Danielbiologo's Blog

Pedalando para o Futuro.

Pedalando para o futuro (cotidiano.ufsc.br)

Bicicleta é uma das alternativas para solucionar problemas em Florianópolis

Por Arianna Fonseca
aariannaf@gmail.com
08/09/2011
O excesso de carro nas ruas e seu uso como principal meio de transporte em Florianópolis está gerando uma crise de circulação na capital. Considerada a cidade com pior mobilidade urbana no Brasil, vários estudos estão sendo feitos para mudar essa perspectiva e solucionar o problema dos freqüentes congestionamentos. Para isso, as alternativas mais viáveis ainda são de utilizar o transporte coletivo por ter mais pessoas num menor espaço físico ou usar a bicicleta como um meio ágil, saudável, econômico e ecológico de se locomover, principalmente em trechos pequenos.
Uma infra-estrutura adequada com bicicletários, ciclovias e ciclofaixas seguras são necessárias para mobilizar a população e aumentar o número de ciclistas. De acordo com o presidente da Viaciclo (Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis) Daniel de Araujo Costa, não há muitas estatísticas sobre o uso de bicicletas na cidade, mas nota-se que desde 2001, quando a Viaciclo foi criada, (o número de ciclistas tem aumentado muito) hoje estimamos uma parcela de pessoas de 20 a 30% como uma demanda reprimida que quer utilizar a Bicicleta em seu cotidiano. Os benefícios são tanto para a saúde melhorando o condicionamento físico da pessoa, como também para a cidade, já que não polui e evita congestionamentos.
Por melhorar a qualidade de vida das pessoas, o veículo está se tornando cada vez mais popular, tendo vários grupos de ciclistas e defensores do uso da bicicleta. Porém, a bicicleta não consegue atingir maior popularidade por diversos motivos. O risco constante decorrente da falta de segurança para trafegar nas ruas, a inexistência de locais apropriados para deixar a bicicleta e a violência são algumas razões. Costa afirma que o desrespeito dos motoristas é mais relevante e que os códigos de trânsito devem ser respeitados. “É preciso que o cidadão pense que o trânsito depende de nossas atitudes em relação aos outros”.
A professora Gisele Ammon Xavier desenvolveu junto ao Programa de Pós Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC uma pesquisa sobre a inserção da bicicleta na política de mobilidade urbana brasileira e defende que a bicicleta possibilita o desenvolvimento sustentável. “As práticas do dia-a-dia não mudaram, mas temos uma mudança de paradigma acontecendo”, avalia Gisele.
Atualmente há uma alteração de discurso na sociedade. Estamos vivendo numa época em que a sustentabilidade está cada vez mais em pauta. João Alencar Oliveira Junior, representante da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana, afirma que “enquanto o petróleo for barato vai ser usado e com a escassez, ele vai ser substituído”. Oliveira alerta que o município que não tiver planejamento sustentável no prazo de três anos não acessará recurso federal, mostrando a importância de se repensar na questão da mobilidade urbana o quanto antes.
Para resolver isso, vários projetos de carros híbridos que poluem muito menos o ar estão sendo feitos, mas ainda é muito caro para os consumidores. Porém, essa solução futuramente pode virar outro problema: com tantos “carros limpos” na cidade, faltará espaço nas ruas para sua utilização. “A indústria está se preparando com carros que não emitem gases nocivos ao ar, mas com o mesmo tamanho dos outros carros, ainda teremos congestionamentos”, confirma o doutor em transporte Luis Antônio Lindau, da Embarq Brasil.
De acordo com o DETRAN/SC (Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina), a frota de veículos motorizados em Florianópolis chegou a 279.784 em agosto deste ano, cerca de 15 mil a mais do que no mesmo período em 2010. Nota-se que essa frota está aumentando a cada mês na capital. Desse número, apenas 1711 são ônibus que circulam pela cidade.
Compare aqui os anos de 2010 e 2011.
O uso de transporte público é outra questão que deve ser avaliada pelos motoristas de carro. Se o trajeto for muito longo ou o dia não for favorável para utilizar a bicicleta, pode-se pensar nessa forma de se locomover ao lugar desejado e evitar maiores congestionamentos. Costa comenta que “é preciso um sacrifício individual para que a coletividade seja beneficiada”. E essa mudança de atitudes, mesmo que pequena, precisa ser tomada rapidamente antes que a cidade definitivamente pare.
Clique nas perguntas abaixo para ouvir a entrevista com o presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis Daniel Costa:
 1. A Semana Nacional de Trânsito, que acontece entre os dias 18 e 25 de setembro, tem a intenção de fazer a sociedade refletir sobre o modelo atual de mobilidade urbana. Qual é a programação para esse evento que também incluirá a Semana da Mobilidade Urbana e o Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro)? 
2. A prefeitura de Florianópolis recentemente discutiu sobre a implantação do Bus Rapid Transit na cidade. Você acha que a Via Rápida vai solucionar os problemas de mobilidade na capital? 
3. Utilizando a bicicleta elétrica o esforço de se locomover é mínimo e é uma opção para quem não quer usar carro. Qual sua opinião sobre ela? 
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Pedalada e Caminhada pela Mobilidade Ativa e Sustentável.

