da impunidade !!!


Comecei a subida do Morro da Lagoa e poucos minutos depois um ônibus da transol, sem reduzir a velocidade e sequer um leve desvio para me ultrapassar com um mínimo de segurança, passa por mim como se eu não estivesse ali, desrespeitando os Art. 201 e 220 do CTB. Para logo em seguida ficar “parado” no congestionamento ainda ‘pequeno’ por ser um sábado,  e o pior de tudo é que este deveria ser um motorista profissional!!!

Aproximadamente 9h cheguei na universidade e como sempre iniciei a subida pela rampa levando comigo a
Bicicleta, ao final da rampa fui questionado pela segurança patrimonial aonde estava indo, respondi que para a sala de aula e prontamente falou que não poderia levar a Bici junto. Respondi, ok, afinal eu estava errado e como não tinha onde deixar meu veículo fui embora! Infelizmente isto é um reflexo da total falta de cultura e bom senso de nossa Sociedade. Nesta universidade há um estacionamento enorme para carros, e mesmo assim  estacionam de qualquer forma, em frente a rampa para cadeirantes e em outros locais proibidos e ninguém fala NADA e ainda transitam por aqui em velocidades nada compatíveis com um “estacionamento”, e ninguém reclama?
Instalam umas “porcarias” de estruturas “entorta rodas” de bicicletas em locais “escondidos” e querem que eu deixe minha Bici, que custa mais que meu salário mensal, literalmente abandonada?
Eu estava errado de ir de Bicicleta? Se tivesse ido de carro eu teria local seguro para o mesmo e ainda poderia estacionar onde quiser, como outros fazem e ninguém reclamaria,  afinal de carro deixam? Será que temos que começar a atropelar pessoas, estacionar sobre os passeios, impedir cadeirantes de transitar, bloquear passagens, buzinar, andar quase sempre em alta velocidade colocando em risco de morte todos que estiverem na frente, como fazem quase todos os motorizados, para que tenhamos respeito também?
Pois é, tá difícil aguentar a total falta de respeito, principalmente pelos motorizados, quando se é Pedestre ou Ciclista!!!

Bem podem notar pelo parágrafo acima que estava realmente chateado e muito transtornado pela total falta de bom senso, de respeito, falta “de tudo”. Resolvi então sair para pedalar sem destino, pedalar para gastar as energias, pedalava forte seguindo as ruas sem saber onde ir, só queria pedalar descarregar a energia, pedalar, pedalar…….
Lembrei que hoje acontecia o pedal do Projeto Novos Horizontes e resolvi tentar encontrar a turma. Continuava pedalando forte buscando a galera, quando cruzava a SC enxerguei eles no acostamento, algumas apitadas e a galera sabia que era eu. Nos encontramos e retomamos a pedalada, entre conversas e risadas, ‘minha chateação’ começou a sumir. Paramos num bistrô onde tomamos um café, água e comemos um pouco. Abastecidos continuamos a pedalar, entre várias subidas acabamos por fazer um belo exercício. Retornamos ao Café dos Esportes onde sentamos para comemorar os seis meses, conversar e dar risadas e já pensando no aniversário de 1 ano do Projeto Novos Horizontes.

Clique sobre as fotos das Bicicletas tandem para ver outras fotos deste pedal.


No topo do Morro da Lagoa, faltando menos de 3 km para fechar 100 km.

Comecei mal este sábado mas, graças a minha bicicleta consegui pelo menos melhorar meu “humor”, mesmo tendo sido “obrigado” a perder compromissos profissionais.

Pedalei mais de 10o km neste sábado…. 

Protegem os carros …?

Posted in Falta de Educação, Respeito e Bom Senso. by danielbiologo on 7 de agosto de 2011

Dia 30 de julho pedalando pela Ciclovia de Lazer da Av. Beira Mar Norte, pouco antes do meio dia, enquanto me dirigia ao Café dos esportes fazer um lanche no intervalo do dia de aula, passei por um grupo de trabalhadores da COMCAP que faziam a limpeza e o corte da grama dos canteiros. Tudo bem não fosse o ABSURDO que vivenciei. Durante a operação do cortador de grama é utilizada uma barreira, uma proteção para evitar que fragmentos e pequenas pedras atinjam quem passa ao lado. Eu fui atingido por uma pedrinha no capacete e logo atrás de mim um casal que pedalava também foi atingido. REPARARAM NO EXTREMO ABSURDO! A proteção era só para os carros que passavam pela via….pedestres e ciclistas eram “alvejados” sem problema ???