Três Escolas, mais de 400 estudantes, equipes pedagógicas engajadas, toda uma comunidade mobilizada: na próxima 5ª-feira, 22 de setembro, mais uma vez o Sul da Ilha manifesta-se pela defesa da mobilidade urbana: Escola da Fazenda, Escola Porto do Rio Tavares e Escola Brigadeiro Eduardo Gomes, juntas, promovem a Pedalada/Caminhada pela Mobilidade Ativa e Sustentável– pelo 9º ano consecutivo!
 
Com o apoio da Guarda Municipal e da Polícia Rodoviária Estadual, partiremos às 8 da manhã do Trevo da Avenida Pequeno Príncipe com a SC 405, iremos pela Avenida Pequeno Príncipe até o Campo de Aviação, onde estarão instalados equipamentos recreativos, sistema de som, e barracas das instituições parceiras. Aproveitaremos a pausa para brincadeiras, sorteio de brindes, lanche com frutas e água, para a realização doconcurso PEDALANDO PARA MELHORAR O MUNDO, e para, novamente, discutir com a comunidade o uso do transporte coletivo e da bicicleta, a poluição e os problemas decorrentes do uso excessivo dos automóveis em meio urbano.
 
Contamos com a participação maciça da comunidade para, juntos com a Escola, exercer cidadania na prática!

Floripa e a infravontade.

Posted in Frases e Reflexões., Gestão de Riscos de Desastres., Meio Ambiente, Textos Diversos Recebidos by danielbiologo on 18 de setembro de 2011
18 de setembro de 2011 | N° 9296

Sérgio da Costa Ramos

  • Floripa e a infravontade

    A cidade de Florianópolis figura numa espécie de Guinness Book da falta de mobilidade urbana. Um estudo acadêmico de fontes não reveladas e, por isso, suspeitas acaba de concluir que Floripa é a capital brasileira campeã de paralisia urbana, vencendo proporcionalmente, é claro até mesmo as sempre engarrafadas Rio e São Paulo.

    Pior: a capital catarinense seria a vice-campeã mundial, derrotando apenas a capital tailandesa, Bangcok. Exageros à parte, o labirinto da Ilha de Santa Catarina não se formou ao longo de milênios, como o da Ilha de Creta.

    Bastaram duas décadas. O carrascal urbano foi planejado com o requinte de caracterizar uma cidade ainda pequena, com todos os inconvenientes de uma grande metrópole.

    Temos vários Minotauros e nenhum Teseu. Nosso labirinto cresce de 15 em 15 minutos, formando uma sucessão de corredores entrecruzados, ruelas sem saída e uma malha viária mais antiga do que a Sé de Braga. Com um champignon: aqui, viadutos de 150 metros levam cinco anos para sair do papel…

    Cidade insular e portuária – sem portos ou transporte marítimo –, sobre a Ilha se abateram todas as pragas do progresso predatório. E um progresso deformado, associado ao carrapato de uma ecoteologia caolha, que acaba provocando exatamente o que deveria evitar: a degradação ambiental.

    Some-se a todos esses males, o da monocultura automotiva, velha arteriosclerose do Brasil. Único país do mundo com 8 mil quilômetros de costa oceânica sem uma frota mercante e uma única tonelada transportada em navegação de cabotagem.

    Aqui, o navio graneleiro que zarpe do Rio Grande do Sul para o do Norte, retirando de circulação 20 carretas de 12 toneladas – é apenas uma utopia. O percurso é penosamente cumprido ao lombo de cavalos mecânicos, sobre trilhas destruídas – e a um custo ainda não medido em vidas humanas e despesas hospitalares. Com essa economia, daria para o país cultivar “autoestradas” alemãs.

    Predomina a antilógica do baronato rodoviário: em 10 anos, a frota brasileira pulou de 28,5 milhões para 63 milhões de veículos, com algumas cidades – inclusive a que a Ilha hospeda – matriculando um carro para cada vivente. Com a infraestrutura patinando na infravontade de autoridades inertes, nossa Floripa Creta ficou entregue à sanha dos Minotauros.

    O Minotauro do atraso vive feliz e bem nutrido. Os que deveriam desenredar o novelo, são os primeiros a construir novas paredes para o labirinto, sob o aplauso de um obscurantismo que pretende congelar a infraestrutura da Ilha.

    Tudo sem deixar de receber exércitos de adventícios, sem deixar de comprar um carro novo por minuto e sem abandonar o hábito de transitar pelo centro da Vila, estacionando na frente de uma farmácia ou padaria.

    Original publicado no Diário catarinense, aqui.

Dia sem carro


>>>>>>>>>>  Passeio dia 25 de setembro de 2011  <<<<<<<<<

Dia 22 de setembro é o Dia Mundial sem Carro e, ao redor do planeta diversas cidades realizam atividades para a melhoria da Qualidade de Vida, da Mobilidade Urbana e do Meio Ambiente.

O que significa este dia?

O objetivo principal do Dia Mundial Sem Carro é estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, além de propor às pessoas que dirigem todos os dias que revejam a dependência que criaram em relação ao carro ou moto. A idéia é que essas pessoas experimentem, pelo menos nesse dia, formas alternativas de mobilidade, descobrindo que é possível se locomover pela cidade sem usar o automóvel e que há vida além do para-brisa.

Várias cidades brasileiras passaram a “comemorar” a data, no mínimo com uma Bicicletada no dia 22. Em 2010, houve atividades na semana toda em vários estados. Já em 2011, algumas cidades programaram eventos para o mês inteiro, que começa a ser chamado informalmente de Mês da Mobilidade.

Em algumas cidades, como Joinville, ruas serão fechadas para o trânsito de automóveis e devolvidas às pessoas, ainda que temporariamente. No Rio de Janeiro, a prefeitura inovou dando transporte público gratuito para quem deixar o carro em casa.
E por aqui na nossa região e na Grande Florianópolis? Quinta dia 15 ocorreu o Desafio Intermodal 2011, conheça e veja os resultados, clicando aqui. A situação de Mobilidade Urbana é deplorável, com um transporte coletivo caro, com poucos horários, falta de Ciclovias e Ciclofaixas, passeios inexistentes e total desintegração entre os modais de transporte. Assim sendo eventos de conscientização e educativos estão sendo desenvolvidos. Estamos na Semana do Trânsito e diversas ações estão acontecendo. Amanhã temos aqui pertinho na Av Pequeno Príncipe no Campeche, temos a caminhada e pedalada pela mobilidade ativa e sustentável e dia 25 um grande passeio ciclístico juntando todos os “ciclistas, pedalantes e bicicleteiros” de todas as idades, clique aqui.

Mas qual o problema em andar de carro?

Andar de carro por si só não parece um grande problema. Para entender melhor o real cenário, é preciso afastar-se da visão individual e analisar todo o conjunto.

Ao longo do último século, nossas cidades foram adaptadas para atender prioritariamente ao carro, não às pessoas que nelas vivem. Investiu-se muito mais no uso individual do automóvel do que em soluções de transporte de massa. À medida que as cidades e o país cresciam, deu-se ênfase em possibilitar a venda massificada de automóveis (com incentivos contínuos às montadoras) e à criação de infraestrutura para que esses carros rodassem (enriquecendo individualmente empreiteras e outras empresas). Nessa política, cada cidadão deveria resolver por sua conta o “seu” problema de mobilidade. O carro se tornava cada vez mais sinônimo de liberdade de poder ir e voltar a qualquer hora, quando na realidade não é sinônimo de liberdade de deslocamento mas a alternativa que restou. Para mover “massas” de pessoas, deveria haver mais opções de transporte “de massa”.

As ferrovias foram desmanteladas ao longo do século e as hidrovias não saíram do papel. As rodovias se espalharam por todo país, até no coração da floresta amazônica, levando o desmatamento e a poluição no porta-malas. Mesmo os investimentos em transporte coletivo sobre rodas foram sempre muito menores que os investimentos diretos ou indiretos no modelo de mobilidade individual e particular. As ruas, avenidas, pontes e túneis, supostamente criados para atender à demanda, foram atuando como estímulo dessa demanda, criando um círculo vicioso difícil de reverter: cada vez mais carros ocupando a estrutura criada e pedindo sempre mais espaço, exponencialmente.