Motoristas, Respeitem o CTB !

Publicado do DC de 27/jul/11, clique sobre o recorte do jornal para ir ao original on-line.
Ontem (ver aqui) fui jogado para fora da rua por um MALtorista individualista, egoísta, imprudente, irresponsável e possível criminoso. Se eu não tivesse um pouco de experiência sobre minha Bicicleta, um grave sinistro de trânsito com feridos e até morte poderia ter acontecido. Por causa disto e de tantos MALtoristas, é que temos uma grande demanda reprimida de pessoas que gostariam de caminhar e utilizar a Bicicleta como transporte nas ruas das cidades e não o fazem, pelo MEDO REAL de serem “atropeladas” pelo extremo mal e mau uso dos automotores.

Cheguei em casa “BASTANTE CHATEADO” e preocupado pelo comportamento de uma grande parcela de pessoas que só pensam em seu “próprio umbigo”, acham que a rua é propriedade particular e podem fazer o que quiserem.
Certamente estes comportamentos são reflexos da IMPUNIDADE instaurada em nossa Sociedade e que transformam nosso trânsito em um dos maiores desastres sócioambientais, responsáveis por milhares de vítimas e gastos absurdos de dinheiro, simplesmente pelo enorme desrespeito ao Código de Trânsito Brasileiro.


Lembrando que podemos ser donos de um carro,

mas não somos donos das ruas.

São Infrações;
Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta.
Art. 220. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito, ao ultrapassar ciclista.

Ao chegar em casa fiz o relato, escrevi para a Prefeitura Municipal de Florianópolis e para a mídia impressa. Está cada vez mais difícil o trânsito em nossas ruas. O excesso de carros, as absurdas velocidades “autorizadas” aos automotores de transitarem na área urbana e este profundo desrespeito as regras de circulação, como exemplos cito os Art. 201 e 220 do CTB e o estacionamento sobre passeios e em locais proibidos são responsáveis por grande parte dos congestionamentos e sinistros de trânsito, além de causar enorme risco aos pedestres que tem seus caminhos bloqueados e da mesma forma os ciclistas que tem o bordo da pista também bloqueados pelo estacionamento irregular.
Chega a ser “engraçado” (ou seria triste?) perceber que uma parcela de motoristas dos carros, reclamam de pedestres e ciclistas que andam muitas vezes mais rápido que ele nos congestionamentos, mas não reclamam daquele MALtorista que estacionou o carro na sua frente impedindo o fluxo do trânsito. A grande parte dos congestionamentos são causados pelos próprios motorizados que não respeitam um mínimo de Bom Senso e as próprias LEIS.

“Cidades com maior número de Bicicletas nas ruas, apresentam uma melhor qualidade de vida”

Por que não pedalar na contramão?

Ontem conversando com um amigo, ele me disse que tinha um texto muito legal sobre o assunto e que me enviaria o mesmo. Já conhecia ese texto do Vá de Bike, bastante esclarecedor e informativo para quem o lê.

Como ainda temos muitos ciclistas que transitam pela contramão aqui na Grande Florianópolis, não custa replicar o assunto e conscientizar mais “usuários das nossas ruas”.

Por que não pedalar na contramão? (Original aqui, Vá de Bike)

Relacionei abaixo vários motivos para não pedalar na contramão. Dá para escrever páginas e páginas sobre esse assunto, juro que tentei ser sucinto.

Os números entre parênteses referem-se às fontes de onde retirei as informações (citadas e linkadas no final do texto).

Não é mais rápido: Ao contrário da crença polular, ciclistas que se integram ao fluxo normal de veículos chegam mais depressa ao destino. Quando você entra na contramão tem que parar ou diminuir o ritmo a todo instante (pelos motivos expostos nos itens abaixo), enquanto integrado ao fluxo de veículos você desenvolve velocidades maiores (principalmente considerando-se a velocidade média, que é o que determina a duração do trajeto) (1).

Não é mais seguro: A maneira mais segura de pedalar no trânsito é fazer parte dele De acordo com estudos científicos sobre colisões, têm cerca de cinco vezes menos chances de colisão que ciclistas que fazem suas próprias regras em vez de se integrar às que já valem aos demais veículos (J. Forester; Effective Cycling. Cambridge, MA, MIT Press, 1993) (1). Segundo Bruce Mackey, diretor de segurança para Bicicletas em Nevada, 25% dos acidentes com ciclistas nos EUA resultam de ciclistas pedalando na contramão (6).