As cidades deixaram de ter caminhos por onde as pessoas e os rios passavam para ter caminhos para “chegar rápido de carro”. Atravessar as ruas sem uma armadura de uma tonelada se tornou, cada vez mais, uma aventura perigosa. As cidades deixaram de ser agradáveis para as pessoas e passaram a ser dos carros(?)

O mal uso do carro.
O carro prestou relevantes serviços e ainda acontece de ter necessidade no seu uso, você pode carregar centenas (milhares?) de vezes o que conseguiria carregar com as mãos. Pode levar pessoas enfermas até um hospital, suprir deficiências de mobilidade e transpor distâncias enormes. Mas hoje sabemos dos problemas ambientais que a queima de combustível vem ocasionando com nosso ar, água, ………..

O problema é intensificado quando você percebe que a quase totalidade dos motoristas nas cidades são pessoas sem nenhuma restrição de mobilidade, que estão carregando apenas uma blusa ou um caderno, não estão sendo levadas a hospital algum e estão fazendo um trajeto que muitas vezes não chega nem a 10 km. Em Floripa 82% dos carros transitam com apenas, o motorista!

Todos saindo com seus carros no mesmo horário causam o efeito mais visível da mobilidade baseada no automóvel: o congestionamento. Outros efeitos são mais difíceis de perceber e alguns até impossíveis de mensurar com exatidão: mortes e sequelas de vítimas de acidentes, stress, isolamento e frustração, agressividade e violência, doenças cardiovasculares e respiratórias, menor tempo para convívio com a família, poluição do ar e das águas, consumo exagerado de recursos naturais, impermeabilização do solo e aumento da temperatura das cidades, diminuição do espaço para convívio entre as pessoas, mudanças na sociedade e degradação nas relações entre as pessoas, prestígio e autoestima atreladas ao automóvel e outras mais.

O dia 22 de setembro é uma oportunidade para que as pessoas experimentem vivenciar a cidade de outra forma. Transporte público, Bicicleta e mesmo a caminhada são alternativas saudáveis e cidadãs, que contribuem com o meio ambiente, com a sua saúde e até com a locomoção daqueles que realmente necessitam utilizar o carro, sobretudo em situações especiais de mobilidade (melhor idade, gestantes, transporte de crianças pequenas, portadores de necessidades especiais, etc). Lembrando que somos motoristas muito pouco tempo comparando com o tempo que somos pedestres! Até a carona solidária, combinada com um colega de escritório/trabalho/universidade que more perto da sua casa, já ajuda.

Se você utiliza o carro no dia a dia, faça um desafio a si mesmo no próximo 22 de setembro e descubra se você é capaz de passar um único dia no ano sem seu carro. A cidade, o planeta e nossas crianças agradecem!

Textos adaptados e retirado dos sites e blogs:

vadebikedanielbiologoViaCiclo.


Desafio Intermodal 2011

Quinta feira dia 15 de setembro, dia marcado para o DI 2011. Neste ano minha participação seria como “recepcionista”, ficaria na chegada (Largo da Alfândega) marcando o tempo de cada modal  participante.
(Desafio Intermodal 2011)

Dia de trabalho realizando algumas vistorias na Ilha de SC, carregando papéis/documentos e mapas estava de carro. Terminando os compromissos do dia, no retorno encontro, a Av. Beira Mar Norte toda congestionada, parada. Olho para o relógio e percebo que a hora avança e eu parado, depois de 45min para percorrer 3 km chego ao estacionamento, saio correndo (a pé) deixo os documentos no trabalho pego os materiais e vou para o ponto de chegada. Antes disto fiquei por longos minutos pensando que não conseguiria chegar, olhava ao meu redor e só enxergava carros parados com apenas um passageiro, muitos resmungando, muitos buzinando para outros, muitos xingando …. o estresse e gases tóxicos inundavam as gotas de chuva que caiam em Floripa. Pensei, que ironia, eu como “coordenador e cronometrista” da chegada, não chegaria. Imaginava meu relato; não cheguei a tempo pois fiquei preso no congestionamento. Lembrando que o congestionamento não é um problema, é apenas uma relação causa e efeito ou seja, é como que dizer, você não está em um congestionamento, você é um congestionamento = reflexos da priorização do transporte individual motorizado.

UFA ! Cheguei 20 minutos antes do horário previsto para a largada, com chuva fina persistente coloco minha capa de chuva, ligo para o Fabiano e acertamos os ultimos detalhes.
Pelo celular aviso ao Fabiano -LARGA, e começa o Desafio Intermodal 2011.

Relato do DI 2011 no Bicicleta na Rua, leia aqui e os tempos, aqui.

Teaser do DI 2011 por Vinicius, veja aqui.

Minhas poucas fotos, aqui.

“Quando fui convidado pra fazer o percurso, de carro, fiquei bastante  chateado, pois no ano passado, por estar de braço quebrado, não tive  como escapar da incômoda tarefa de levar a jornalista e a minha  bicicleta, dentro da latinha com rodas. Cheguei na UFSC, um pouco antes do horário, depois de levar uma hora,  pra ir do Campeche até ali, em virtude das obras de implicação da SC  406, que faz duplicar o tempo que eu levo de bicicleta. O Fabiano me  avisou que eu iria, a pé, pelo Suli. Fiquei feliz, pois passaria, de  novo, por um trecho que muitas vezes passei com passeatas e protestos,  podendo observar as mudanças da urbanização do Saco dos Limões, nos  últimos tempos. A chuvinha miúda, recém chegada, foi a companheira dos primeiros  passos, seguindo junto com os carros, que passavam, lentamente,  permitindo que eu interagisse com os passageiros e motoristas, sem que  ninguém tivesse me oferecido carona, ou mesmo um questionamento, pelo  fato de eu ir caminhando. O trânsito só transitou depois do morro da  Carvoeira, quando perdia os carros de vista. O que pude ver é que a  maioria deles levava apenas um ser humano, tornando a relação  custo/benefício bastante desfavorável a eles. Diferença esta,  manifesta nas protuberâncias glúteas e abdominais, que, flácidas,  circulam preguiçosas, acumulando cólicas, asmas e colesterol. Por  isso, preferi seguir pensando em coisas mais agradáveis. Lembrava do tempo que havia um pequeno córrego, trazendo água  cristalina do alto do Morro da Cruz, rumo ao mangue do Itacorubi, que  seguia à estrada até os domínios da Universidade. Isso lá pelos anos  que se comprava leite em garrafa de vidro e o padeiro passava de  galiota, puxado por um pangaré ensinado. A chegada da moradia  vertical, na descida da Carvoeira, diminuiu a área de visibilidade do  Saco dos Limões, e o aterro levou o berbigão para mais longe um  pouquinho. Não sei se ainda se pode catar berbigão, porque muito  cagalhão ainda desce pelos valões, contribuindo para a propagação de  microorganismos aquáticos, que alteram sensivelmente a rotina dos  diversos comensais que se apropriam daquele ambiente. Chegando no José  Mendes, vi que não há mais fábrica de refrigerantes, e a loja de  automóveis virou templo ecumênico. Na curva do Penhasco, pude  agradecer a Nossa Senhora da Liberdade, pela oportunidade de estar  curtindo uma paisagem de cartão postal. Faltava muito pouco pra  terminar minha jornada, num final de tarde feito sob medida, pra saber  com quantos passos se faz uma jornada. Depois de atravessar a cracolândia, que estava esvaziada, ganhei a  passarela e a parte mais sombria do trecho. Logo quando estava na  entrada da Cidade, percebi o quanto aquele local é abandonado. Alguns  mendigos, um butequinho e uma escuridão de cemitério compõem a  paisagem mórbida do meu momento de chegada. Só aí eu pude perceber  porque a maioria das pessoas não faz este trajeto, da forma lúdica e  saudável que eu estava fazendo, mais uma vez. Apesar de todo meu  prazer de ter feito aquele passeio, as condições das calçadas, o  desconforto das perseguições dos carros, que na ânsia de levar seus  motoristas para casa, atropelam o pedestre, este ser tão estranho que  insiste em ser humano. Quando cheguei, fui informado que o secretário ainda não havia  chegado, pelo seu sistema de transporte desintegrado. Eu levei menos  de uma hora, e apenas quinze minutos a mais que o auto(i)móvel. Com  certeza, o estresse que o motora teve, durante seus momentos de  estacionalidade, foi muito maior que o meu prazer, de ter curtido uma  caminhada animada. O problema é que o dele vai para a coluna do custo,  enquanto o meu consta como benefício. Portanto, muito mais saudável e  sustentável. Valeu, galera, pelo encontro festivo com todos nós. O Fabiano, o  Daniel Biólogo Presidente da Viaciclo, a gurizada animada, o Audálio,  que quando chegou saía fumaça por todos os poros, a chuva, os buracos  da calçada, a fumaça de olhodiesel dos ônibus lotados, e todos os que  eu encontrei, que tornaram possível este instante de prazer e curtição.” 
Huli Huli
Pereira

Huli Huli,
Seus relatos são sempre a melhor parte,
“eu si divirtu” lendo, ao mesmo tempo que fico chateado pela forma como nossa sociedade caminha, aliás não caminha!!!