Não há tempo de reação: Mais de 50% dos acidentes são de responsabilidade do próprio ciclista (2) – alguns citam 90% (5) – e em menos de 1% dos acidentes o ciclista sofre uma colisão traseira (2). Você tem a sensação psicológica de que está mantendo a situação sob controle, quando na verdade NÃO ESTÁ. Se você vê um carro desgovernado vindo na sua direção, não dá tempo de desviar dele, principalmente porque suas velocidades estarão potencializadas, ou seja: a velocidade com a qual o carro se aproxima de você é a sua somada à dele. Um carro a 60km/h com você a 20 estará chegando a você a 80km/h. Se vocês estivessem na mesma direção, ele chegaria a você com metade dessa velocidade: 40km/h. Com o bom uso de um espelho e de seus ouvidos, você tem o dobro do tempo de reação. O carro também tem esse tempo e é mais importante o carro desviar de você do que você desviar dele, porque ele consegue desviar melhor. Você não consegue jogar sua bicicleta cinco metros para o lado em um segundo, mas o carro pode fazer isso se houver tempo suficiente.

Em caso de colisão, os danos ao seu corpo serão bem maiores: Pelo mesmo motivo do item anterior (soma de velocidades), se você bater de frente com o carro vai sofrer muito mais. E ainda há um agravante, a inércia. Se você está indo no mesmo sentido do carro, ele vai pegar primeiro sua roda traseira e você sairá voando por cima do guidão devido à inércia – era seu movimento anterior, a bicicleta foi agarrada pelo carro e você continuou – ou devido à transmissão de energia cinética – o carro colidiu com a bicicleta, transferiu parte do movimento para ela e conseqüentemente para seu corpo; quando a bicicleta parar uma fração de segundo depois porque a roda de trás não gira mais, seu corpo sairá para a frente com o movimento transferido. Melhor voar por cima da bicicleta em direção, provavelmente, ao asfalto livre e estacionário, do que se chocar com um parabrisa ou capô que além de estar a um metro de você no momento da colisão ainda vem em sua direção, com a força de impacto de várias toneladas.

É mais difícil evitar a colisão: Andar na contramão é chegar nos carros mais depressa (3). Trafegando em direções opostas, tanto você como o motorista precisam parar totalmente para evitar uma colisão frontal. Trafegando no mesmo sentido, o motorista precisa apenas diminuir a velocidade para evitar a colisão, tendo muito mais tempo para reagir (1).

Você surpreende os carros: Como você chega mais rápido nos carros, você os pega de surpresa. Principalmente em curvas à direita: o motorista está fazendo a curva quando de repente aparece você vindo na direção dele. Não há tempo de reação, ele não consegue frear, não pode ir para a esquerda porque há outros carros, na direita tem um carro parado. Você também não pode se jogar para a calçada, há carros parados. O que acontece? Se vocês estivessem no mesmo sentido, ele teria bem mais tempo para reagir, talvez até o dobro, e poderia apenas diminuir a velocidade para evitar a colisão. Um carro não estanca imediatamente, mesmo que o motorista queira, se esforce e tenha um freio ABS com pneus bons.

Os motoristas não te vêem nos cruzamentos: 95% dos acidentes com bicicletas acontecem em cruzamentos (2). Quando um carro entra num cruzamento, ele olha apenas para o lado do qual os carros vêm! Imagine um carro entrando numa avenida. Para que lado ele olha? Para a esquerda. Não vem carro, ele entra. Nisso você está chegando com sua bicicleta e ele te pega de frente (1). Não tem buzininha que resolva isso.

Os motoristas não te vêem ao sair das vagas e garagens: Ao sair de uma vaga em que está estacionado, o motorista olha para trás, seja pelos espelhos ou pela janela, para ver se há veículos vindo. O mesmo ocorre quando ele sai de uma garagem de prédio ou de um estacionamento. Ele não olha para a frente, afinal não vêm carros daquela direção. Você, vindo na direção do carro, nem sempre verá que o motorista vai sair da vaga e, quando vir, talvez não adiante mais frear. Ao sair, ele vai te pegar de frente, mesmo que você esteja parado. Esqueça se jogar para a calçada, há um carro estacionado do seu lado. Meus pêsames.