Fico muito contente de poder participar destes eventos onde pessoas do bem, querem apenas fazer o bem, bem feito !!!

Muito Obrigado a todos vocês,
são vocês que não me deixam perder a esperança nesse tal do Bicho Homem.

DanielBiólogo de A. Costa 

Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis   http://www.viaciclo.org.br

Ótimos depoimentos, o do Huli-Huli Pereira foi excelente! Faço minhas as palavras do Daniel, se ele permitir! 🙂

Há 3 anos participo deste desafio. E tem sido um desafio para mim, que faço da bike meu principal meio de transporte. Como nos últimos 2 anos participei correndo, pude perceber que é bem prazeroso correr, mas ainda prefiro a bicicleta 🙂

Este ano achei q a cobertura por parte da imprensa foi bem menor… Seria importante divulgar mais, pois, quem sabe, mais pessoas tomando conhecimento de que existem outros meios de transporte além do carro, a saúde das pessoas e da cidade não venha a melhorar?

No mais, agradeço a todos pela oportunidade de participar e, se for possível, ano q vem estarei participando novamente!

Abraços,

Audálio Jr

ps: foi uma grata surpresa ver dois colegas ciclistas dos Ingleses (q tb pedalam para o trabalho até o Itacorubi) participando juntos do desafio pela Rota Norte: o Cássio (correndo) e o  Felipe (pedalando).

Cássio Engel Vidal escreveu:

Cara,
Pena que não sei escrever tão bem como vocês, mas realmente o prazer de ir correndo e interagir com a natureza(poluição) é muito gratificante, ver que não é preciso estar preso as máquinas do progresso, que você pode ser mais rapido e ainda tirar todo o stress de uma semana de trabalho, é muito bom…
Todos os dias eu e meu colega e as vezes quando acordamos cedo e conseguimos pegar uma carona com o Audalio, viemos os três dos ingleses até o itacorubi, ainda não tivemos coragem de fazer a volta, mas já é um começo, e com certeza uma valvula de escape para toda a pressão e correria do dia a dia, que infelizmente a nossa sociedade continua a aumentar e chamar isso de progresso.
Não sei que progresso é esse que nos tira a segurança, o convivio com a familia e a saude, como vc’s disseram, por causa do progresso a sociedade tem a tendencia de ficar sedentária e sem saude, aonde vamos parar ?

sete de setembro de 2011

Posted in Falta de Educação, Respeito e Bom Senso., Uncategorized by danielbiologo on 7 de setembro de 2011

Só no dia de hoje, 7 de setembro, em apenas um jornal três matérias sobre a desonestidade, corrupção, etc …
“Precisa-se de Matéria Prima para construir um País”



7 de setembro de 2011

MARCHA CONTRA A CORRUPÇÃO

Inicialmente restrita a uma convocação informal pelas redes sociais, a mobilização com o objetivo de aproveitar a data da comemoração da independência para uma marcha contra a corrupção em diferentes cidades do país ganhou o reforço de algumas das instituições mais relevantes da sociedade civil. No Brasil, esse tipo de ação ainda é incipiente e tem sido pouco usado, mesmo quando o tema envolvido provoca rechaço generalizado, como é o caso da falta de ética na política e na gestão pública. Ainda que nem sempre quem se manifesta pela internet costume partir para ações concretas na prática, a iniciativa é importante, principalmente pelo fato de aliar civismo com a luta pela moralização. É óbvio que os atos não podem querer se sobrepor aos relativos à data máxima dos brasileiros, muito menos tentar burlar a ordem ou a lei.

Em situações anteriores, bem distintas da atual, a sociedade já conseguiu demonstrar que a pressão das ruas pode ser decisiva para uma mudança de rumos do país. O episódio mais marcante foi o dos caras-pintadas, no início dos anos 1990, quando a indignação dos brasileiros contra o descalabro na gestão pública acabou contribuindo até mesmo para levar um presidente da República a se afastar do cargo. O atual inspirou-se na “faxina” ética promovida pela presidente Dilma Rousseff, com o apoio incondicional da população, que agora gostaria de ver o trabalho ser levado até o fim. Mas o que reforçou o movimento foi a decisão da Câmara de livrar a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), filmada ao embolsar dinheiro suspeito, de processo de cassação. O episódio deixou evidente que, sem pressão popular, quem ganha são os malfeitores do Estado.