Os motoristas não te vêem ao abrir as portas dos carros: Se muitos já não olham pelo espelho para abrir a porta do carro e ainda culpam o ciclista por isso (4), imagine se vão olhar para a frente para ver se vem vindo uma bicicleta. A chance de levar uma portada é muito maior.

Os pedestres não te vêem: Quando um pedestre vai atravessar a rua, ele olha para o lado que os carros vêem. Preste atenção no seu próprio comportamento na próxima vez que for atravessar uma rua a pé. Com isso, pode acontecer de alguém aparecer do nada na frente da sua bicicleta, saindo do meio dos carros, de costas para você.

Se quer ser tratado como veículo, porte-se como um: Se você se comporta como um veículo, sinalizando suas intenções, respeitando mãos de direção, sinais de tráfego, faixas de pedestre e etc., os motoristas o respeitarão mais. “Se aquele cara se preocupa com tudo isso, não é um mané qualquer que está aqui só atrapalhando”. Se, por outro lado, você anda na contramão, você os incomoda (sim, isso incomoda muitos motoristas, que têm a sensação que você está ocupando um espaço que não é seu e deveria estar na calçada). Passar em todos os sinais fechados também os irrita (“o folgado ali só faz isso porque não leva multa mesmo”). Outras pequenas infrações também irritam os motoristas, seja por inveja, por uma falsa sensação de invasão de espaço pessoal ou pela sensação de injustiça (“pô, aquilo é proibido mas só porque ele tá de bicicleta ele pode fazer e eu não?”). Seja um modelo a ser espelhado e não um alvo da raiva e frustração alheia.

Você deve *ser* a mudança que deseja ver no mundo – Mahatma Gandhi

Fontes

1 Bicycling Street Smarts: Where to Ride on the Road

2 Escola de bicicleta: pedalar no trânsito

3 Guia Bike na Rua (por Cleber Anderson)

4 Medo de ciclista ou medo da própria consciência? – Reflexão sobre a coluna de Lucas Mendes

5 Traffic safety solutions in the works – Las Vegas Sun, 04/Jun/2004

6 Bicyclesafe.com – How to Not Get Hit by Cars

Para saber mais

Dicas para o ciclista urbano – Parte I: como sobreviver ao trânsito

O que o Código de Trânsito diz sobre nós ciclistas

Radares nas ruas são fundamentais


Radares nas ruas são fundamentais para a redução das velocidades permitidas aos motorizados, se quisermos um mínimo de segurança para poder transitar em nossas ruas. Quem defende sua retirada, esquece que também são pedestres na maior parte do seu tempo.

A velocidade urbana deve ser drasticamente reduzida!


Infelizmente só atingindo o bolso conseguiremos educar esta parcela irresponsável de nossa Sociedade, campanhas educativas tem sido inúteis diante do individualismo e egoísmo destes MALtoristas.

Floripa tem um grave “problema” que são as SC, rodovias estaduais que com o tempo se transformaram em ruas urbanas, mas suas velocidades continuam como se fossem estradas. Ao longo destas vias temos escolas, comércio, residências, enfim a cidade e seus moradores que constantemente são colocados em risco de morte, muitos são “assassinados”, pelo mal e mau uso dos motorizados.

Cidades foram feitas para as pessoas e atualmente aproximadamente 50% delas são ocupadas em função dos carros. Não é uma questão de ser contra o carro, apesar que sobram motivos para (como um invento que contamina o ar que respiramos, pode ser algo bom?), mas temos que começar a “re-humanizar” nossas cidades. Uma pergunta com relação ao trânsito (porque não aprendemos?) que foi feita no Fórum sobre Mobilidade Urbana realizado aqui em Florianópolis, deixou claro o caos de insegurança que criamos em nossas cidades, a pergunta foi; 

-Você deixaria seu filho de 10 anos andar sozinho nas ruas?
-Não, nunca !
E todos com a mesma explicação;
-O trânsito de carros nas ruas não deixa (
por medo da extrema velocidade permitida aos carros, e profundo desrespeito ao Código de Trânsito por uma grande parcela de MALtoristas, que acaba gerando a violência em nosso trânsito).

Temos uma demanda reprimida muito grande de pessoas que gostariam de caminhar mais e utilizar a Bicicleta como transporte na cidade, mas o trânsito sem respeito e educação “instalado” em nossa Sociedade, afasta os usuários de Bicicletas das ruas. 


Chega de IMPUNIDADE

Publicado no Diário Catarinense de 18/julho/2011.

Chega de impunidade

Revoltante, uma pequena parte da Sociedade chora. (Sim, pois a “grande maioria” acha que não é com ela ou que “comigo isso não vai acontecer”)

Mais uma vítima do trânsito assassino de Florianópolis. A Vó e a neta passeando, caminhando pela cidade são atropeladas por mais um “motorista embriagado”, na Av. Hercílio Luz. 

Chega, até quando teremos que ver este tipo de violência, quantas pessoas terão que ser mortas para que definitivamente alguma “coisa” seja feita? Carro é sim uma arma, na mão de MALtoristas, individualistas, egoístas e ainda por cima bêbados.

Por favor, chega de IMPUNIDADE. O trânsito atualmente é um dos, se não, o maior desastre sócio-ambiental do Estado de Santa Catarina. 

Chega de IMPUNIDADE em nome da vida.

Comportamento individualista …

Mais um artigo demonstrando o que venho dizendo há tempos. Enquanto a postura daqueles que integram o trânsito, sejam motoristas de automotores, pedestres e Ciclistas, for o atual comportamento individualista e egoísta (por uma grande parcela de pessoas) nosso trânsito será ou continuará violento e assassino !!!

Matéria abaixo, uma dica da minha amiga Ivanete. 

Sem fiscalização, motoristas não dão a vez, e pedestres se jogam na frente dos carros mesmo com o sinal verde para os automóveis

Débora Klempous/ND

Na Lauro Linhares, Trindade, a mulher com carrinho de bebê desvia carro estacionado na calçada.

O comportamento individualista de motoristas e de pedestres, e a falta de fiscalização policial têm transformado o trânsito de Florianópolis numa guerra de perdedores. Observar o movimento é se deparar com situações que dificultam a mobilidade e aumentam o risco de acidentes, mas que poderiam ser facilmente evitadas. Estacionar em fila dupla ou não dar a vez para o pedestre na faixa, e o pedestre, que praticamente se joga na frente dos carros com o sinal está verde para os automóveis – especialmente na praça 15 e em frente ao Ticen – são reflexos da falta de fiscalização e de educação para o trânsito.

“Falta consciência de risco, as pessoas nunca acham que o acidente vai acontecer com elas. Falta entendimento de que todos vivem em um espaço público e devem respeitar o espaço do outro”, comenta a psicóloga do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), Rosângela Bittencourt. Segundo ela, apenas 10% das infrações são notificadas. Os motivos das imprudências são inúmeros e vão desde falta de planejamento de vida até fatores emocionais. “Os pedestres, por exemplo, estão com pressa, não veem o carro vindo e atravessam. O mesmo acontece para motoristas”, analisa.

Por esses motivos, a doutora em engenharia de transportes Lenise Grando Goldner explica que 70% dos acidentes são causados por atitudes humanas, como desrespeito da lei e falta de educação. “Os fatores viários-ambientais representam 25% junto com os humanos. Isso demonstra que buracos na via, falta de sinalização, deficiências na infraestrutura, chuva, neve, entre outros, também causam acidentes, mas o índice não é tão grande”, complementa.

Solução pode estar na educação

Para a professora Lenise Goldner, uma fiscalização efetiva no trânsito e educação poderiam resolver essa guerra no trânsito. “O que outros países tem e nós não temos é justamente isso. A fiscalização forte inibe esse comportamento e promove a educação. Além disso, se desde o ensino fundamental até a faculdade as pessoas tivessem educação no trânsito seriam adultos mais conscientes”, observa.

Porém, a psicóloga Rosângela Bittencourt acredita que a punição das condutas infratoras apenas não faria com que as pessoas mudassem de atitude. “Isso vem da cultura e da educação. A segurança no trânsito depende do bom senso. O indivíduo tem que aprender a se autofiscalizar”, diz.

Na Capital, o diretor de operações do IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) e autoridade municipal de trânsito, Maycon Baldessari, afirma que a Guarda Municipal possui 147 agentes de trânsito.

O ideal para uma fiscalização mais efetiva das imprudências em Florianópolis seria um número muito maior que esse, afirma. “Contamos com a ajuda ainda dos policiais militares, porém seria preciso de 400 a 500 agentes. Ainda falta educação dos motoristas na cidade”, diz ele.