A sociedade age com civismo ao cobrar mais rigor do Executivo no caso dos corruptos, maior disposição do Congresso em punir políticos denunciados por excessos e menos lentidão do Judiciário no exame de denúncias. Mas é importante que, diante das limitações dos órgãos de fiscalização, apesar dos avanços registrados nos últimos anos, possa contar com o respaldo de entidades com tradição na luta pelas liberdades e pela ética. É o caso das que manifestaram apoio aos atos previstos para hoje, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), além de integrantes da Frente Parlamentar Anticorrupção. Entre os objetivos, estão justamente alguns mais defendidos pelo conjunto dos brasileiros, como mais pressa no julgamento de processos envolvendo casos de desvios, mais transparência nos gastos públicos e corte no número de cargos comissionados.

Estimativa recente demonstrou que, no mínimo, R$ 50,8 bilhões são desviados a cada ano no país, o equivalente às ações concluídas no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) num prazo de três anos. Os brasileiros precisam fazer sua parte para que esse montante possa retornar de fato a áreas mais carentes atendidas pelo setor público.

Original no DC aqui.

7 de setembro de 2011

Corrupção e mobilização, por Affonso Ghizzo Neto *

O fenômeno da corrupção no Brasil e suas consequências nefastas para toda a população devem ser compreendidos a partir da própria sociedade. No Brasil, os mecanismos legais de fiscalização e de controle não se prestam efetivamente aos objetivos oficiais a que se destinam, servindo como mera formalidade para justificar práticas corruptas institucionalizadas. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, de 2002 até 2008, o Brasil perdeu cerca de R$ 40 bilhões por causa da corrupção, dinheiro que deixou de ser aplicado nas políticas públicas, como segurança, saúde, educação, etc.

A corrupção nacional é decorrência da moral predatória característica dominante no Estado patrimonial, que, conscientemente ou não, formatou um conjunto de padrões sociopolíticos de comportamento ético adverso às formas racionais mais modernas de trato da coisa pública.

Movimentos sociais, revoluções deflagradas, reformas administrativas e processos eleitorais são levados a efeito, todos sem resultados efetivos no combate ao fenômeno da corrupção nacional, restando sólida a mentalidade e os métodos de condução da coisa pública. Parece que, cada vez mais, se apresenta modernamente um grande volume de valores morais negativos, seja no trato da coisa pública ou no da propriedade privada, adquirindo a corrupção formas mais sofisticadas e planejadas, conforme as necessidades apresentadas a cada tempo.

Estaria tudo, então, perdido? Evidente que não! Como confirma Paulo Freire, nenhuma realidade é assim mesmo e pronto. Toda afirmação fatalista neste sentido é mentirosa e ideológica. Toda realidade está sujeita à tentativa da nossa interferência nela. Assim, quando, espontaneamente, milhares de brasileiros se mobilizam em “um 7 de setembro” contra a corrupção, longe de uma solução mágica, verifica-se uma nova possibilidade pautada pela consciência coletiva e pela mobilização social. Afinal, o que todos nós temos a ver com a corrupção?

* PROMOTOR DE JUSTIÇA E IDEALIZADOR DO PROJETO O QUE VOCÊ TEM A VER COM A CORRUPÇÃO?Original no DC aqui.

7 de setembro de 2011

Legalizar a corrupção?, por Volnei Carlin *

Mesmo num pequeno livro como o Peso da Borboleta, de Erri de Lucca, pode-se ver um texto denso, reflexivo e realista. É um desses autores que insinuam o colapso de valores e a negativa do direito de sonhar, deduzindo-se que se vive na obscura era das incertezas e dos males da corrupção. Assim, quando nos deparamos, diária e crescentemente, com um desfile de sucessivos e escabrosos escândalos expostos com regularidade e desnudados cruamente aos olhos do país, chega-se ao cerne da malha de relacionamentos das forças políticas e econômicas que se apropriam criminosamente do dinheiro dos contribuintes. O quadro é alarmante, e o nível das revelações ilícitas impressiona. No mais, “qualquer cidadão se apercebe do quão leniente a lei fica ao se aproximar dos poderosos” (Sérgio Telles, O Estado de S. Paulo, 23/07/2011), embora a tímida Justiça já tenha até condenado Cacciola.

Em nossos tempos, os que lesam o patrimônio público se escondem por trás das instituições de que fazem parte, consequência de administrações onde tudo é possível aos agentes públicos. Hoje, regras e princípios formam escudos corporativos cheios de imunidades. Vemos matilhas sempre afiando as unhas e os dentes à espera de se refestelarem nas engrenagens institucionais, com desprezo à opinião pública, que almeja retidão de caráter e decência, apesar de, entre nós, já conceba a ideia de que estão apenas no terreno da ficção, pois a sociedade está condenada.

Nesses casos, tornam-se inglórios os embates contra os malfeitos, havendo lógica e mórbida lucidez dos quadrilheiros que agem mediante propinas, motivo suficiente para que todos os tipos de corrupção passem a ser legalizados, dando-lhes legitimidade, cobrando-se impostos e concessão aos benefícios previdenciários. Seria uma nova forma de melhor realizar o Direito, inaugurando-se uma pseudoética política (Max Weber). Enfim, é inadmissível essa dormência coletiva, criada pela apatia, pela insensibilidade e a acracia, conivente com ooportunismo daqueles que fazem da política a realização da deontologia dos resultados ilícitos.
* DOUTOR EM DIREITO
Original no DC, aqui

Dia do Sexo …

Posted in Uncategorized by danielbiologo on 6 de setembro de 2011

Dia do Sexo: dez motivos para comemorar

Atividade sexual traz benefícios para a saúde

No dia 06 de setembro — sugestivamente, 06/09 — é comemorado o Dia do Sexo. A data é celebrada desde 2008, após uma ação de marketing de um fabricante de preservativos.

Algo tão bom quanto o sexo nem precisaria de motivos para ser praticado, certo? De qualquer maneira, Donna online lista 10 ótimas razões para aproveitar a ocasião e comemorar.

01) Sexo alivia as crises de enxaqueca
Dor de cabeça não é desculpa para fugir da relação. Pelo contrário. Segundo o ginecologista Neucenir Gallani, o orgasmo libera substâncias que atuam no sistema nervoso, como endorfinas.

— Elas diminuem a sensibilidade à dor — explica.

02) Sexo fortalece os ossos
Uma frequência regular de relações sexuais aumenta o nível de estrogênio no organismo. O hormônio feminino tem efeito protetor na saúde óssea, especialmente em mulheres que estão ou já passaram da menopausa.

03) Sexo combate a incontinência urinária
De acordo com Gillian Vanhegan, do Royal College Obstetricians and Gynaecologists, no Reino Unido, o sexo é uma boa forma para fortalecer a musculatura pélvica, que detém a urina. Conforme a idade avança, esses músculos vão enfraquecendo e a mulher pode desenvolver incontinência.

04) Sexo alivia as cólicas da TPM
Não é regra, mas acontece com algumas mulheres. Os movimentos realizados no ato sexual estimulam os órgãos internos, que ficam mais relaxados. Com isso, há diminuição das dores nos dias que antecedem a menstruação.

— Mas há mulheres que, na fase pré-menstrual, não têm disposição para o sexo e forçar a barra pode ser pior — alerta o médico Neucenir Gallani.

05) Sexo melhora o aspecto da pele
O que, para muitas, é apenas ditado popular, na verdade é comprovado por cientistas. Um estudo realizado pela Universidade Queens, no Reino Unido, apontou que o orgasmo libera hormônios ligados ao brilho e à textura da pele e dos cabelos. Além disso, a vasodilatação e o aumento da temperatura corporal causados pela atividade sexual contribuem para uma pele mais viçosa.

06) Sexo melhora o sono
O relaxamento que o orgasmo traz contribui para que você durma melhor — e não apenas no dias em que houver sexo. A reação tem efeito prolongado, devido à ação dos neurotransmissores que passam a agir no organismo com mais regularidade e numa quantidade maior.

07) Sexo diminui o estresse
O prazer associado ao sexo e às relações afetivas causa maior estabilidade emocional. Com isso, os níveis de estresse tendem a diminuir. O cortisol, conhecido como hormônio do estresse, também tem sua produção reduzida, conforme explica um estudo escocês publicado na revista Biological Psychology.

08) Sexo queima calorias
Segundo a Associação Americana de Educadores e Terapeutas Sexuais, meia hora de sexo queima, em média, 85 calorias. Imagine o efeito acumulado de quem pratica o “exercício” regularmente…

09) Sexo aumenta a imunidade
Um estudo feito pela Wilkes University, nos Estados Unidos, mostrou que uma vida sexual ativa aumenta os níveis de um anticorpo responsável pela proteção do organismo contra infecções, gripes e resfriados.

10) Sexo ajuda a envelhecer melhor
Um estudo da Universidade da Califórnia (EUA) mostrou que mulheres que transam com regularidade têm uma velhice mais tranquila. Os pesquisadores concluíram que uma rotina sexual ativa após os 60 anos contribui para a qualidade de vida e a felicidade.

Original aqui = Donna

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